Investimento de capital de risco cria 12 vezes mais receita e 15 vezes mais emprego
Investimento em capital de risco corresponde a apenas 0,053% do PIB português. APCRI pede fundo de fundos sob gestão do BPF e incentivos a investidores institucionais para apostarem no setor.
As empresas investidas por capital de risco geram 12 vezes mais receita e criam 15 vezes mais emprego do que a média nacional. Movimentam 21,7 mil milhões de euros por ano e, cada uma delas, paga, em média, 2,2 milhões de euros em IRC em cada exercício. Cerca de metade das suas vendas são exportações, aponta o estudo “Impacto do Capital de Risco em Portugal – Emprego, Crescimento e Internacionalização”, realizado pelo ISCTE para a Associação Portuguesa de Capital de Risco (APCRI).
“Os resultados apurados pelo ISCTE são o melhor estímulo para que o Governo concretize rapidamente duas medidas do programa que em junho apresentou à Assembleia da República: a constituição de um fundo de fundos sob gestão do Banco Português de Fomento; e incentivos a investidores institucionais, como fundos de pensões ou seguradoras, para que participem em fundos de private equity e de venture capital que invistam em empresas nacionais”, diz Stephan de Moraes, presidente da APCRI, citado em comunicado. Em Portugal, o investimento em capital de risco corresponde a apenas 0,053% do PIB.
O estudo, da autoria de Paulo Viegas de Carvalho e de Carlos Manuel Pinheiro, docentes e investigadores do ISCTE, analisa dados de empresas apoiadas por capital de risco, com informação até 2023 face à situação no final de 2014 (ou na data do investimento). A análise tem como base um questionário enviado a 60 sociedades de capital de risco (SCR), das quais 16 responderam, disponibilizando informação correspondente a um total de 4,46 mil milhões de euros de capital angariado junto de investidores. A amostra equivale a 26,7% das empresas do setor, representando 48,2% do total de ativos geridos, tendo por base dados da CMVM, e visa traçar o retrato do impacto do investimento do capital de risco na economia portuguesa.

A começar pela criação de emprego. “Em média, as empresas apoiadas por capital de risco empregam 15,1 vezes o número de trabalhadores da média nacional por empresa (125,0 vs. 8,3). No segmento de private equity, este múltiplo ascende a 27,9 vezes”, pode ler-se no estudo. Além do maior número absoluto de trabalhadores, globalmente, as empresas registam igualmente, entre 2014 e 2023, uma variação de emprego superior à media nacional em 35,6 pontos percentuais (p.p.), valor que sobe para 73.9 p.p. quando se analisa o segmento venture capital.
“A extrapolação destes resultados para o universo das empresas participadas por SCR sugere que estas são responsáveis por cerca de 5,5% do emprego nas empresas não financeiras em Portugal com contas publicadas”, aponta o estudo.

Ao nível das receitas, o impacto do investimento de capital de risco também se faz sentir. Em média, as investidas geram um volume de negócios 12,3 vezes superior ao da média nacional por empresa, “com destaque para o segmento de private equity, onde essa relação atinge 22 vezes mais, realçam os investigadores. “Quando projetado para o total de empresas participadas, as empresas financiadas por capital de risco contribuem 4,4% para o volume de negócios nacional”, pode ler-se no estudo.
Um volume de negócios superior, a que se soma um forte peso nas exportações nos resultados. “Quase metade (48,8%) do volume de negócios das empresas apoiadas por capital de risco corresponde a vendas internacionais, o que reforça a tese de que este modelo de financiamento contribui para a internacionalização da economia portuguesa”, destaca o estudo. Peso que sobe para mais de metade (51,5%) no caso das empresas investidas por private equity.

As projeções do ISCTE apontam para um volume de negócios anual das empresas financiadas por capital de risco de 21,7 mil milhões de euros, correspondendo a 177 mil empregos. O impacto fiscal do setor é também muito relevante: em 2023 as empresas analisadas pagaram uma média de 2,2 milhões de euros de IRC por empresa, “contribuindo significativamente para as finanças públicas”.
Nas empresas apoiadas por private equity e venture capital, o EBITDA [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações] médio é de 1,5 milhões, face aos 200 mil euros da média nacional, ou seja, 7,5 vezes mais. Valor que sobe no caso das empresas investidas por private equity, em que o EBITDA médio é de 5 milhões, ou seja, 25 vezes mais do que a média nacional.
“O impacto destes investimentos na economia portuguesa é claro e está alinhado com o que acontece noutros países: os investimentos em empresas por fundos de private equity e venture capital trazem capitalização, melhor gestão, maior escala, mais internacionalização, gerando vendas, rendibilidades e produtividades muito acima das que não recebem este investimento”, afirma Stephan de Moraes.
“Imagine-se o impacto que terá na economia quando o private equity em Portugal tiver a mesma expressão que tem nas economias mais desenvolvidas: é transformador”, realça o presidente da APCRI, citado em comunicado.
“Nas suas conclusões, o ISCTE é muito claro quanto à principal mudança que é necessário implementar: o desenho de políticas de incentivos à participação de investidores institucionais privados nos fundos de investimento em empresas”, afirma Stephan de Moraes.
“Esses incentivos estarão em linha, de resto, com as prioridades europeias que pretendem ver os investidores institucionais privados mais ativos no investimento em private equity e em venture capital”, conclui o presidente da APCRI.
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