Carneiro apanha boleia de Seguro para se relegitimar no PS

Comissão nacional reúne-se este sábado para marcar diretas e o congresso do partido. José Luís Carneiro volta a candidatar-se e tenta ganhar força entre os socialistas, depois da hecatombe de maio.

Depois da hecatombe do PS nas legislativas de maio, José Luís Carneiro vai aproveitar a vitória de António José Seguro na primeira volta das presidenciais para reforçar a sua liderança no partido. A comissão nacional reúne-se este sábado para comemorar as eleições, “mostrar que o partido está bem vivo”, discutir a situação política nacional e marcar as diretas e o congresso para a última quinzena de março, já depois da tomada de posse do novo Presidente da República que sair do sufrágio de 8 de fevereiro.

O partido quer mostrar ao país que está unido e forte em torno de José Luís Carneiro, por isso não se prevê que surjam mais candidatos a disputar o cargo de secretário-geral do PS, apurou o ECO.

Fonte do partido refere que o timing “tinha de ser este”, porque “o mandato intercalar de José Luís Carneiro terminou em dezembro e era preciso convocar eleições internas e acautelar as datas para não perturbar as eleições autárquicas e presidenciais”. No entanto, dentro partido, a leitura é outra. “Vai servir para comemorar a vitória de António José Seguro e mostrar que o partido não está morto e acabado, que está bem vivo”, segundo fonte socialista.

“Depois da hecatombe eleitoral de maio, muitos diziam que o PS tinha acabado e que já não era capaz de ganhar eleições, ora as presidenciais de janeiro demonstraram o contrário, apesar de a vitória ter sido de António José Seguro”, comenta outro socialista ouvido pelo ECO.

José Luís Carneiro vai abrir a comissão nacional com uma declaração à imprensa às 10h30, no hotel Altis, em Lisboa, seguindo depois para a reunião à porta fechada. O órgão máximo entre congressos foi convocado pelo presidente do partido, Carlos César, para discutir a situação política nacional e marcar as eleições diretas para 14 e 15 de março e o congresso para o fim de semana seguinte, 27 e 29 de março, já depois da tomada de posse do novo Chefe de Estado.

De lembrar que os órgãos nacionais ainda vêm do tempo do anterior líder, Pedro Nuno Santos, que se demitiu depois da derrota das legislativas de maio que relegaram o partido para terceiro lugar no Parlamento, atrás do Chega. Em julho, o partido apenas elegeu o secretário-geral que depois escolheu o secretariado nacional, mas a comissão política nacional e a comissão nacional não foram sufragadas em congresso.

Por isso, era o momento de marcar as diretas e novo congresso, que se vai realizar em Viseu, indica fonte oficial do partido. O objetivo da direção foi encontrar um calendário que permitisse que os principais passos deste processo eleitoral não prejudicassem nem as autárquicas, nem as presidenciais, devendo decorrer já depois da tomada de posse do futuro Presidente da República, marcada para 9 de março, referiu fonte do partido ao ECO.

“Não se prevê que outros candidatos se apresentem, porque José Luís Carneiro ainda tem de provar o que vale, só está na liderança do PS há seis meses”, de acordo com um dirigente nacional. “O partido está unido e assim se deve manter, aproveitando a boleia da vitória de Seguro” para relegitimar Carneiro como secretário-geral. Mas ainda está a decorrer o prazo de apresentação das candidaturas, até meio de fevereiro, indicou a mesma fonte do partido. “Se ninguém se chegou à frente há seis meses não me parece que agora o faça”, segundo outro socialista.

Oficialmente, a direção socialista rejeita qualquer leitura instrumental da candidatura presidencial. “O PS encara as presidenciais como uma eleição de natureza própria, sem confusões com a vida interna do partido”, assegura um socialista. Ainda assim, reconhece que “António José Seguro representa uma referência importante para muitos militantes”.

Nos bastidores, porém, a realidade é mais crua. “Carneiro percebeu que sozinho não chega lá. Precisa de um símbolo forte do PS clássico, moderado e agregador, e Seguro encaixa nesse papel”, afirma outro dirigente socialista. Para esta fonte, a estratégia é clara: “Quem se posicionar bem agora, entra na corrida à liderança com outra legitimidade”.

A reunião da comissão nacional deverá servir também para medir forças e testar discursos. Vários dirigentes antecipam intervenções centradas na necessidade de “unidade”, “estabilidade” e “reconstrução da confiança”, conceitos que, segundo um histórico do partido, “funcionam como código interno”.

A comissão nacional irá também debater o posicionamento do PS face ao Governo e à correlação de forças parlamentares, num contexto de forte pressão para clarificar a estratégia de oposição. A forma como José Luís Carneiro intervier será, por isso, observada com atenção dentro e fora do partido.

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