Dona do Pingo Doce lucra 484 milhões até setembro, 10% mais do que no ano passado
Grupo de distribuição da família Soares dos Santos subiu as vendas em 7,1% nos primeiros nove meses do ano, apesar da "intensidade" da concorrência e da "pressão crescente sobre estrutura de custos".
A Jerónimo Martins JMT 0,10% , que detém em Portugal os supermercados Pingo Doce e o cash & carry Recheio, alcançou um resultado líquido de 484 milhões de euros nos primeiros nove meses deste ano. Equivale a um aumento de 10% dos lucros do grupo de distribuição, que tem como porta-aviões a Biedronka na Polónia (que está a expandir para a Eslováquia) e que explora também a insígnia Ara na Colômbia.
“O foco reforçado na disciplina de custos, na eficiência e na produtividade, combinado com o crescimento das vendas, contribuiu para proteger as margens face à inflação nos custos – nomeadamente nos salários – e à intensa pressão competitiva”, destaca o grupo num comunicado difundido através da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Nos primeiros nove meses deste ano, o EBITDA (que corresponde ao lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) melhorou 10,9% face ao período homólogo, enquanto as vendas e prestação de serviços ascenderam a 26,5 mil milhões de euros, uma progressão de 7,1%. Entre janeiro e setembro, a margem melhorou 0,23 p.p. para 6,8%.
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"As nossas insígnias reforçaram o compromisso com a liderança de preço, trabalhando, com determinação e resultados assinaláveis, ao nível da produtividade e da eficiência, protegendo a rentabilidade.”
Na mensagem dirigida aos investidores, Pedro Soares dos Santos sublinhou que todas as marcas do grupo de distribuição alimentar “reforçaram o compromisso com a liderança de preço, trabalhando, com determinação e resultados assinaláveis, ao nível da produtividade e da eficiência, protegendo a rentabilidade”.
“Apesar da intensidade dos contextos concorrenciais que enfrentam e da pressão crescente sobre a estrutura de custos, as nossas insígnias cresceram vendas e resultados, tendo, no seu conjunto, concretizado, nos nove meses, 274 aberturas de loja e 170 remodelações”, acrescenta o presidente e administrador-delegado da companhia, que este mês comprou o grupo de frutas e legumes Luís Vicente.
Em Portugal, onde o Pingo Doce está a “[beneficiar] do sucesso” do conceito de loja All About Food, a principal marca detida dentro de portas prevê terminar este ano com uma dezena de novos supermercados e cerca de 50 abrangidos pelo programa de remodelações. Promete também continuar a expandir a rede de parcerias Amanhecer, que já conta com mais de 700 espaços no país.
Até setembro, as vendas do Pingo Doce atingiram 3,9 mil milhões de euros, um crescimento de 5,4% face a igual período do ano passado. Representam agora 14,8% do total do grupo. Já impulsionado pela oferta desenhada para o canal da restauração e hotelaria (HoReCa), também o Recheio subiu as vendas em 2,6%, alcançando os mil milhões de euros.
No seguimento do “forte desempenho das vendas e das iniciativas para aumentar a produtividade, que mitigaram a pressão nos custos”, em conjunto, o EBITDA da distribuição em Portugal foi de 287 milhões de euros, 6,8% acima do mesmo período do ano anterior, com a margem a atingir 5,8% (vs. 5,7% no período homólogo).
Biedronka vale 71% do negócio e fica com metade do investimento

A 30 de setembro, a dívida líquida ascendia a 3,6 mil milhões de euros. Alinhado com o que tinha planeado, o programa de investimento, que diz “constituir a primeira prioridade na alocação de capital”, cifrou-se em 816 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano. Quase metade (48%) desta verba foi canalizada para a Biedronka, com destaque para a entrada na Eslováquia.
Ora, foi precisamente a execução deste programa de expansão, com o “consequente impacto nos juros de locações operacionais capitalizadas”, que fez aumentar os custos financeiros líquidos do grupo de 195 para 243 milhões de euros no espaço de um ano, sublinha na nota enviada à CMVM.
A Biedronka, líder no mercado polaco, continua a dar o maior contributo para as contas consolidadas da Jerónimo Martins. A marca da ‘joaninha’ voltou a registar um crescimento de vendas, em moeda local, de 5,8%. Em euros, as vendas atingiram 18,8 mil milhões, 7,4% acima dos primeiros nove meses do ano passado.
Peso de Portugal nas vendas cai abaixo dos 19%

É também na Polónia, onde enfrenta uma nova acusação da autoridade da concorrência, desta vez visando a falta de transparência na informação sobre os preços, que o grupo português tem o grosso das lojas da Hebe (386), embora esteja a expandir esta cadeia de saúde e beleza para as vizinhas Chéquia (5) e Eslováquia (2). Fechou o período em análise com as vendas a subirem 6,9%, para 451 milhões de euros.
Finalmente, a ‘aventura’ colombiana da Jerónimo Martins prosseguiu este ano com um registo de vendas de 2,3 mil milhões de euros, 9,6% acima do período homólogo. Em nove meses, a Ara inaugurou 135 novas lojas (129 adições líquidas), com a companhia a incluir nestas contas a integração das 70 lojas anteriormente operadas pela Colsubsidio.
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