ECO da Campanha. Ao segundo dia, entrada em cena de Montenegro foi tema dominante

Montenegro participou no domingo numa ação de campanha de Mendes e adversários não pouparam nas críticas esta segunda-feira. Passos Coelho continuou a servir de arma de arremesso.

A entrada em cena no domingo de Luís Montenegro, como líder do PSD, numa ação de campanha para apoiar Luís Marques Mendes marcou o segundo dia de campanha, onde os candidatos já andaram de norte a sul do país.

Luís Marques Mendes começou o dia na conhecida feira semanal de Espinho, distrito de Aveiro, uma hora depois de a antiga líder do Bloco de Esquerda fazer o mesmo no arranque de uma jornada que a levou ao Crial-Centro de Recuperação Infantil de Almeirim, no distrito de Santarém, da parte da tarde.

O candidato presidencial apoiado pelo PSD saudou a posição da União Europeia (UE) que apelou a uma transição pacífica na Venezuela e alertou que, se se “deitar por terra” o direito internacional, se legitimam ações como as de Putin.

Questionado se a posição do Governo português não foi demasiado branda em relação a essa da União Europeia, o candidato a Belém salientou que nessa posição conjunta “está a assinatura de Portugal”.

Também na Guarda, mas de manhã, esteve Jorge Pinto, o candidato apoiado pelo Livre, onde reuniu com o presidente da Câmara Municipal para falar sobre a região e fez campanha no centro da cidade mais alta de Portugal continental, seguindo depois para Nelas, no distrito de Viseu, onde visitou a Associação dos ex-Trabalhadores das Minas de Urânio.

Viseu fez igualmente parte da agenda de Henrique Gouveia e Melo, mas antes esteve em Campo Maior, em Portalegre, numa visita à fábrica da Delta, durante a qual esteve sempre acompanhado pelo ex-deputado do PS e antigo secretário de Estado Ricardo Pinheiro. Foi aí que o candidato presidencial apontou o falecido comendador Rui Nabeiro, fundador do grupo Delta Cafés, como um exemplo de empresário sempre à frente do tempo e um símbolo da aposta na coesão territorial.

Esta empresa foi criada por um homem que estava muito à frente do seu tempo, que imaginou uma economia com coesão social. Por isso, em Campo Maior, toda a gente adora o comendador Rui Nabeiro”, empresário que faleceu em 2023 e que foi militante do PS.

Por seu lado, André Ventura escolheu outras paragens alentejanas para o segundo dia oficial de campanha, com uma ação em Sines, no distrito de Setúbal, à hora de almoço, e uma visita a Vendas Novas, no distrito de Évora, ao fim da tarde. O líder do Chega lamentou a decisão do tribunal de obrigar à retirada de cartazes e “de impor os efeitos da decisão mesmo antes do recurso”.

O candidato às eleições presidenciais, António José Seguro, acompanhado pela mulher Margarida Maldonado Freitas durante a apresentação da Comissão de Honra e dos Mandatários nacionais, em Lisboa, 4 de janeiro de 2026. JOSÉ COELHO/LUSAJOSÉ COELHO/LUSA

António José Seguro optou igualmente pelo Alentejo para arrancar a jornada, tendo almoçado na Vidigueira, antes de rumar ao Algarve para ações de campanha em Loulé e Portimão. O candidato apoiado pelo PS prometeu que, caso seja eleito para Belém, “os interesses ficam à porta”, defendendo “uma separação completa entre política e negócios” e apontando o combate à corrupção como um das suas causas.

“Avancei sem nenhum acordo com nenhum partido, com nenhum interesse económico, com nenhum interesse mediático. Tive a coragem porque senti que posso ser útil ao nosso país no cargo de Presidente da República”, disse Seguro.

No sentido inverso ao antigo secretário-geral do PS estará António Filipe, apoiado pelo PCP, que começou o dia na cidade algarvia de Albufeira, onde almoçou com apoiantes. O comunista defendeu que a sua candidatura de esquerda tem “ambição legítima” de lutar pelo resultado de passar à segunda volta, salientando que não se pode votar “com base no medo”.

Já João Cotrim Figueiredo manteve-se próximo da capital, visitando o Centro Social Interparoquial de Santarém pela manhã.

Tema quente

Participação de Montenegro na campanha

O efeito da participação do primeiro-ministro no papel de líder do PSD na campanha de Luís Marques Mendes continua a ressoar. Os adversários não pouparam nas críticas e o tema marcou o segundo dia da campanha.

