Megaprojeto de gás em Moçambique pronto a ser relançado
Depois da violência e do medo regressa a esperança com o relançamento do projeto de 20 mil milhões de dólares da TotalEnergies que pode transformar Moçambique num gigante do gás.
O suspense acabou: o tão aguardado megaprojeto de gás natural em Cabo Delgado, em Moçambique, liderado pela francesa TotalEnergies, vai mesmo retomar. Após quatro anos de paragem forçada devido à vaga de violência e ataques terroristas na região, a cláusula de “força maior” foi oficialmente levantada pelo consórcio Mozambique LNG.
Com este passo, abre-se caminho ao regresso de um dos maiores investimentos de sempre em África num investimento global de 20 mil milhões de dólares (mais de 17 mil milhões de euros ao câmbio atual) para transformar Moçambique num gigante do gás. O sinal verde foi já comunicado formalmente à Presidência moçambicana, confirmou à agência Lusa com fonte oficial da TotalEnergies.
“O consórcio Mozambique LNG tomou a decisão de suspender a ‘força maior’ e a Presidência moçambicana foi oficialmente informada na sexta-feira por meio de uma carta protocolar”, revelou à Lusa fonte da petrolífera francesa, que lidera a iniciativa na estratégica Área 1 da Bacia do Rovuma. Falta agora apenas a aprovação por parte do Conselho de Ministros moçambicano de uma adenda ao Plano de Desenvolvimento — o documento fundamental que oficializará o novo orçamento e cronograma do projeto.
Além do Mozambique LNG, outros megaprojetos no offshore de Cabo Delgado já ganharam forma, como o Coral Sul (operado pela Eni) e, mais recentemente, o Coral Norte, mas estes ficam-se pelas plataformas flutuantes.
Este relançamento surge depois de anos marcados por incertezas e travagens bruscas, com a TotalEnergies a interromper tudo em 2021 quando ataques armados intensificaram-se em Cabo Delgado. Nos bastidores, a segurança era (e continua a ser) a peça-chave — só após o Governo moçambicano garantir, com o apoio militar do Ruanda e uma nova política anti-terrorismo, o reforço da segurança local, é que o consórcio justificou avançar.
Patrick Pouyanné, presidente da TotalEnergies, já tinha previsto no final de setembro que o arranque da produção do GNL seria em 2029. O responsável indicou, num encontro com investidores em Nova Iorque, que “tudo está pronto. De facto, estamos a remobilizar no terreno, mas a última parte, diria eu, da decisão de levantar oficialmente a ‘força maior’, é que há discussões, o Governo tem de aprovar o plano de desenvolvimento atualizado, porque precisamos de o atualizar com um novo objetivo em termos de início das operações”.
O impacto na região será gigante: a previsão é de uma produção anual de 13 milhões de toneladas de GNL, num projeto que, segundo a TotalEnergies, está atualmente desenvolvido em cerca de 40%.
Além do Mozambique LNG, outros megaprojetos no offshore de Cabo Delgado já ganharam forma, como o Coral Sul (operado pela Eni) e, mais recentemente, o Coral Norte, mas estes ficam-se pelas plataformas flutuantes e não entram, para já, na dimensão industrial da península de Afungi.
Para o chefe de Estado moçambicano, Daniel Chapo, é uma vitória há muito esperada. “Estão reunidas as condições para o levantamento da ‘força maior’ e aguardamos, a breve trecho, o pronunciamento da concessionária da Área 1, projeto Mozambique LNG, sobre esta matéria”, defendeu no início de outubro, destacando o reforço das medidas de segurança, nomeadamente o acordo assinado com o Ruanda.
O último passo, adiantou à Lusa fonte oficial da TotalEnergies, será agora “a aprovação de uma adenda ao Plano de Desenvolvimento (PoD) com o orçamento e o cronograma atualizados”. A expectativa, tanto do consórcio como do executivo moçambicano, é que a aprovação caminhe rapidamente, para deixar para trás de vez a suspensão que bloqueou o maior projeto energético em solo moçambicano e que promete revolucionar o mapa energético do país e da região.
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