Figuras do PSD e CDS entre subscritores de manifesto por António José Seguro

Manifesto, já com mais de 700 assinaturas, inclui ex-dirigentes e ex-governantes do PSD e CDS, além de membros da cultura, justiça e academia, entre outros.

A segunda volta da eleição presidencial deste ano e da de há 40 anos “não podiam ser mais diferentes: em 1986, os portugueses escolheram entre um moderado de esquerda e um moderado de direita; em 2026, enfrentam-se um candidato do centro-esquerda e outro das direitas radicais”. Este é o mote do manifesto assinado por dezenas de personalidades, que, à hora de publicação deste artigo, já recolhe mais de 750 assinaturas.

Apresentando-se como do “espaço não socialista”, personalidades do PSD e do CDS, entre outras proveniências políticas, escrevem que “André Ventura tem apresentado este sufrágio como um confronto entre o bloco das esquerdas e o bloco das direitas, que qualificou como o campo “não-socialista”. Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses.

Pertencendo todos os signatários ao campo não-socialista, entendemos que André Ventura não nos representa. Rejeitamos tanto o estilo como a substância, a manifesta falta de sentido de Estado e o divisionismo que o candidato anuncia ao dizer desde já que não pretende ser o Presidente de todos os portugueses

Entre os signatários estão os social-democratas Calos Carreiras e António Capucho, ambos antigos presidentes da Câmara de Cascais (um dos candidatos nas autárquicas deste ano, João Maria Jonet, também ali está presente); José Pacheco Pereira; António Nogueira Leite (apoiante de Gouveia e Melo) Filipa Roseta, vereadora no primeiro mandato de Carlos Moedas; Rui Anastácio atual presidente da Câmara de Alcanena. Do lado do CDS encontram-se, entre outros, Adolfo Mesquita Nunes e António Lobo Xavier. Do lado não político encontramos os escritores Francisco José Viegas, Pedro Mexia (conselheiro de Marcelo Rebelo de Sousa) e Rita Ferro Rodrigues; entre outras personalidades da cultura, justiça e empresas.

André Ventura, escrevem os signatários, “apresentou propostas e assumiu posições inconstitucionais, discriminatórias ou atentatórias da dignidade humana, como confinamentos étnicos, sanções penais degradantes, a hipótese do regresso à pena de morte, a cidadania portuguesa concedida a título revogável, a proibição de críticas à magistratura, a estigmatização de comunidades imigrantes, um securitarismo de razia, a continuação às avessas das guerras culturais, a velha tentação censória, o alinhamento com autocratas e governos autoritários”.

António José Seguro, “desde sempre ligado ao espaço socialista, evitou na campanha o facciosismo ou a ofensa, e tem um percurso político de moderação, honestidade e dignidade”.

Em conclusão, consideram que “André Ventura não apresenta condições objectivas nem subjectivas para exercer o mais alto cargo do Estado”. O contrário do vencedor da primeira volta, decorrida a 18 de janeiro, defendem: “Temos decerto discordâncias ideológicas, mas sabemos que António José Seguro não atentará contra os valores democráticos e humanistas, nem contra os direitos, as liberdades e as garantias dos cidadãos”.

 

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