Exclusivo Mário Centeno ao ECO. “A agenda do Banco Central Europeu deve evoluir”

Candidato português à vice-presidência da instituição sublinha que o Banco Central Europeu tem de continuar a ser "um pilar de credibilidade e de preservação da estabilidade macroeconómica".

O Banco Central Europeu (BCE) é uma das peças decisivas da afirmação europeia e tem de continuar a ser “um pilar de credibilidade e de preservação da estabilidade económica”, defende Mário Centeno, candidato português ao lugar de vice-presidente da instituição, em declarações exclusivas ao ECO. “A Europa entrou numa fase de incerteza estrutural – impulsionada por tensões comerciais, elevada dívida soberana, exigências fiscais com a defesa, o clima e o investimento digital, e pela perspetiva de mudanças abruptas na estrutura das nossas economias e mercados de trabalho. Nos próximos anos, as instituições da UE deverão funcionar como uma âncora estabilizadora”, afirma o ex-governador do Banco de Portugal, quando questionado acerca do papel que o BCE tem de desempenhar num contexto tão desafiante como o atual.

Mas, para desempenhar esse papel, as instituições europeias têm de continuar a mudar e a adaptar-se a uma realidade que se altera de forma cada vez mais rápida. “A agenda do BCE deve evoluir. As inovações financeiras impactam na transmissão monetária e na estabilidade do mercado, particularmente através das suas ligações com os ativos financeiros tradicionais. Estas tendências exigirão uma inovação contínua em ferramentas, regulação e análise”, defende o responsável.

Para o antigo ministro das Finanças nos governos socialistas de António Costa, “tudo isto se liga à coesão e competitividade a longo prazo da Europa e esse é o mais importante contributo do BCE para a Europa”. “Um pilar de credibilidade e de preservação da estabilidade macroeconómica”, sublinha.

As inovações financeiras impactam na transmissão monetária e na estabilidade do mercado, particularmente através das suas ligações com os ativos financeiros tradicionais. Estas tendências exigirão uma inovação contínua em ferramentas, regulação e análise.

Mário Centeno

Ex-Governador do Banco de Portugal

Mário Centeno confirmou na quinta-feira, em declarações ao ECO, a sua candidatura ao lugar que o vice-presidente Luis de Guindos vai deixar no final do seu mandato, daqui a pouco mais de quatro meses. O ex-governador revelou, nestas declarações, a sua disponibilidade para ser candidato de Portugal ao segundo lugar de topo no banco central do euro. “Incentivado por contactos europeus mantidos durante o período em que exerci funções como Governador do Banco de Portugal, manifestei junto dos líderes europeus a minha disponibilidade para me candidatar ao cargo de Vice Presidente do Banco Central Europeu, em que mantive informado o Governo português“, afirma o ex-Governador do Banco de Portugal. “A candidatura, a formalizar amanhã pelo Governo português, integra-se no meu persistente contributo para o aprofundamento da integração europeia, sustentado na experiência adquirida ao longo do meu percurso profissional. Após mais de três décadas no Banco de Portugal e perto de dez anos em funções de representação na União Europeia, incluindo enquanto Presidente do Eurogrupo, a possibilidade de assumir o cargo de Vice Presidente do BCE representa um desafio para o qual me sinto motivado e qualificado”.

Já esta manhã, o Governo confirmou a entrega formal da candidatura de Mário Centeno a vice-presidente do Banco Central Europeu. “O Ministério das Finanças apresentou essa candidatura ao presidente do Eurogrupo ontem [quinta-feira] ao fim do dia”, referiu a tutela num curto comunicado enviado às redações. Além do português, há outros cinco candidatos ao cargo de vice-presidente do BCE: um finlandês, um croata, um estónio, um letão e um lituano.

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