Exportações fecharam 2025 a crescer à boleia da Alemanha. Vendas para os EUA caíram 13,4%
As vendas de bens aumentaram 0,5% no último ano, impulsionadas pelo crescimento das exportações para a Alemanha, num ano em que as vendas para os EUA baixaram 13,4%.
As exportações portuguesas de bens registaram um crescimento homólogo de 0,5% em 2025, sustentadas pelo aumento das vendas para a Alemanha, avança o Instituto Nacional de Estatística (INE). Já as exportações para os EUA baixaram 13,4%, num ano marcado pela imposição de tarifas aduaneiras pela administração norte-americana. As importações cresceram a um ritmo superior (3,9%), determinando um agravamento do défice da balança comercial.
“Os primeiros resultados anuais de 2025 apontam para aumentos nas exportações e nas importações de, respetivamente, 0,5% e 3,9% (+2% e +2% em 2024, pela mesma ordem)”, indicam os primeiros resultados do INE relativos ao último ano.
O défice da balança comercial agravou-se em 3.752 milhões de euros, para 32.100 milhões de euros, traduzindo-se numa deterioração da taxa de cobertura de 2,4 p.p., que se fixou em 71,2% em 2025.
As exportações nacionais atingiram 79.312 milhões de euros, em 2025, o que corresponde a um aumento anual de 0,5%, ou 417 milhões de euros.
Em termos de destinos das exportações, o INE indica que o mercado que mais contribuiu para este aumento foi a Alemanha, que se manteve como o 2º principal destino dos bens nacionais, com um peso de 13,9% (+1,7 p.p. face a 2024).

As exportações para a Alemanha aumentaram 14,5%, ou 1.402 milhões de euros, uma subida liderada por fornecimentos industriais que, em grande medida, resultaram de transações sem transferência de propriedade.
Já os EUA registaram uma evolução negativa, com as vendas para o mercado norte-americano a tombarem 13,4% (715 milhões de euros) face a 2024. Um decréscimo que, segundo o INE, foi justificado essencialmente pela quebra dos combustíveis e lubrificantes.
O último ano foi marcado pela imposição de taxas aduaneiras por parte dos EUA. Apesar de Washington e Bruxelas terem chegado a um acordo para a imposição de uma taxa única de 15% sobre as vendas de bens europeus para os EUA, as tensões comerciais marcaram grande parte do ano, com impacto negativo nas exportações para o país.
Espanha, Alemanha e França destino de metade das exportações
A Espanha manteve-se como o principal destino das exportações nacionais em 2025, com um peso de 26%, tendo registado um acréscimo de 0,6% (131 milhões de euros) face ao ano anterior.
Espanha, Alemanha e França mantiveram-se como os principais clientes externos de Portugal em 2025. Juntos absorvem mais de metade das exportações nacionais (51,9%). Já os EUA continuam a ser o principal destino fora da UE (4º na globalidade dos países), com um peso de 5,8% (-0,9 p.p. que em 2024), seguido do Reino Unido, que foi o 5º principal destino, com um peso de 4,5% (-0,1 p.p. face ao ano anterior).
Espanha fornece quase 33% das importações
Em termos de categorias de produtos, os fornecimentos industriais foram a principal categoria exportada em 2025, representando quase um terço do total (33%, ou 26.155 milhões de euros). Seguem-se o material de transporte (peso de 17,4%; 13 808 milhões de euros) e os bens de consumo (17,2%; 13 641 milhões de euros), detalha o INE.
No que diz respeito às importações, estas cresceram 4.169 milhões de euros para 111.412 milhões de euros. O mercado que mais contribuiu para este acréscimo das importações portuguesas foi o espanhol, que se manteve como o principal fornecedor de bens a Portugal, com um peso de
32,9%.
As importações do país vizinho aumentaram 3,9% (+1.389 milhões de euros) em 2025, com acréscimos em quase todas as categorias de produtos, destacando-se os bens de consumo.

“Destaque ainda para o Brasil, tendo as importações com origem neste mercado recuado 27,9% em 2025 (-1.039 milhões de euros), refletindo, essencialmente a diminuição na categoria de combustíveis e lubrificantes, em resultado de reduções nas quantidades transacionadas e também dos preços”, acrescenta o INE.
À semelhança do observado nas exportações, Espanha, Alemanha e França mantiveram-se, em 2025, como os principais fornecedores de bens a Portugal, concentrando, no seu conjunto, 52% das importações nacionais.
Em termos mensais, as exportações e as importações de bens registaram variações homólogas nominais de, respetivamente, -0,7% e -2,7% (-1,5% e -7,2%, pela mesma ordem, em novembro de 2025), em dezembro.
(Notícia atualizada às 12:00)
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