Cinco ventos perigosos que assombram as bolsas em 2026

Inflação teimosa, fim da euforia na IA e dívida pública crescente juntam-se num cocktail explosivo em 2026. O novo ano chega com demasiados ventos contrários para ignorar.

ECO Fast
  • O Blackrock diz que as avaliações das ações americanas estão nos níveis mais caros desde a bolha dotcom.
  • O UBS adverte que tensões comerciais intensificadas podem desencadear volatilidade selvagem.
  • Prudência e volatilidade vão ser elementos constantes em 2026, segundo os analistas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Se 2025 foi o ano em que a economia global desafiou os profetas da desgraça, evitando uma recessão que parecia inevitável, 2026 desenha-se de forma completamente diferente. Deixa de ser um ano de alívio para ser um ano de teste de stress, não porque a economia colapse, mas porque os seus próprios limites serão postos à prova.

Entre a inovação arrebatadora da inteligência artificial e a dívida pública em ebulição, as principais casas de investimento elevam uma bandeira de alerta nos seus outlooks para o próximo ano, apontando para cinco riscos que, sozinhos ou em combinação, podem descarrilar carteiras e abalar a confiança nos mercados financeiros em 2026.

Começamos pelo cenário mais sedutor: a bolha de inteligência artificial (IA) que rebenta. O UBS alerta que nenhum boom de investimento ocorreu sem turbulência.

Os analistas do Blackrock constata que as avaliações das ações americanas estão nos níveis mais caros desde as bolhas dotcom e de 1929.

A IA está a drenar recursos fenomenais. O Blackrock estima que os investimentos globais em IA possam atingir 1,3 biliões de dólares anuais até 2030, com forte concentração nos EUA, mas sem garantias de retornos proporcionais. Pior: o UBS identifica explicitamente o risco de sobrecapacidade, obsolescência e falhas na monetização.

Em cima destas previsões, o Blackrock constata que as avaliações das ações americanas estão nos níveis mais caros desde as bolhas dotcom e de 1929. Se a promessa da IA abrandar, se o progresso estagnar, o castelo de areia desmorona-se com velocidade.

O segundo perigo é tão silencioso quanto insidioso: a inflação teimosa. O UBS e o BNP Paribas concordam que a inflação americana deverá permanecer persistentemente acima dos 2%. As projeções apontam para uma taxa entre 2,4% e 3,1% em 2026, marcando potencialmente a segunda mais longa sequência acima do objetivo desde 1977.

Isto cria um cenário particularmente desconfortável para a Reserva Federal norte-americana (Fed). Reduzir taxas demasiado agressivamente poderia reacender pressões de preços. A independência do banco central, ameaçada pela nomeação de Kevin Hassett como provável sucessor de Jerome Powell, complica tudo.

Um guardião da moeda alinhado com Trump pode priorizar o estímulo económico sobre o controlo da inflação. Resultado: o dólar enfraquece, a credibilidade evapora-se, os investidores em obrigações enfrentam perdas sem precedentes.

O UBS adverte que tensões comerciais intensificadas, restrições a terras-raras ou provocações em “zona cinzenta” sobre Taiwan podem desencadear volatilidade selvagem.

O terceiro risco é estrutural: o pânico nos mercados de dívida soberana. A dívida das sete grandes economias mundiais (G7) será de 137% do PIB até 2030, segundo o FMI. Os “vigilantes de obrigações” — aqueles que vendem agressivamente quando desconfiam da sustentabilidade — podem disparar vendas massivas.

França, Reino Unido e Japão já ofereceram episódios assustadores em 2025. Para Portugal e a Europa, o risco intensifica-se: a Alemanha está a emitir dívida a um ritmo recorde — 130 mil milhões de euros só em 2026, quatro vezes a média dos últimos 25 anos — para financiar Defesa e infraestruturas.

Este volume inundará os mercados. Se a confiança abalar, as yields disparam, os custos de financiamento para todos os Estados europeus sobem, e o crescimento económico esperado pela Europa evapora-se.

O quarto risco é geopolítico e absolutamente imponderável: a escalada EUA-China. A Blackrock define a competição tecnológica como determinante da vantagem económica e militar do século XXI. O UBS adverte que tensões comerciais intensificadas, restrições a terras-raras ou provocações em “zona cinzenta” sobre Taiwan podem desencadear volatilidade selvagem.

A China, apesar dos problemas domésticos com deflação, está em modo ofensivo tecnológico. Os EUA, com Trump na Casa Branca, repetem o mantra das tarifas agressivas. O risco aqui não é apenas económico, é sistémico. Cadeias de abastecimento global congelam. Empresas multinacionais enfrentam decisões impossíveis. Os mercados de ações descem 20%, 30%, ou mais, sem aviso prévio.

Por último, o quinto risco que ninguém aposta (pelo menos para já) é o colapso por restrições energéticas. O Blackrock estima que os centros de dados de IA poderão consumir entre 15% a 25% da procura elétrica americana atual até 2030.

Eis o problema: os atrasos na aprovação de novos projetos de infraestrutura energética são fenomenais. Não há energia suficiente. O progresso tecnológico esbarra contra a realidade física. As tecnológicas são forçadas a abrandar investimentos. O crescimento esperado de 2% nos EUA nunca se materializa. A narrativa de “velocidade de escape” que o UBS menciona no seu outlook para o próximo ano transforma-se numa ilusão.

Nenhum destes riscos é improvável e nenhum é certo de vir a acontecer. Todos têm precedentes. Todos têm proponentes sérios que os identificam. E o pior de tudo? Estão interligados. Se a inflação permanecer teimosa e a Fed enfraquecer, o dólar cai. Se o dólar cai, o financiamento de dívida americana fica mais caro. Se o custo da dívida sobe, o crescimento abranda. Se o crescimento abranda, a bolha de IA rebenta. Se a bolha rebenta, Taiwan torna-se um palco ainda mais volátil. Se Taiwan explode, a energia escasseia mais.

Para os pequenos investidores, 2026 perspetiva-se como um ano não recomendável para adormecidos. É um ano para decisões baseadas em convicção, não em fórmulas prontas. Diversificação não salva ninguém se tudo cai junto. Prudência e volatilidade são os nomes do jogo, antecipam os analistas.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Cinco ventos perigosos que assombram as bolsas em 2026

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião