Portugal é dos países que menos atrai imigrantes qualificados de fora da UE
Portugal volta a ser um dos países da UE que menos atribui autorizações de residência e trabalho para talento altamente qualificado vindo de fora do bloco comunitário.
- Portugal enfrenta dificuldades significativas na atração de imigrantes (fora da UE) altamente qualificados, emitindo apenas 16 autorizações de trabalho e residência em 2024.
- A Alemanha lidera a lista com 56.300 cartões azuis, representando 72% do total europeu, enquanto Portugal ocupa o segundo lugar mais baixo da UE.
- Já nas autorizações para estudar e fazer investigação, Portugal foi o sexto país europeu que mais candidatos atraiu.
Portugal está entre os países europeus que menos estão a conseguir atrair imigrantes altamente qualificados. De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Eurostat, no conjunto da União Europeia (UE), foram atribuídas mais de 78 mil autorizações de residência e trabalho para estrangeiros qualificados em 2024. Destas, apenas 16 foram emitidas por Portugal.
“Em 2024, cerca de 78.100 trabalhadores altamente qualificados com origem extra-UE receberam um cartão azul da União Europeia, uma autorização de trabalho e residência destinada às pessoas altamente qualificadas que venham de países fora do bloco comunitário”, informa o gabinete de estatísticas, num destaque publicado esta manhã.
Destas 78 mil autorizações de residência e trabalho, 56.300 foram emitidas pela Alemanha, o correspondente a 72% do total europeu. A Alemanha consagra-se, assim, novamente campeã da atração de talento estrangeiro altamente qualificado.
Seguem-se a Polónia (5.900 cartões azuis, o equivalente a 7% do total europeu), a Hungria (2.900 cartões azuis, o correspondente a 4% do total comunitário) e França (2.800 cartões azuis, o que representa 4% do total europeu).

Já o Chipre ocupa o pior lugar da tabela europeu, sendo que, nesse Estado-membro, não foi emitida qualquer autorização de trabalho e residência para imigrantes altamente qualificados. Em 2023, já tinha sido esse o cenário.
Em comparação, em Portugal foram emitidos 16 cartões azuis em 2024, menos dez do que em 2023. O total português foi, assim, o segundo mais baixo da União Europeia.
Na base do ranking (mas melhor do que Portugal), estão ainda a Eslováquia (32 cartões azuis) e a Estónia (41 cartões azuis).
Por outro lado, quanto à origem do talento que está a chegar ao Velho Continente, o Eurostat dá conta que foi aos cidadãos da Índia que foram atribuídos mais cartões azuis da UE em 2024 (16.300 ou 21% do total referido), seguindo-se os cidadãos da Rússia (6.700 ou 9% do total), da Turquia (5.600 ou 5% do total) e da China (4.600 ou 6% do total).
Alemanha também é campeã da atração de estudantes

Além de trabalhar, os cidadãos vindos de fora da União Europeia podem também ficar nos países do bloco comunitário para estudar e fazer investigação, tendo sido emitidas 475 mil autorizações nesse sentido em 2024, de acordo com o Eurostat.
Também neste âmbito, a Alemanha é campeã, ainda que com menos dominância. Do total de autorizações para estudar e fazer investigação, a Alemanha foi responsável por 28% (131 mil pessoas). Seguiram-se França (118 mil ou 25%) e Espanha (59 mil ou 12%).

Em contraste, a Grécia (zero autorizações), a Irlanda (400 autorizações) e a Croácia (522 autorizações) foram os países que menos atraíram estudantes e investigadores vindos de fora da UE.
E Portugal? Em 2024, disparam as autorizações deste tipo emitidas por cá. No total, foram atribuídas 16.653 autorizações para estudar ou fazer investigação, sendo esse valor o sexto mais elevado do bloco comunitário.
De notar que, em 2023, Portugal tinha sido dos países que menos atraiu estudantes e investigadores extra-UE (menos de mil), mas em 2022 tinham sido emitidas quase dez mil destas autorizações.
No conjunto da UE, “os principais recetores foram os cidadãos da Índia (53 mil ou 11% do total da UE), da China (44 mil ou 9%), de Marrocos (23 mil ou 5%) e dos Estados Unidos (23 mil ou 5%)”.
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