Governo espanhol “pediu-nos milagres” para impedir OPA do BBVA, diz CEO do Sabadell

  • Joana Abrantes Gomes
  • 20 Outubro 2025

Após falhar a OPA hostil do BBVA, o presidente do banco catalão Sabadell garante que não há necessidade de novos movimentos de consolidação, mas que irá procurar alianças.

O presidente do Banco Sabadell, Josep Oliu, reconhece o interesse do Governo espanhol pelo fracasso da OPA hostil do BBVA. “A única coisa que [o Governo] nos pediu foi que fizéssemos milagres para que a OPA não fosse adiante. Já o fizemos“, afirmou, numa entrevista ao La Vanguardia.

Não precisamos nem corremos o risco de qualquer outro movimento, porque hostil só poderia vir de um dos três grandes. E depois disso, acredito que não é possível uma OPA hostil por parte de nenhum deles. E de fora não vem uma OPA hostil”, disse, por sua vez, César González-Bueno, diretor executivo do Sabadell, também em entrevista ao jornal catalão.

González-Bueno acrescentou que, no máximo, poderia surgir “uma aliança” ou “um acordo”. “Mas não uma OPA hostil, porque não podem oferecer um prémio por sinergias, não podem colocar um prémio sobre a mesa, então não podem oferecer mais do que o mercado oferece”, sublinhou.

Relativamente aos próximos movimentos do banco para se proteger de novas tentativas de OPA e possíveis acordos com o Unicaja ou o Abanca, Oliu garante que irá “procurar alianças que façam sentido”. “Temos uma aliança com a Amundi, temos uma aliança com a Zurich. Se alguém entrar no capital do banco para defender a sua aliança, compreenderei e acho que isso é bom e válido“, apontou, ressalvando, porém, que “em princípio, neste momento, não há nada” que tenham de contemplar no futuro.

Ambos os executivos reiteram a vontade de continuar sozinhos. “Não vamos bater à porta de ninguém no dia seguinte porque vou ficar sem namorada. Não, não, não. A namorada não era querida“, metaforiza o presidente do Sabadell.

Oliu acredita que o banco catalão sai fortalecido da OPA hostil do BBVA, pelo que só resta fechar a operação do TSB com o Santander — “um banco que vendemos pelo dobro do valor pelo qual o comprámos“, atirou.

Por sua vez, González-Bueno reiterou a solidez dos resultados do Sabadell, destacando que no mercado espanhol o banco cresceu 8% em termos homólogos.

Na semana passada, o BBVA não conseguiu levar a bom porto a sua oferta pública de aquisição sobre o banco Sabadell, não alcançando sequer 26% do capital da instituição financeira.

A proposta foi aceite por acionistas que detinham apenas 25,47% dos direitos de voto do Sabadell – ou 1.272.671.801 de ações que representavam 25,33% do capital social –, abaixo do limiar de 30% com que poderia avançar sobre o banco catalão. “A oferta pública teve um resultado negativo, pois não foi atingido o limite mínimo”, indicava o documento do regulador do mercado espanhol, CNMV.

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