Murtra alerta em Davos que a Europa deve levar a ideia da autonomia estratégica “muito a sério” e avançar na sua execução

  • Servimedia
  • 20 Janeiro 2026

O presidente da Telefónica, Marc Murtra, destacou que a Europa precisa de grandes empresas tecnológicas se quiser defender a sua soberania estratégica e alertou para a falta de consenso e execução.

O presidente da Telefónica, Marc Murtra, defendeu em Davos que a Europa deve liderar o seu próprio caminho face à «nova relação» com os EUA. Murtra fez estas declarações numa entrevista concedida ao programa líder de economia da CNN, «Quest means business», onde começou por expressar as suas condolências pelo acidente ferroviário em Espanha e transmitiu a solidariedade da empresa com as vítimas e as suas famílias. O executivo classificou o acontecimento como «terrível» e sublinhou a importância das telecomunicações em situações de emergência.

Segundo explicou, a Telefónica ativou as suas equipas de emergência, deslocou infraestruturas móveis para a zona afetada e está a colaborar com as autoridades para garantir a cobertura e o funcionamento das comunicações. «A zona conta agora com boa cobertura», afirmou, destacando o papel essencial da rede no apoio aos serviços de emergência.

No âmbito do Fórum Económico Mundial de Davos, o executivo referiu-se ao complexo contexto das relações entre a Europa e os Estados Unidos e defendeu que estamos perante uma nova «era» em que a Europa deve levar muito a sério a ideia de autonomia estratégica.

Ele destacou que, nos últimos 25 anos, a maior parte das grandes tecnologias digitais — como hiperescaladores, motores de busca, cibersegurança ou inteligência artificial — foram desenvolvidas nos Estados Unidos, e considerou necessário que a Europa replicasse esse ecossistema para garantir a sua soberania tecnológica.

Embora reconhecendo as dificuldades para alcançar esse objetivo, afirmou que a Europa conta com a dimensão económica, os instrumentos necessários e um diagnóstico comum graças ao Relatório Draghi, mas alertou que o principal desafio é a execução e a liderança em todos os níveis da Comunidade Europeia. Neste sentido, citou a China como exemplo de um país que conseguiu desenvolver as suas próprias tecnologias em apenas três décadas.

Sobre a possibilidade de recorrer a medidas comerciais de grande alcance, ele observou que a Europa está «em meio a uma emergência» e que a sensação de urgência começa a surgir, embora ainda não seja suficiente e deva se estender também aos líderes de opinião e à sociedade civil.

Questionado sobre o papel das grandes empresas tecnológicas americanas, como a Google ou a Meta, afirmou que a Europa «tem futuro e deve liderar o seu próprio caminho», analisando os seus ativos em comparação com os ativos dos Estados Unidos. O executivo concluiu referindo que, na sua opinião, a razão continua a ser um motor fundamental do progresso humano e uma ferramenta essencial para influenciar a opinião pública.

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