Miranda Sarmento fora da corrida à presidência do Eurogrupo

Belga Vincent Van Peteghem, apontado como ‘super favorito’, e o grego Kyriakos Pierrakakis foram os únicos a apresentarem candidaturas à presidência do Eurogrupo, que fecharam esta sexta-feira.

O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, não formalizou a candidatura à presidência do Eurogrupo, depois de estar na short-list do Partido Popular Europeu (PPE). O prazo terminava esta sexta-feira, mas o governante português tinha como fortes correntes o belga Vincent Van Peteghem, apontado como ‘super favorito’, e o grego Kyriakos Pierrakakis, para presidir ao grupo informal de ministros das Finanças da Zona Euro. Estes dois acabaram por ser os únicos nomes a apresentarem-se a votos.

Como o ECO noticiou, o nome português surgiu como uma espécie de outsider no seio do PPE, da mesma família política do ministro belga e de outro nome com peso, o grego Kyriakos Pierrakakis, que tem estado em campanha ativa e à procura de apoios com vista a uma candidatura capaz de equilibrar as forças.

A eleição do próximo presidente do Eurogrupo terá lugar daqui a duas semanas, na reunião marcada para o dia 11 de dezembro, curiosamente quando arrancará o processo para escolher o próximo vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e no qual Mário Centeno alimenta fortes expectativas. Mas o prazo para a submissão das candidaturas ao cargo que já foi ocupado por Centeno, e que ficou vago há duas semanas com a saída antecipada do irlandês Paschal Donohoe para o Banco Mundial, terminava esta sexta-feira.

O ECO tentou contactar o Ministério das Finanças, mas não obteve resposta. Em comunicado, o Eurogrupo avançou que apenas “dois ministros apresentaram as suas candidaturas para a presidência do Eurogrupo: Kyriakos Pierrakakis, ministro da Economia e Finanças da Grécia, e Vincent Van Peteghem, vice-primeiro-ministro e ministro do Orçamento, responsável pela Simplificação Administrativa, da Bélgica”.

Para conquistar a presidência do Eurogrupo, um dos candidatos precisará de garantir uma maioria simples (pelo menos 11) entre os 20 ministros das Finanças deste grupo informal. Caso nenhum dos nomes obtenha pelo menos essa maioria simples no final da primeira ronda de votações, os candidatos terão a oportunidade de retirar suas candidaturas. A votação prosseguirá até que se alcance uma maioria simples.

Como o ECO contava aqui, o peso político de Vincent Van Peteghem deverá ser suficiente para ultrapassar o desconforto causado pelo facto de a Bélgica se manter reticente em relação à mobilização de recursos russos (em grande parte congelados no país) para ajudar a Ucrânia. Ainda assim, há quem não veja a eleição do belga como garantida.

Nos bastidores, o grego Kyriakos Pierrakakis, também do PPE, tem estado em campanha ativa e à procura de apoios com vista a uma candidatura capaz de equilibrar as forças com Van Peteghem e que pode baralhar as contas. E tem no primeiro-ministro grego um peso relevante dentro da família popular.

Paralelamente, assinala-se que o ministro espanhol Carlos Cuerpo, que em julho se candidatou à liderança do grupo, também não apresentou a sua candidatura. De acordo com o jornal Expansión, Madrid quer desta forma aumentar as hipóteses de voltar a conseguir um cargo no BCE, após a saída de Luis De Guindos no próximo ano.

Até à eleição do novo presidente do Eurogrupo é o ministro cipriota das Finanças, Makis Keravnos, que lidera interinamente os trabalhos, uma vez que será este o país a presidir o próximo Conselho da União Europeia, já que a atual líder Dinamarca não é membro do euro.

Qualquer ministro ou ministra das Finanças de um Estado-membro da Zona Euro pode ser eleito presidente do Eurogrupo para o mandato de dois anos e meio, devendo ser membro efetivo do grupo no momento da eleição. Para isso, irá precisar de uma maioria simples numa corrida que tem tradicionalmente vários candidatos.

Paschal Donohoe sucedeu na liderança do grupo a Mário Centeno, que na época venceu a corrida à presidência à segunda volta de votações. Na primeira ronda de votações nenhum ministro conseguiu um mínimo de dez votos, tendo a ministra da Letónia desistido. Peter Kazimir, da Eslováquia, desistiu pouco depois. O irlandês tinha sido eleito para um terceiro mandato em julho deste ano, mas abandonou o cargo para assumir funções como diretor executivo do Banco Mundial.

(Notícia atualizada às 17h22 com comunicado do Eurogrupo)

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