Gouveia e Melo acusou Luís Montenegro de procurar condicionar a escolha dos portugueses nas eleições e salientou que o próximo chefe de Estado não pode ser nem marioneta nem oposição ao Governo, depois do presidente do PSD ter enquadrado o almirante na reserva no conjunto dos candidatos populistas às próximas eleições presidenciais.

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada começou por prometer que, se for eleito Presidente da República, terá “uma relação construtiva e institucional” com o Governo, mas assinalou logo a seguir que ouviu “com desagrado as declarações do primeiro-ministro”.

“Acho que o senhor primeiro-ministro esteve mal, porque não se pode esquecer que, mesmo enquanto presidente do PSD, continua a ser um primeiro-ministro. Não consegue dissociar as duas coisas. E vai ter que conviver com o futuro Presidente da República, seja ele qual for”, avisou.

EPA/JOSE SENA GOULAOEPA/JOSE SENA GOULAO

Por seu lado, Cotrim de Figueiredo considerou que o apelo de Montenegro ao voto em Marques Mendes demonstra “preocupação e fraqueza”.

Isto, agora, parece estar a preocupar tanto o PSD que vem o presidente do próprio partido tentar apelar ao voto útil no seu candidato. Não seria necessário se o candidato fosse capaz de granjear e mobilizar todo o eleitorado da Aliança Democrática (AD)”, disse o candidato, no final de uma visita ao Centro Social Interparoquial de Santarém – Unidade D.António Francisco.

João Cotrim de Figueiredo, apoiado pela Iniciativa Liberal, considerou que Montenegro já percebeu que Marques Mendes é um candidato que não consegue sequer mobilizar o próprio eleitorado do PSD e da AD. “Portanto, se calhar está arrependido da escolha de candidato, mas isso não me diz respeito”, atirou, depois de Montenegro ter no domingo apelado ao voto útil em Marques Mendes.

Mensagem do líder do PSD, que o antigo comentador considerou “correta”. “Não, eu não o temo, mas eu acho que a mensagem é correta”, disse, ainda antes de o seu adversário Gouveia e Melo ter acusado primeiro-ministro de tentar condicionar escolha do futuro Presidente com as suas palavras.

Marques Mendes disse ser claro que “há uma grande dispersão de votos ao centro”, o que considerou que “não é bom para a democracia”. “Favorece o populismo por um lado, e favorece o experimentalismo por outro, e por isso eu acho que é mais saudável uma concentração de votos numa candidatura que é da moderação e que é da experiência. Neste momento, o caminho não é dispersar votos, é concentrar votos na moderação, na experiência e no consenso”, apelou.

Rui Moreira, Luís Montenegro e Luís Marques Mendes, no domingo, dia 4 de janeiro, durante uma ação de campanha do candidato apoiado pelo PSDLusa

A figura

Pedro Passos Coelho, o eterno evocado

Não foi preciso esperar muito. Logo ao primeiro dia de campanha o nome do antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi evocado. E não por alguém do seu partido. Coube a João Cotrim de Figueiredo chamar o antigo líder do PSD à campanha.

O candidato apoiado pela IL advertiu no domingo o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que o espírito reformista do PSD de Sá Carneiro e a coragem de Pedro Passos Coelho estão na sua candidatura. E o tema resvalou para o segundo dia de campanha.

A primeira a pegá-lo foi Catarina Martins, logo pela manhã, considerando que Mendes, Seguro, Ventura e Cotrim são “herdeiros de Passos Coelho” e, recordando o período de intervenção da troika, sublinhou que quem quiser “puxar pelos salários” sabe em quem deverá votar.

“Quando penso nos orçamentos de (Pedro) Passos Coelho e no seu Governo, lembro-me do país a empobrecer, das pensões cortadas contra a Constituição. Quem tiver saudades dos alunos com fome nas escolas, talvez goste muito desta herança de Passos Coelho”, afirmou a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, citada pela Lusa.

O eurodeputado do Partido Social Democrata (PSD), Sebastião Bugalho, discursa durante um almoço de campanha para as eleições presidenciais do candidato, Luís Marques Mendes (ausente da fotografia), em Coimbra, 05 de janeiro de 2026. MIGUEL A. LOPES/LUSAMIGUEL A. LOPES/LUSA

No entanto, foi durante a tarde que chegou o maior recado a Cotrim Figueiredo, pela voz do eurodeputado Sebastião Bugalho. O cabeça de lista da AD às europeias de maio de 2024 acusou o liberal de “oportunismo”.

