Falhas pontuais do SIRESP compensadas com estações móveis
O Governo aprovou uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para o Siresp. Proteção Civil afirma que após a tempestade, no distrito de Leiria, a única rede que funcionava era o SIRESP.
O comandante nacional de emergência e proteção Civil admitiu esta sexta-feira falhas pontuais na rede SIRESP na sequência da tempestade Kristin, mas garantiu que foram colmatadas com o recurso a estações móveis.
“Nós tivemos pontualmente falhas na rede SIRESP” [Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal], reconheceu Mário Silvestre, numa conferência de imprensa na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), em Carnaxide, Oeiras. Segundo adiantou, o “trabalho muito próximo com a Siresp e a Nos” permitiu à Proteção Civil identificar os locais de maior dificuldade de comunicações e, através de estações móveis, “colmatar o problema”.
“Obviamente que uma estação móvel não tem a mesma capacidade do que uma estação fixa”, referiu o comandante nacional de emergência e proteção civil, ao salientar que “algumas delas foram arrancadas pela base” durante a passagem da depressão por Portugal continental. Mário Silvestre realçou ainda que, na manhã a seguir à tempestade, no distrito de Leiria, um dos mais afetados, a única rede que funcionava era a do SIRESP, uma vez que todas as outras estavam em baixo.
“Todas as comunicações que temos feito com o distrito de Leiria e com os outros distritos mais afetados têm mantido uma base SIRESP constante”, referiu Mário Silvestre, para quem “não tem sido por falta das comunicações entre os agentes” que a Proteção Civil que tem tido maiores dificuldades nas suas operações.
Na conferência de imprensa, adiantou ainda que todos os pedidos de geradores que chegaram ao comando nacional “estão supridos através dos diversos agentes de Proteção Civil” que têm estes meios, equipamentos que estão já a ser realocados, tendo em conta que várias zonas atingidas já recuperaram a energia elétrica da rede. “Estamos a gerir as necessidades de acordo com a procura que nos chega diretamente dos diversos teatros de operações ou dos diversos locais com essas necessidades”, afirmou.
O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, uma indemnização compensatória de 26 milhões de euros para garantir a gestão, operação e manutenção da rede de comunicações de emergência e segurança do Estado. O valor foi atribuído numa altura em que há várias queixas, nomeadamente do autarca da Batalha (distrito de Leiria), que o SIRESP deixou de funcionar na quarta-feira com a passagem da depressão Kristin.
O Governo, através do secretário de Estado da Proteção Covil, admitiu falhas, mas garantiu que a rede SIRESP “funcionou na generalidade” e, muitas vezes, foi “o único meio de comunicação”. No apagão de abril do ano passado, o SIRESP também falhou e na altura o Governo criou um grupo de trabalho, que deverá apresentar conclusões no fim deste mês, para “a substituição urgente” desta rede comunicações.
Na altura da criação do grupo de trabalho, o Governo considerou que era necessário um novo sistema “mais robusto, fiável, resiliente e interoperável” devido às “limitações estruturais e operacionais em cenários de elevada exigência operacional”.
A decisão “visa assegurar, com caráter de urgência, um sistema de comunicações robusto, fiável, resiliente, tecnologicamente adequado e plenamente interoperável, que responda eficazmente às exigências atuais e futuras das forças e serviços de segurança, emergência e proteção civil”, justificavam os ministérios da Administração Interna e das Infraestruturas do anterior Governo.
Fonte ligada a este processo disse à Lusa que o relatório está concluído e caso seja criada uma outra entidade para gerir a rede de comunicações de emergência do Estado a indemnização compensatória agora aprovada será transferida. A empresa pública Siresp S.A. está sem liderança há quase dois anos, depois de Paulo Viegas Nunes, major-general do Exército especialista em sistemas de informações, ter deixado a presidência no final de março de 2024.
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