Kristin.”Parecia Hiroshima. São centenas de milhões de euros de prejuízos”

Presidente da Associação Empresarial de Leiria diz que uma estimativa fina é ainda impossível mas que o cenário para muitas empresas é "devastador" e terá impacto nas nossas exportações.

Luís Febra, CEO do Grupo SOCEM, na conferência Fábrica 2030Hugo Amaral/ECO

“Estava a vir de carro a caminho de Leiria e deu-me vontade de chorar com o que via”. A declaração é de Luís Febra, presidente da Nerlei – Associação Empresarial da Região de Leiria, que admite que a situação continua caótica e as empresas com dificuldades em saber quando podem voltar a laborar.

Luís Febra esteve presente na reunião desta sexta-feira com Castro Almeida, Ministro da Economia, mas revela que não é ainda possível responder ao pedido do governante, que queria saber uma estimativa dos danos na região. “Na minha visão, são certamente centenas de milhões de euros de prejuízos”, afirma ao ECO, mas refere que ainda vai levar algum tempo até se poder fazer uma contabilização efetiva e detalhada. “Não há comunicações estáveis, ainda se está numa fase muito precoce. Mas o que se vê é terrível“.

É Leiria mas não é só Leiria, são muitas áreas, na Marinha Grande também é desolador. Há fábricas que pura e simplesmente desapareceram. Parece Hiroshima, parece que caiu ali uma bomba

Luís Febra

Presidente da Nerlei

O presidente da Nerlei e fundador da SOCEM, que atua na área dos moldes e dos plásticos, estava na Roménia a visitar clientes quando a depressão Kristin se abateu com mais força sobre o centro de Portugal. “Fui sabendo do que se passava pela internet, até porque tentei falar com a minha mulher e com a família e não consegui, não tinham comunicações. Depois quando cheguei e me fui dirigindo ao trabalho, vi que era tudo muito pior do que eu tinha pensado“, revela. “E é Leiria mas não é só Leiria, são muitas áreas, na Marinha Grande também é desolador. Há fábricas que pura e simplesmente desapareceram. Parece Hiroshima, parece que caiu ali uma bomba”, ilustra.

Da reunião com o Ministro da Economia e outros governantes, ficou a garantia do Governo de que está a dar máxima prioridade ao tema, sendo o mais urgente o restabelecimento de fornecimento energético. Jean Barroca, secretário de Estado da Energia, estava presente, e “deixou-nos notas positivas nesse sentido, é fundamental a energia ser restabelecida o mais rapidamente”.

Além dos danos muito fortes nas instalações produtivas da região centro, as perdas não ficam por aí, uma vez que há cadeias de fornecimento que podem ficar postas em causa. “Leiria é um território fortíssimo na exportação, seja exportação direta seja na venda de materiais para outras empresas que depois vendem lá para fora”, explica o empresário. Que alerta: “se não conseguirmos produzir e enviar os nossos materiais para os nossos parceiros, como vai ser? Muita coisa pode parar”.

Quanto aos próximos passos, além da ajuda entre empresas e associações empresariais da região, há que ir apurando os prejuízos para centralizar a informação nas CCDR e nas câmaras municipais, para que estas o possam transmitir ao governo. “As câmaras têm uma amplitude maior do que as associações”, explica Luís Febra, que ainda está a tentar conhecer ao pormenor a situação de todos os associados da Nerlei. Mais uma vez, as comunicações continuam a ser um problema: “mesmo para a reunião com o Senhor Ministro, foi-me pedido para trazer pessoas de associações e de empresas e não consegui ligar a ninguém, tive de ir a casa das pessoas que conheço para lhes dar a informação”, revela.

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