Onde investir em 2026

Apesar dos riscos de inflação, dívida e geopolítica, o consenso é de otimismo para as ações. Ainda assim, as maiores casas de investimento recomendam uma estratégia disciplinada.

  • Este artigo integra a edição 17.ª do ECO magazine. Compre aqui.
ECO Fast
  • O otimismo em redor do mercado acionista é geral entre as previsões das principais gestoras de ativos.
  • O dólar norte-americano deverá enfraquecer. BNP Paribas e UBS colocam o par EUR/USD nos 1,20 no final de 2026.
  • As matérias-primas emergem como uma classe de ativos atrativa para 2026, segundo os analistas.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

As 12 badaladas que marcam o arranque do ano de 2026 não colocam um ponto final nos temas mais quentes de 2025, mas antes irão adensá-los ao longo dos próximos 12 meses. E no centro desse turbilhão de emoções continuará a estar a gigantesca onda da Inteligência Artificial (IA), que tanta euforia mas também nervos tem provocado nas principais bolsas.

A BlackRock estima que os investimentos globais em IA possam atingir 1,3 biliões de dólares anuais até 2030, a maioria concentrada nos EUA. “A transformação da IA está a acontecer rapidamente e está a impulsionar investimentos recordes”, sublinha a gestora norte-americana no seu outlook para 2026. Mas esta corrida tecnológica não está isenta de riscos.

Os analistas do UBS alertam que “se o progresso da IA abrandar, a inflação voltar a aumentar ou os problemas da dívida ressurgirem, os mercados podem enfrentar novos desafios”. Ainda assim, o banco suíço prevê que o índice acionista norte-americano S&P 500 alcance os 7.700 pontos no final de 2026 (mais 13% face à cotação que fechou em novembro), impulsionado por tendências em IA, energia e longevidade.

O otimismo em redor do mercado acionista é geral entre as previsões das principais gestoras de ativos. O BNP Paribas projeta que o S&P 500 atinja os 7.500 pontos e o europeu Stoxx Europe 600 os 650 pontos nos próximos 12 meses (13,2% acima da cotação de fecho de novembro), mantendo uma posição de sobreponderação à Europa, neutra aos EUA (mas sobreponderada a empresas de IA) e neutra aos mercados emergentes, mas com particular sobreponderação a tecnológicas chinesas.

Uma das previsões mais consensuais para o próximo ano é o enfraquecimento do dólar norte-americano. Tanto o BNP Paribas como o UBS projetam que o par EUR/USD atinja 1,20 no final de 2026.

O mesmo otimismo relativamente ao setor tecnológico chinês é partilhado pelo UBS, com os analistas do banco suíço a classificarem este setor como “uma oportunidade de topo a nível global”, esperando “crescimento de lucros de dois dígitos em 2026”. A Franklin Templeton reforça esta visão ao notar que “ao longo dos próximos 12 meses, o crescimento dos lucros [destas empresas] deverá ser tão elevado nos mercados emergentes como nos EUA.”

Num cenário distinto surge o mercado obrigacionista que, segundo os analistas, enfrenta um quadro misto em 2026. O BNP Paribas antecipa uma “maré de inclinação” nas curvas de rendimentos, com as taxas de juro de longo prazo a subirem apesar de uma queda moderada de 16% na emissão líquida dos países do G4 em 2026 face a 2025. O banco francês prevê que a yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos atinja os 4,50% no final de 2026 e com a alemã nos 3,1%.

Na Zona Euro, esperamos que as taxas de longo prazo subam, impulsionadas pela expansão orçamental na Alemanha, pela sua emissão recorde de dívida e pela subsequente repricing do prémio de prazo”, explica o BNP Paribas no seu Outlook.

A BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, vai ainda mais longe, posicionando-se em subponderação nas obrigações do Tesouro dos EUA de longo prazo. “Vemos custos elevados de serviço da dívida e compradores domésticos sensíveis aos preços a exercer pressão ascendente sobre o prémio de prazo”, justifica.

Dólar fraco abre portas aos emergentes

Uma das previsões mais consensuais para o próximo ano é o enfraquecimento do dólar norte-americano. Tanto o BNP Paribas como o UBS projetam que o par EUR/USD atinja 1,20 no final de 2026. Este cenário é particularmente favorável para a dívida dos mercados emergentes.

“A dívida em moeda local dos emergentes é um potencial vencedor, reforçada pela probabilidade de apreciação das moedas emergentes face a um dólar enfraquecido”, explica a Franklin Templeton no seu outlook para o próximo ano. A gestora norte-americana destaca ainda que “mesmo após um ano de retornos estelares, os mercados de dívida emergente estão posicionados para voltar a entregar em 2026”.

As matérias-primas emergem também como uma classe de ativos atrativa para 2026. O UBS afirma no seu outlook que “as commodities vão desempenhar um papel mais proeminente nas carteiras” dos investidores, apoiadas por “desequilíbrios entre oferta e procura, riscos geopolíticos elevados e tendências de longo prazo como a transição energética global”.

Segundo as principais gestoras de ativos, uma carteira bem construída para 2026 não segue fórmulas prontas, mas uma filosofia de diversificação inteligente.

O ouro, que contabiliza em 2025 uma valorização histórica superior a 60% em dólares, com a onça a negociar acima dos 4.400 dólares, mantém-se como refúgio e ativo diversificador em 2026. O BNP Paribas prevê a continuidade da trajetória ascendente do metal precioso, com possibilidade de picos acima dos 5.000 dólares por onça antes do final de 2026.

“As expectativas de depreciação do dólar permanecem um motor-chave, mas também vemos forte procura especulativa de ouro como proteção contra riscos que vão desde a sustentabilidade da dívida dos EUA e Europa até perturbações comerciais relacionadas com tarifas”, referem os analistas do BNP Paribas.

Para os pequenos investidores, 2026 exige uma abordagem equilibrada. A diversificação geográfica surge como palavra-chave, com exposição aos mercados norte-americanos, mas sem descurar oportunidades na Europa, Ásia e emergentes.

O novo ano apresenta-se assim como um ano de decisões estratégicas, onde a capacidade de equilibrar ambição e prudência separará os ganhos das perdas. O cenário é promissor: a IA continua a ser o grande motor de crescimento, os mercados emergentes ganham novo fôlego com a depreciação prevista do dólar, e as oportunidades multiplicam-se em geografias diversas. Contudo, nenhuma destas oportunidades é isenta de risco. As avaliações elevadas das ações tecnológicas, a volatilidade cambial e os fatores geopolíticos latentes exigem vigilância constante.

Para os investidores mais experientes e os iniciantes, este não é o tempo da passividade. Segundo as principais gestoras de ativos, uma carteira bem construída para 2026 não segue fórmulas prontas, mas uma filosofia de diversificação inteligente com exposição aos mercados norte-americanos sem descurar a Europa, Ásia e mercados emergentes, combinando apetite pelo risco da inovação com a segurança de ativos defensivos.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Onde investir em 2026

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião