Seguros. Revisão da Solvência II “é uma oportunidade para os mais pequenos”

  • Carolina Neves Carvalho
  • 23 Outubro 2025

Os temas da revisão de Solvência II, a criação do fundo contra catástrofes naturais, e os seguros de saúde e poupanças de longo prazo estiverem em análise num painel composto por especialistas.

A revisão da diretiva Solvência II representa uma responsabilidade para o setor segurador e uma oportunidade para as empresas mais pequenas do setor, nomeadamente ao ter uma visão de proporcionalidade das exigências consoante a dimensão das organizações.

No painel que reuniu o Presidente da APS José Galamba de Oliveira, o CEO da Fidelidade Rogério Campos Henriques, o CEO do Grupo Ageas Portugal Luís Menezes, e a CEO da Allianz Portugal Teresa Brantuas, foi debatida a revisão da diretiva de Solvência II, o fundo sísmico, os seguros de saúde e a poupança a longo prazo.

Francisco Botelho (jornalista do ECOseguros), com José Galamba de Oliveira (Presidente da APS), Luís Menezes (CEO do Grupo Ageas Portugal), Teresa Brantuas (CEO da Allianz Portugal), e Rogério Campos Henriques (CEO da Fidelidade) na 6ª conferência anual ECOseguros.

José Galamba de Oliveira partilhou a sua análise e lembrou a importância da revisão desta diretiva para pequenas empresas, sublinhando que “o tema da proporcionalidade é muito importante para nós [APS] e esta é uma oportunidade para os mais pequenos de usufruírem desta proporcionalidade”. Para o Presidente da associação, a revisão da Solvência II “vai poder libertar algum capital para ser distribuído para criar mais oferta e mais inovação.” Galamba de Oliveira afirma mesmo que esta revisão criou “a expectativa de que haja um reporting mais simplificado, até mesmo a nível interno”. No entanto, o Presidente da APS não pôde deixar de frisar que continua a existir uma “preocupação com a solvabilidade do setor”.

Já a CEO da Allianz Portugal acredita que “a Solvência II é a prova de que o setor segurador é o setor económico mais resiliente que existe” e que esta revisão serve também como “uma prova de confiança para as companhias”. Teresa Brantuas defende ainda que, com o aumento dos custos, a revisão da Solvência II “pode ser um balão de oxigénio, facilitando outro investimento de capital”, o que permite às empresas não serem obrigadas a “passar todos os custos para os clientes, aumentando os prémios”.

O fundo sísmico

Apesar do tema da criação de um fundo sísmico ter entrado para a agenda de vários governos, a implementação desse fundo ainda não aconteceu. Galamba de Oliveira sublinha que isso se deve muito, em parte, “à dificuldade de os governos interiorizarem” que este tipo de fundo teria um caráter de “obrigatoriedade”, mas que “neste momento acredito que haja condições para isso”. O Presidente da APS defende que a implementação deve ser um “esforço conjunto” e que é necessário que “as pessoas percebam que estão a proteger os seus bens”. Uma das prioridades do fundo contra catástrofes naturais foi o risco sísmico e para as habitações, “portanto, é preciso garantir a proteção desse bem”.

Galamba de Oliveira revelou ainda que, de acordo com um estudo realizado em 2020, os preços para o fundo contra catástrofes naturais se situavam entre os 25 e os 70 euros, dependendo da zona do país e o tipo de construção das habitações.

No debate, o CEO do Grupo Ageas Portugal lembrou que “o Estado enquanto maior proprietário, será um dos maiores contribuidores para o fundo” e que um dos principais motivos para o fundo ainda não ter sido implementado se deve “à falta de vontade”.

Já Teresa Brantuas sublinha que a “efetividade do fundo já não está em causa”, mas que é necessário que “seja uma responsabilidade partilhada”, lembrando que a prevenção é importante e que “as pessoas têm de estar preparadas para alguma eventualidade”.

Os seguros de saúde e a poupança a longo prazo

Com cada vez mais adesão dos portugueses aos seguros de saúde, o CEO do Grupo Ageas em Portugal admite que é altura de começar a olhar para o seguro de saúde numa lógica diferente: “É inevitável. Para além disso, falar do pilar da prevenção numa lógica anual é impossível”, defende.

Em relação às poupanças de longo prazo, o CEO da Fidelidade afirma que são “uma prioridade”, mas que, para isso, “é preciso investir na educação financeira das pessoas”. E lembrou que as empresas privadas – como a própria Fidelidade – já têm programas de incentivos positivos em várias áreas, e que o Estado também o deve fazer, seja na questão da saúde ou da poupança.

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