“O Dr. Passos Coelho até agora não apoiou nenhuma candidatura, está no seu direito. Mas Cotrim não tem direito a pendurar-se no silêncio de um homem para dar a entender que tem um apoio que não tem. É um abuso e é um oportunismo“, disse, afirmando que o país não precisa de “oportunistas no Palácio de Belém”, mas de reformistas como defende ser Luís Marques Mendes.

Por outro lado, comparou o percurso do candidato apoiado pelo PSD e CDS-PP com o do eurodeputado da IL, a quem apenas reconheceu bom trabalho nos parlamentos nacional e europeu.

Ainda ontem, Cotrim Figueiredo dizia que a Presidência não é um prémio de carreira política. Com todo o respeito, qual carreira? Algum de nós conhece uma lei desenhada, negociada e aprovada por Cotrim Figueiredo? Uma reforma defendida e implementada por Cotrim Figueiredo? Uma medida que tenha, de facto, tocado na vida dos portugueses?”, disse, ironizando que até a ex-líder do BE Mariana Mortágua deu nome a um imposto.

A frase

"Ainda ninguém votou. As pessoas só votam no próximo dia 18. Até lá tudo o que se fizer são vaticínios, são palpites, é o que se queira.”

António Filipe

Prova dos 9

O candidato André Ventura partilhou esta segunda-feira um alegado “inquérito da Intrapolls” que o coloca na liderança da corrida para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, com 21,1% das intenções de voto, à frente de Marques Mendes, com 20,8%, Gouveia e Melo, com 17,5% e António José Seguro, com 16,4%. No entanto, os dados dão empate e resultam de um modelo baseado em IA, não de um inquérito, conclui a Lusa.

No entanto, a Intrapolls não realizou qualquer inquérito, fez uma previsão com base num modelo. Questionado pela Lusa Verifica, o fundador da Intrapolls/Intralistas confirma que aqueles dados “não são resultantes de inquérito”, mas sim previsões geradas por um modelo “desenvolvido para funcionar essencialmente como um agregador de sondagens de imprensa.”

Segundo Tiago Santos, “para garantir a fiabilidade, o modelo utiliza ‘scripts’ especializados e inteligência artificial para analisar o histórico e as fichas técnicas das empresas do setor”, o que permite ter “um sistema extremamente robusto” de previsão eleitoral.

TIAGO PETINGA/LUSATIAGO PETINGA/LUSA

Por seu lado, o gabinete de comunicação do Chega indica como fonte uma publicação da Intrapolls no Instagram, de 1 de janeiro e explica que “o candidato baseou-se nos resultados de um inquérito gerado por algoritmo, divulgado numa plataforma dedicada à recolha e análise de sondagens políticas”.

Essa publicação destaca que “Marques Mendes lidera corrida para próximo presidente” – dado que o candidato André Ventura não incluiu na infografia –, enquanto “Ventura lidera a 1ª volta”, “Seguro ascende ao terceiro lugar” e “5 candidatos lutam pelo apuramento”, numa “previsão eleitoral” que “não é uma previsão do futuro no dia 18 de janeiro, mas uma previsão do que seria o voto exercido pelos portugueses” no Ano Novo.

Conclusão: É falso que “um inquérito da Intrapolls” coloque André Ventura na liderança da corrida às próximas eleições presidenciais, como divulgado pelo candidato, conclui a Lusa. O projeto Intrapolls não está a realizar inquéritos voluntários de opinião e as “previsões” que publica são geradas por um modelo baseado num algoritmo de previsão eleitoral que utiliza diversas ferramentas de análise onde se inclui IA.

Norte-Sul

O debate dos candidatos presidenciais na RTP vai marcar o terceiro dia de campanha, mas com encontro marcado apenas para as 22 horas, há candidatos com ações marcadas fora da capital.

Henrique Gouveia e Melo, que dormirá a norte, tem visita marcada ao Mercado Municipal de Vila Real, seguindo depois até à Feira de Reis, em Vila Verde (Alijó), enquanto António José Seguro, por exemplo, estará durante a manhã em Grândola numa visita à Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense e durante a tarde em Setúbal.

Por seu lado, Catarina Martins visitará, às 9h30, o mercado de Torres Novas, não se encontrando por pouco com Marques Mendes, que tem ponto de encontro no mesmo local às 11h.

Cotrim Figueiredo ficará por Lisboa, tendo na agenda uma visita à Liga dos Combatentes, enquanto André Ventura tem agendada uma arruada no Pinhal Novo durante a manhã. Já Jorge Pinto participará no programa “2 às 10” e António Filipe tem encontrado marcado com Manuel Carvalho da Silva, no bar de A Voz do Operário, na capital, depois de durante a manhã estar na Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense, em Setúbal.

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