Walmart entra no clube exclusivo das gigantes que valem 1 bilião em bolsa
Desde o arranque do ano, as ações da retalhista liderada por John Furner acumulam ganhos de 12,3%, quase sete vezes mais que o índice norte-americano S&P 500.
A Walmart atingiu esta terça-feira a marca histórica de um bilião de dólares de capitalização bolsista, colocando o gigante do retalho num clube exclusivo que costumava estar reservado aos nomes da tecnologia como a Nvidia, a Alphabet e a Apple.
Para atingir esta marca, a empresa norte-americana fundada há mais de 60 anos em Bentonville, no Estado do Arkansas, transformou-se significativamente.
Deixou de ser apenas a empresa que vendia barato em lojas físicas e passou a integrar inteligência artificial, entregas rápidas, e parcerias com gigantes da tecnologia como o Google e a OpenAI.
Desde o arranque do ano, as ações da retalhista liderada por John Furner acumulam ganhos de 12,3%, quase sete vezes mais que o índice norte-americano S&P 500.
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Do armazém à nuvem
A escalada até ao bilião de dólares ganhou força quando a Walmart decidiu “bater” de frente a Amazon. Nos primeiros anos da década de 2000, a retalhista lutava para expandir o seu negócio digital, mas sob a liderança do anterior CEO Doug McMillon construiu um verdadeiro império online.
Atualmente o site da Walmart vende desde cartas colecionáveis até artigos de luxo em segunda mão, com entregas cada vez mais rápidas. Além disso, as operações não-retalhistas da empresa, nomeadamente a publicidade digital, tornaram-se também motores de crescimento dos lucros.
Os 45 analistas que acompanham a Wallmarte mantêm-se otimistas, com 95% deles a recomendarem a compra dos títulos, mas a atribuírem um preço-alvo para os próximos 12 meses 2,8% abaixo da cotação atual.
No centro do crescimento deste gigante está uma fórmula que passa por conquistar dois públicos aparentemente opostos:
- Por um lado, consumidores de rendimentos mais elevados descobriram a conveniência das entregas rápidas e começaram a comprar na retalhista categorias discricionárias como roupa e mobiliário.
- Por outro, famílias de baixos e médios rendimentos, pressionadas pela inflação persistente e por um mercado de trabalho em arrefecimento, encontram na Walmart os preços mais baixos, sustentados pela escala massiva da empresa e pela sua rede de fornecedores. Mesmo com as incertezas criadas pelas tarifas e pelo recente impasse orçamental nos EUA, a cadeia conseguiu ganhar quota de mercado em todo o espetro de rendimentos.
A entrada no clube dos biliões coloca John Furner, que assumiu o cargo de CEO a 1 de fevereiro, perante o desafio de manter o ritmo de crescimento, numa altura em que a concorrência aperta com a a Amazon, a Aldi e outras cadeias a focarem-se em preços baixos.
Apesar disso, os 45 analistas que acompanham a retalhista mantêm-se otimistas, com 95% deles a recomendarem a compra dos títulos. Apenas dois têm uma recomendação de “manter” e nenhum surge com recomendação de “vender” as ações, segundo dados da Refinitiv.
Contudo, o preço-alvo médio a 12 meses dos analistas para as ações é de 123,05 dólares, 2,8% abaixo da cotação atual, numa altura em que a empresa negoceia a mais de 43 vezes os lucros esperados por ação, perto de um máximo histórico. A apresentação de resultados do quarto trimestre, agendada para 19 de fevereiro, será o próximo teste.
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