Amazon Web Services expande ‘cloud’ soberana europeia para Portugal

Tecnológica americana lançou esta quarta-feira, na cidade alemã de Potsdam, a nova nuvem da União Europeia com regras de segurança mais apertadas. Investimento é de 7,8 mil milhões até 2040.

A tecnológica Amazon Web Services (AWS) lançou esta quarta-feira a sua cloud soberana europeia e anunciou a expansão desta nuvem independente para três países, entre os quais Portugal. A criação de uma “zona local” de dados em Portugal permite que a nova cloud soberana da União Europeia fique automaticamente disponível a nível nacional.

É a partir da cidade alemã de Potsdam, a capital do estado federal de Brandemburgo, que opera a AWS European Sovereign Cloud, a mais recente ‘nuvem’ para armazenar informação da União Europeia (UE). A cloud no leste da Alemanha está separada (física e administrativamente) de outros grandes centros de dados da Amazon e envolve um investimento de 7,8 mil milhões de euros do grupo norte-americano até 2040.

A cloud europeia da AWS está ligada a Portugal através da nova zona local, que vai chegar em simultâneo à Bélgica e aos Países Baixos com o objetivo de garantir o cumprimento dos requisitos de isolamento, ‘residência de dados’ e baixa latência.

Em entrevista ao podcast do ECO “À Prova de Futuro”, o responsável de Tecnologia da AWS para a Europa do sul, André Rodrigues, havia revelado os planos de criar uma local zone (centro de serviços) em terras lusas, bem como investir na cloud soberana que o Governo português pretende implementar.

Aposta da AWS significa “atratividade do país”, diz Gonçalo Matias

O Governo ainda não se posicionou sobre este tema, mas aplaudiu a iniciativa da gigante de Seattle. “O lançamento da AWS European Sovereign Cloud e da AWS Local Zone em Portugal está totalmente alinhado com os objetivos da Estratégia Nacional de Digitalização, permitindo que administrações públicas e empresas privadas adotem tecnologias de cloud avançadas enquanto mantêm controlo sobre os dados”, começou por dizer o ministro Adjunto e da Reforma do Estado, numa nota enviada aos jornalistas sobre este evento.

“Demonstra também a crescente atratividade do nosso país e da Europa como um todo para infraestruturas digitais de alto valor”, acrescentou Gonçalo Matias.

Ou seja, como Portugal ganha uma zona local passa a estar integrado nesta cloud soberana. A diferença entre a cloud soberana europeia e outra qualquer tradicional é a gestão independente e o portefólio de funcionalidades que permite às empresas cumprirem com a legislação específica da UE, nomeadamente o Regulamento Geral da Proteção de Dados (RGPD). Assim, é suportada por outro género de controlos técnicos e operacionais, garantias de independência e proteções jurídicas de forma a responder às necessidades quer dos governos quer dos privados.

“As AWS Local Zones permitem aos clientes armazenar dados em localizações específicas ou executar aplicações sensíveis à latência. Os clientes com requisitos de segurança mais rigorosos terão também a opção de usar AWS Dedicated Local Zones, AWS AI Factories ou AWS Outposts em localizações à sua escolha, incluindo os seus próprios centros de dados on-premises”, detalha a empresa liderada por Matt Garman.

O investimento de 7,8 mil milhões planeado pela AWS na Alemanha deverá contribuir com 17,2 mil milhões de euros para o PIB alemão até 2040 e criar cerca de 2.800 empregos por ano em empresas locais da área da construção, manutenção de instalações, engenharia, telecomunicações, entre outras.

Empresas como SAP, Capgemini, Accenture e Kyndryl estão a começar a utilizar esta cloud da AWS. Embora sejam multinacionais mais ligadas à tecnologia e consultoria, esta é um espaço de armazenamento e computação aberto a vários setores, entre os quais administração pública, saúde, serviços financeiros, defesa e aeroespacial, energia ou telecomunicações.

Na opinião do diretor-geral da AWS European Sovereign Cloud, Stéphane Israël, “a Europa precisa de acesso mais robusto à tecnologia de cloud e inteligência artificial [IA]” e a “expansão da inovação da AWS a toda a Europa vai impulsionar o crescimento e os objetivos de IA dos clientes”, até porque “os clientes querem o melhor de dois mundos: utilizar o portefólio completo de serviços de cloud e IA da AWS e garantir que cumprem os seus rigorosos requisitos de soberania”.

Quais as principais funcionalidades?

  • Autonomia europeia – Separada física e tecnologicamente de outras regiões AWS. É operada exclusivamente por residentes da UE, não depende de infraestrutura fora da comunidade única, tem design próprio e paga-se em euros.
  • Residência de dados – Controlo total sobre onde os seus dados são armazenados. Permite manter todos os metadados criados (como funções, permissões, etiquetas de recursos e configurações) inteiramente na UE, incluindo sistemas soberanos de Gestão de Identidade e Acesso (IAM), faturação e gestão de utilização
  • Controlos técnicos e de conformidade – Utiliza o AWS Nitro System, que cria barreiras físicas e lógicas fortes para impedir que qualquer pessoa, incluindo funcionários da AWS, aceda aos dados dos clientes no Amazon EC2. Para tal, recorre a criptografia, gestão de chaves e módulos de segurança de hardware
  • Administração europeia – Estrutura de administração específica na Europa, com uma nova empresa-mãe e três subsidiárias locais incorporadas na Alemanha (GmbH), lideradas por cidadãos da UE. Inclui também um conselho consultivo composto por três funcionários da Amazon e dois membros independentes, todos cidadãos e residentes europeus.

*A jornalista viajou até Potsdam a convite da AWS

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Amazon Web Services expande ‘cloud’ soberana europeia para Portugal

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião