CDS-PP rejeita que Ventura seja “candidato antidemocrata”
"Qualquer candidato que receba o voto popular e que ganhe eleições tem legitimidade democrática, quer seja de esquerda, quer seja de direita", declarou Paulo Núncio.
O líder parlamentar do CDS-PP rejeitou esta quarta-feira que se qualifique o presidente do Chega, André Ventura, de “candidato antidemocrata” a Presidente da República, e que o PS reclame como vitória sua o resultado obtido por António José Seguro. Paulo Núncio assumiu estas posições sobre as eleições presidenciais durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, na Assembleia da República.
Por outro lado, o líder parlamentar do CDS-PP contestou também que o Chega reclame vitória nas eleições de domingo por André Ventura ter sido o segundo mais votado – à frente de Marques Mendes, apoiado por PSD e CDS-PP – e ir disputar a segunda volta.
Paulo Núncio manifestou-se certo de que o Chega ficará atrás da AD (PSD/CDS-PP) quando houver novas eleições legislativas: “Bastará que o símbolo da AD volte novamente aos boletins de voto para o Chega regressar ao seu devido lugar na direita portuguesa”. No início da sua intervenção, o líder parlamentar do CDS-PP referiu que “os debates quinzenais com o primeiro-ministro não são para comentar eleições presidenciais”, mas em seguida abordou esse tema.
“Ouço para aí dizer que a segunda volta das eleições presidenciais vai ser disputada entre um candidato democrata e um candidato antidemocrata. Senhores deputados, qualquer candidato que receba o voto popular e que ganhe eleições tem legitimidade democrática, quer seja de esquerda, quer seja de direita”, declarou.
Sobre o candidato mais votado no domingo, António José Seguro, ex-secretário-geral do PS e apoiado pelo seu partido, Paulo Núncio apelidou-o de “candidato socialista” e alegou que “foi humilhado durante anos pelo PS e, em particular, por muitos deputados socialistas que ainda hoje estão nesta bancada”.
“Não obstante, o PS tenta convencer o país que teve uma vitória estrondosa na primeira volta. Não teve, senhores deputados. O PS não esteve no boletim de voto e o PS não ganhou rigorosamente nada. Tudo o resto é pura hipocrisia e puro oportunismo político do PS”, sustentou.
O líder parlamentar do CDS-PP acrescentou que “o PS e a esquerda não são donos da democracia”, que “são os portugueses e só os portugueses que decidem” e que o seu partido não aceita “lições de democracia, muito menos vindas do PS”.
“Desde quando é que os portugueses que se abstiverem ou, por mera hipótese, votarem no outro candidato são menos democratas que os demais?”, questionou, sem mencionar o nome de André Ventura.
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