Eurodeputada do PSD quer influencers a ensinar literacia financeira
Relatório da eurodeputada Lídia Pereira (PSD) propõe adaptar literacia financeira a eventos como a entrada no mercado de trabalho e a compra de casa e campanhas digitais com 'finfluencers'.
A Comissão de Assuntos Económicos e Monetários (ECON) do Parlamento Europeu vai debater, na quinta-feira, um relatório que propõe uma nova abordagem à literacia financeira na União Europeia (UE). Entre os temas centrais do documento, realizado por iniciativa da eurodeputada do PSD Lídia Pereira, constam a adaptação da literacia financeira a momentos-chave do ciclo de vida e a realização de campanhas com finfluencers nas redes sociais.
“A literacia financeira deixou de ser um tema acessório e passou a ser uma condição para a liberdade económica, para a segurança das famílias e para o bom funcionamento dos mercados”, refere Lídia Pereira, em declarações ao ECO sobre esta iniciativa, que surge num contexto de crescente exposição dos cidadãos a riscos financeiros, fraudes online e decisões pouco informadas sobre poupança, crédito e investimento.
Um dos eixos centrais do relatório é a adaptação da literacia financeira a momentos-chave do ciclo de vida, tais como a entrada no mercado de trabalho, a compra de casa ou a transição para a reforma. “A informação financeira só é útil se chegar no momento certo. É aí que pode evitar endividamento excessivo, escolhas erradas ou vulnerabilidade futura”, justifica a eurodeputada social-democrata.
O papel cada vez mais proeminente dos finfluencers nas redes sociais também merece especial atenção no documento redigido por Lídia Pereira. Nesta temática, é proposta a realização de “campanhas pan-europeias com finfluencers considerados legítimos“.
“Muitos cidadãos, sobretudo os mais jovens, têm hoje o primeiro contacto com temas financeiros através dos chamados influencers ou criadores de conteúdo, sem que estes se encontrem sujeitos a regras básicas de transparência”, alerta a deputada europeia ao ECO.
No entanto, o relatório não propõe proibições, mas sim “padrões proporcionais de responsabilidade”, porque, justifica, “quem acabar por influenciar decisões financeiras não pode operar numa zona cinzenta sem qualquer tipo de escrutínio”.
O documento aborda, por outro lado, a necessidade de maior clareza sobre conflitos de interesse e o envolvimento das plataformas digitais no combate a conteúdos enganosos.
“Não se trata de censurar, trata-se de proteger os cidadãos e reforçar a confiança num ecossistema digital que já existe e vai continuar a crescer”, ressalva Lídia Pereira, sublinhando que literacia financeira também significa, atualmente, “saber defender-se no mundo digital”.
Deste modo, o relatório integra a literacia financeira com a cibersegurança e o combate à fraude, considerando essencial que os cidadãos saibam identificar esquemas fraudulentos, promessas de retornos irreais e práticas abusivas.
É ainda proposto recurso à inteligência artificial para apoiar a literacia financeira. Para a eurodeputada do PSD, “a tecnologia pode ajudar a explicar riscos, custos e escolhas de forma personalizada, com linguagem simples, simulações e alertas claros”. Contudo, assinala que “essa inovação tem de ser acompanhada de transparência, supervisão pública e proteção dos dados pessoais”.
O relatório “assume a literacia financeira como uma prioridade horizontal da União Europeia, ligada diretamente à competitividade, à mobilização da poupança privada e à capacidade de os cidadãos participarem de forma informada nos mercados financeiros, para preparar o seu futuro”, resume Lídia Pereira, acrescentando que “de nada serve termos produtos financeiros sofisticados, que façam parte dos hábitos de poupança e de investimento, se as pessoas não conseguem compreendê-los nem comparar riscos, custos e oportunidades”.
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