Combustíveis ditam nova contração das exportações. Compras ao exterior encolhem quase 8%

Défice da balança comercial de bens atingiu 1.991 milhões de euros, refletindo um desagravamento de 629 milhões face a novembro de 2024. Vendas para Espanha caíram 6,9% e para os Estados Unidos 20,8%.

As exportações deram um novo tombo em novembro, pelo segundo mês consecutivo, ao contraírem 1,7% em termos homólogos, penalizadas pelos combustíveis. Mas a queda das importações foi ainda mais significativa (-7,9%), de acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatísticas.

“Em novembro de 2025, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de, respetivamente, -1,7% e -7,9% (-5,8% e -2,9%, pela mesma ordem, em outubro de 2025)”, escreve o INE. A categoria de combustíveis e lubrificantes foi a que mais penalizou as exportações em novembro, devido, sobretudo, à redução das transações destes produtos (-64,4%). Recorde-se que a Galp tinha prevista uma paragem de 50 dias, no final do ano, para fazer a manutenção da refinaria de Sines. O anúncio foi feito logo em março pela diretora da refinaria.

Se não fosse a quebra das vendas ao exterior dos combustíveis, a trajetória das exportações inverter-se-ia, registado um crescimento de 2,5% (depois de contração de 3,5%, em outubro), ou seja, teria sido o quarto melhor mês do ano. O melhor foi mesmo setembro (+13,8%), depois da entrada em vigor do novo acordo comercial entre a União Europeia (UE) e os Estados Unidos, que pôs fim à “guerra de tarifas” entre os dois blocos económicos.

Em novembro, houve um acréscimo dos fornecimentos industriais (+6,9%), impulsionado, sobretudo, pelo aumento das quantidades de produtos químicos exportados para a Alemanha, maioritariamente no âmbito de transações com vista a trabalho por encomenda (sem transferência de propriedade). Se for excluído este tipo de transações, esta categoria de produtos diminui 8,5%.

No entanto, quando excluídas as transações sem transferência de propriedade (transações com vista a ou na sequência de trabalhos por encomenda – TTE), a contração das exportações revelou-se mais acentuada (-6,2%; -3,6% em outubro), enquanto a diminuição das importações foi menos pronunciada (-2,8%, -3,4% em outubro)”, acrescenta o gabinete nacional de estatísticas.

As importações de bens diminuíram 7,9% face ao período homólogo (-2,9% em outubro), também afetadas pelos combustíveis (sem eles a queda teria sido de 6,5). Quando excluídas as transações TTE, ou seja, importações feitas para satisfazer encomendas, as importações diminuíram 2,8% (-3,4%, em outubro) um sinal de possível abrandamento das encomendas à indústria, ou um reflexo do adiantamento de compras aos exterior para escapar às tarifas que pode ter deixado as empresas com stocks mais significativos e portanto com a necessidade de importar menos — em setembro as importações (sem combustíveis) dispararam 10,2%.

Mas as importações em novembro também foram afetadas pela quebra de 18% das compras ao exterior de fornecimentos industriais, “maioritariamente produtos químicos provenientes da Irlanda”, associados maioritariamente a encomendas. Excluída esta transação as importações de bens da categoria de fornecimentos industriais registam apenas uma diminuição de 1,5%, explica o INE.

Com as exportações a caírem menos do que as importações, o défice da balança comercial de bens atingiu 1.991 milhões de euros, refletindo um desagravamento de 629 milhões de euros face a novembro de 2024. “No entanto, excluindo as TTE, o défice comercial registou um agravamento de 167 milhões de euros”, ressalva o INE.

Em novembro, voltou a observar-se uma queda no preço das mercadorias transacionadas. O INE revela que o índice de valor unitário das exportações caiu 0,5%, um desempenho ainda assim melhor do que a queda de 1,4% em outubro, já o das importações registou uma variação negativa de 1,8%, igual à registada no mês anterior. Excluindo os produtos petrolíferos, a variação dos preços foi igualmente negativa (-1,4%), em linha com outubro de 2025; e inferior à observada em novembro de 2024 (-0,4%).

Em termos acumulados no ano, até novembro, as exportações aumentaram 0,6% em termos homólogos (+2,4% no mesmo período de 2024). Contudo, excluindo as transações sem transferência de propriedade, as exportações registam uma diminuição de -1,6% (compara com +1% no mesmo período de 2024).

Exportações para Espanha afundam 6,9% e para os EUA 20,8%

Tendo em conta os principais destinos das exportações nacionais, a maior quebra quebra registou-se nas vendas para Espanha (-6,9), mais uma vez devido à venda de combustíveis.

Destaque ainda para a quebra das exportações para os Estados Unidos (-20,8%), também devido à redução das vendas de combustíveis e lubrificantes, sobretudo de gasolinas. “Em sentido contrário, destaque para o acréscimo das exportações para a Alemanha (+13,3%), evidenciando-se os fornecimentos industriais, nomeadamente produtos químicos, correspondendo, em grande parte, a transações com vista a trabalho por encomenda”, sublinha o INE. No entanto, quando excluído este tipo de transações, a trajetória das exportações para a Alemanha inverte-se, registando-se um decréscimo de 18,9%.

(Notícia atualizada com mais informação)

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