Clima económico em Portugal atinge valor máximo desde a invasão da Ucrânia

Confiança dos consumidores e clima económico melhoram em setembro. Indicadores de confiança aumentaram no comércio e indústria, mas diminuíram nos serviços e na construção e obras públicas.

O indicador de confiança dos consumidores aumentou ligeiramente em setembro, após ter diminuído no mês anterior, assim como o indicador de clima económico, revelam os “Inquéritos de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores” publicados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

“A evolução observada resultou do contributo positivo das opiniões sobre a evolução passada e das perspetivas sobre a evolução futura da situação financeira do agregado familiar e, em menor grau, das expectativas sobre a evolução futura da situação financeira do país”, detalha o INE. É preciso recuar a março para encontrar um valor mais elevado na avaliação da situação financeira do agregado nos últimos 12 meses (-8,2 pontos em setembro, contra os -6,5 pontos de março).

“Em sentido contrário, as perspetivas de evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias registaram um contributo negativo”, acrescenta a mesma nota. O indicador passou de -29,8 pontos em agosto para -32 pontos em setembro. É preciso recuar a junho de 2024 para encontrar uma leitura mais negativa (-34,5 pontos).

O saldo das opiniões dos consumidores sobre a evolução passada dos preços diminuiu em agosto e setembro, após ter aumentado significativamente em julho. E o saldo das expectativas sobre a evolução futura dos preços também diminuiu em setembro, após os aumentos observados nos dois meses anteriores.

De sublinhar que as perspetivas de compra ou construção de habitação nos próximos 12 meses melhorou em setembro, após um agravamento no mês anterior, estando no nível mais elevado desde abril de 2005.

Já o indicador de clima económico, baseado em inquéritos às empresas, aumentou em agosto (2,9) e setembro (3), prolongando o movimento ascendente observado em abril. É preciso recuar a fevereiro de 2022 para encontrar um valor superior (3,1 pontos). Os indicadores de confiança aumentaram no comércio e na indústria, mas diminuíram nos serviços e na construção e obras públicas.

O indicador de confiança na indústria transformadora está aumentar desde fevereiro, quando se tem em conta os valores corrigidos de sazonalidade, mas com o “contributo positivo, no último mês, apenas das perspetivas de produção”. A avaliação da produção nos últimos três meses passou de 12,9 pontos em agosto, para -1,7 pontos em setembro, um desempenho acompanhado por um agravamento da carteira de encomendas, quer ao nível da procura interna e externa.

Estes indicadores são o reflexo das dificuldades de alguns setores, nomeadamente o têxtil, a braços com ameaças tarifárias dos Estados Unidos, instabilidade geopolítica e escalada de preços. Mas as respostas dos empresários parecem revelar alguma confiança no futuro, dada a melhoria das perspetivas de produção nos próximos três meses (passou de 4,4 pontos para 8,9), as expectativas de preços nos próximos três meses (de 1,6 pontos me agosto para 4,9 pontos) e as expectativas de contratação (melhoraram de 1,5 para 2,7 pontos).

Já o indicador de confiança do comércio aumentou entre julho e setembro, após ter diminuído nos quatro meses anteriores, refletindo os contributos positivos das perspetivas de atividade da empresa e das opiniões sobre o volume de vendas, revela o INE.

Por outro lado, nos serviços, todas as componentes contribuíram negativamente para a evolução do indicador de confiança, opiniões sobre a evolução da carteira de encomendas, apreciações sobre a atividade da empresa e perspetivas relativas à evolução da procura. E no indicador de confiança da construção e “obras públicas diminuiu nos últimos três meses, após ter aumentado entre maio e junho, refletindo o contributo negativo das duas componentes, apreciações sobre a carteira de encomendas e perspetivas de emprego”.

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