Depressão Kristin. Volume de sinistros leva seguradoras a agilizar processos e a reforçar equipas

  • Carolina Neves Carvalho
  • 30 Janeiro 2026

Seguradoras estão a solicitar aos clientes o envio de fotografias e orçamentos para acelerar o tratamento dos processos e reconhecem que este será "um evento com elevados custos".

A depressão Kristin, que já fez cinco mortos e deixou um rasto de devastação no centro do país, provocou um pico de sinistros que está a testar a capacidade de resposta do setor segurador, com as seguradoras a tentar lidar com o volume excecional de participações de sinistros.

No geral, as seguradoras operam com equipas reduzidas de peritos internos, recorrendo sobretudo à contratação de peritos externos ou freelancers sempre que a procura aumenta, como em casos destes. Este é um modelo de funcionamento habitual no setor, mas levanta-se a questão acerca de estarem no local peritos suficientes para o levantamento de dados.

A Fidelidade explicou ao ECOseguros que, até às 18h00 desta sexta-feira, estavam em aberto 5.662 processos de sinistro, maioritariamente relacionados com danos em habitações, estabelecimentos comerciais e infraestruturas. A seguradora avança que ativou o seu plano de emergência e reforçou as suas equipas internas.

Para fazer face à situação, deslocou ainda uma unidade móvel de emergência para Leiria, equipada com tecnologia de apoio à peritagem, incluindo drones, e sublinha que, “enquanto a situação o justificar”, vai recorrer aos 140 peritos na sua rede nacional, permitindo uma alocação flexível de recursos conforme as necessidades no terreno.

Já o Grupo Ageas Portugal garante ter “peritos suficientes para responder ao pico de sinistros”, tendo mobilizado peritos nas zonas mais afetadas e atribuído uma equipa dedicada exclusivamente ao acompanhamento deste evento. A seguradora tomou “medidas excecionais” para agilizar a regularização de sinistros patrimoniais, especialmente nos casos de menor montante.

Agilização de processos

Para sinistros de multirriscos habitação até 4.000 euros, a Ageas regulariza os processos apenas com orçamentos, caderneta predial, IBAN e fotografias dos danos, dispensando a peritagem presencial. Até 8.000 euros, a regularização é possível com ata de acordo ou relatório de peritagem.

Assim, as seguradoras estão a solicitar aos clientes o envio de fotografias e orçamentos para acelerar o tratamento dos processos, permitindo decisões mais céleres e, em alguns casos, a dispensa da peritagem no local, libertando os peritos para que possam fazer o levantamento dos estragos mais devastadores.

Apoio presencial no terreno

O Grupo Ageas Portugal instalou um ponto de apoio presencial em Leiria para ajudar os clientes na gestão dos processos de sinistro. A unidade móvel estará no dia 30 de janeiro no Pavilhão Carlos Neto, em Marrazes. A Fidelidade mantém uma linha de emergência dedicada a funcionar 24 horas por dia.

Custos elevados e impacto futuro nos prémios

Ambas as seguradoras consideram prematuro avançar com estimativas de prejuízos, embora reconheçam que este será “um evento com elevados custos”. A Fidelidade antecipa que os prejuízos serão “significativos, tanto em número de sinistros como em valor”.

Quanto ao eventual impacto nos prémios de seguro, as seguradoras são cautelosas. A Fidelidade esclarece que este fenómeno em particular não se relaciona diretamente com alterações futuras nos prémios, uma análise que “depende de múltiplos fatores”. No entanto, a Ageas admite que “é bastante provável que o aumento da frequência destes sinistros se traduza, no futuro, em custos de proteção de resseguro mais elevados”.

A depressão Kristin evidencia os desafios do setor num cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, exigindo maior agilidade nos mecanismos de resposta.

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