Horta Osório: crescimento económico deve ser “objetivo suprapartidário e intergeracional”

António Horta Osório aplaude redução da dívida pública através da descida do peso da despesa do Estado e não do aumento dos impostos, que diz preparar terreno para um crescimento mais robusto.

António Horta Osório, vice-presidente do Crédit Commercial de France e antigo CEO do Lloyds Bank, defendeu numa conferência em Lisboa que a aceleração do crescimento económico deve ser um objetivo “suprapartidário e intergeracional” do país. Deixou também elogios à redução da dívida pública, que diz ter sido feita “da maneira correta”, e pediu uma continuação da redução dos impostos sobre as empresas.

“Não há nenhuma razão para não termos como objetivo global, como sociedade e país, aumentar decisivamente o crescimento económico para melhorar os salários e a qualidade de vida dos portugueses. Isso devia ser um objetivo suprapartidário, intergeracional e devia ter números e deadlines“, afirmou o antigo CEO do Santander durante uma intervenção da Transatlantic Business Summit, organizada pela Amcham Portugal, que decorre esta sexta-feira em Lisboa.

“É possível fazer, estamos a ver quem o faça e se temos um objetivo sem um plano, isso não passa de um sonho”, acrescentou António Horta Osório, depois de referir o crescimento económico mais elevado de alguns países do leste europeu, que ultrapassaram Portugal nos últimos anos.

O gestor considera que o crescimento económico deve ser a prioridade, depois do país ter equilibrado as contas públicas da forma correta. “Portugal atingiu o equilíbrio orçamental com contenção da despesa pública e não com subida de impostos. É a maneira correta de fazer as coisas“, afirmou, salientando que o peso da despesa pública no PIB caiu de um máximo de 50% para 42%. “Devemos por o máximo dinheiro na mão das famílias e empresas. O Estado deve limitar-se a fazer o que os privados não podem fazer, assegurar a concorrência e a regulação”, defendeu Horta Osório.

Continuar redução do IRC

Já à margem da conferência, o vice-presidente do Crédit Commercial de France elencou três fatores determinantes para acelerar o crescimento: “aumentar as exportações, continuar a desenvolver a inovação e assegurar um nível saudável de concorrência, que faz as empresas serem melhores, estimula a qualidade e dá melhores produtos aos consumidores”.

As políticas do Governo, de reduzir progressivamente o IRC, e portanto pôr mais dinheiro no bolso das empresas — são as empresas que criam riqueza que depois pode ser distribuída por melhores salários — deve continuar. Temos espaço orçamental para isso.

Horta Osório

Vice-presidente do Crédit Commercial de France

Horta Osório elogiou a redução do IRC do Governo e pediu mais. “As políticas do Governo, de reduzir progressivamente o IRC, e portanto pôr mais dinheiro no bolso das empresas — são as empresas que criam riqueza que depois pode ser distribuída por melhores salários — deve continuar. Temos espaço orçamental para isso“.

Durante a sua intervenção, o gestor elogiou o superávite orçamental conseguido pelos últimos governos, considerando que Portugal é um “caso modelo” na União Europeia. Assinalou que o país tem hoje uma taxa de financiamento de 3,07% na dívida pública a 10 anos, 40 pontos base abaixo de França e 1 ponto percentual abaixo dos EUA, apesar de ter piores classificações de rating do que estes países. O que representa uma vantagem para o financiamento da economia.

Os bancos portugueses financiam-se a taxas que são menos 40 pontos base que os bancos franceses e menos 100 pontos do que os americanos. Isso traduz-se em spreads mais baixos para as famílias e empresas”, salientou Horta Osório.

Os bancos portugueses financiam-se a taxas que são menos 40 pontos base que os bancos franceses e menos 100 pontos do que os americanos. Isso traduz-se em spreads mais baixos para as famílias e empresas.

António Horta Osório

Vice-presidente do Crédit Commercial de France

Além da redução da dívida pública em percentagem do PIB, de um máximo de 135% para menos de 90% no final de 2025, o antigo CEO do Santander sublinhou também a redução da dívida das empresas e famílias, levando a que a dívida total da economia portuguesa baixasse 37 pontos percentuais desde 2007, para 226% do PIB, um valor inferior à media de 241% da Zona Euro.

“Portugal não só está a ter um comportamento muito positivo, como a divida privada está num nível muito diferente e confortável para famílias e empresas”, destacou.

(notícia atualizada às 11h38)

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