Investidores puxam o travão. Valorizações excessivas e receios de ‘bolha’ na IA assustam mercados globais
Mercados acionistas globais estão no vermelho perante receios de uma subida excessiva do preço dos ativos, em particular das tecnológicas ligadas ao 'boom' da Inteligência Artificial.
As bolsas mundiais estão esta terça-feira em modo de correção com os preços elevados dos ativos e os receios de uma bolha especulativa à volta da Inteligência Artificial (IA) a levarem os investidores a reduzirem a exposição aos ativos de risco.
O movimento começou na segunda-feira em Wall Street, onde o índice Dow Jones caiu 0,48%, e os futuros vão apontando para uma abertura no vermelho. Estendeu-se à Ásia, onde a bolsa de Hong Kong fechou esta terça-feira a desvalorizar 0,79% e o principal índice japonês a perder 1,74%.
A maré vermelha espalhou-se à Europa, onde a praça de Paris recuava esta manhã 1,57% para o nível mais baixo em três semanas, e a de Frankfurt 1,74% para mínimos de cinco semanas. Madrid perdia 1,36% e Lisboa não fugia à tendência com o PSI a recuar 1,3%, com praticamente todas as cotadas no vermelho, com exceção da Ibersol, esta última inalterada.
As quedas estendem-se às matérias-primas, com os contratos futuros do petróleo (Brent) a recuarem 1% para os 64,25 dólares por barril e os do gás natural a caírem 1,24% para 4,21 dólares por milhão de unidades térmicas britânicas no mercado dos EUA. O cobre, que nos últimos dias atingiu valores recorde, recua 1,36% esta terça-feira. O ouro recua pela terceira sessão. Nos bens alimentares, o preço da soja cai 0,38%.
Segundo as principais agências, os mercados acionistas estão a ser pressionados pelos receios de que a forte valorização dos últimos meses, à boleia do boom da Inteligência Artificial, tenha levado as cotações para níveis demasiado elevados.
O alerta foi deixado na terça-feira por Ted Pick, CEO do Morgan Stanley, e David Solomon, presidente executivo do Goldman Sachs, num evento em Hong Kong. Depois do índice S&P 500 ter disparado mais de 40% desde os mínimos em abril ficou a negociar com um valor 23 vezes os lucros esperados nos próximos 12 meses, acima da média de 20 vezes dos últimos cinco anos. No tecnológico Nasdaq o rácio é de 28 vezes. Aumentou a probabilidade de uma “saudável” correção nos próximos meses.
Ted Pick alertou ainda para o “risco de um erro político” nos EUA e para a incerteza geopolítica. “Devemos acolher a possibilidade de que possam ocorrer quedas de 10 a 15% que não sejam provocadas por algum tipo de efeito macroeconómico abrupto”, acrescentou, citado pela Bloomberg (acesso pago).
Outro receio prende-se com o facto de o mercado estar a ser puxado essencialmente pelas grandes tecnológicas ligadas ao desenvolvimento e escalabilidade da IA. Segundo o Financial Times (acesso pago), esta “dependência” e possibilidade de estarmos perante uma bolha especulativa no setor está a causar receios nos investidores asiáticos. “Se assumirmos que temos uma bolha nos EUA, então temos uma bolha na Ásia”, disse Frank Benzimra, responsável pela estratégia de ações da Société Générale naquele continente.
A maior incerteza sobre futuros cortes de juros pela Reserva Federal e uma maior contenção na política expansionista de alguns bancos centrais também está a penalizar o ânimo dos investidores, mas a segurar o valor do dólar, que segue praticamente inalterado contra o euro.
As próximas horas e dias dirão se o mercado está apenas a fazer uma pausa para respirar antes de nova remontada ou se estamos no início de uma correção mais expressiva.
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