Ministra da Administração Interna demite-se

  • ECO
  • 10 Fevereiro 2026

Presidente da República já aceitou a demissão de Maria Lúcia Amaral. O primeiro-ministro vai assumir "transitoriamente " as competências da pasta da Administração Interna.

A ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, demitiu-se por entender “já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo”, segundo uma nota de Belém. Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido e adiantou que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “assumirá transitoriamente as respetivas competências”.

“O Presidente da República aceitou o pedido de demissão da Ministra das Administração Interna, que entendeu já não ter as condições pessoais e políticas indispensáveis ao exercício do cargo, e que lhe foi proposta pelo Primeiro-Ministro, que assumirá transitoriamente as respetivas competências”, indica a Presidência em comunicado.

“É a prova que o Governo falhou”, reagiu José Luís Carneiro, em declarações aos jornalistas, transmitidas pela RTP, na véspera do debate quinzenal em que o executivo de Luís Montenegro vai responder sobre a resposta ao rasto de destruição, sobretudo na região Centro, deixado pelo comboio de tempestades.

O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil é o primeiro-ministro”, disse ainda o secretário-geral do PS. “O primeiro-ministro deve ter consciência de que não é por substituir a ministra da Administração Interna ou qualquer outra Ministra da Saúde que os problemas se resolvem de per si“, atira.

No debate quinzenal, Carneiro promete “mostrar ao primeiro-ministro que ele não pode alienar as suas próprias responsabilidades”. O Governo, acusa, chegou “tarde e a más horas a uma crise, a uma tempestade”, questionando a lenta reposição dos serviços. “Vamos para 15 dias e não podemos deixar de lamentar que as pessoas continuem sem eletricidade, estejam sem água, estejam sem habitação, estejam sem gerador de corrente”, refere.

O líder do Chega preferiu reagir através da rede X e também apontar a mira à residência de São Bento. “É um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da saúde à administração interna, vai perdendo o controlo do Governo. Quanto mais tempo vai demorar até serem resolvidos os outros ‘erros de casting‘ deste Governo? Portugal merece muito mais!”, escreveu André Ventura.

A presidente da Iniciativa Liberal defendeu entretanto, também na rede social X, que a demissão peca por tardia. “Foram 5 dias que se perderam. O governo deve enfrentar esta pasta com competência, resposta pronta e capacidade de comunicação em situação de crise. As populações estão desesperadas. São necessárias soluções já”, escreveu Mariana Leitão.

 

À esquerda, segundo a TSF, o PCP vê “sem surpresa” a saída de cena de Maria Lúcia Amaral. Paula Santos, líder parlamentar do partido, destacou a “falta de resposta às exigências geradas” pelas tempestades, assim como a “descoordenação” do Governo.

Já o Livre indica que a demissão é uma maneira de Montenegro “se proteger” antes do debate quinzenal. O próximo ministro “deve ser alguém que tenha competência e capacidade técnica e política” em matéria de Proteção Civil, que é “sensível”, defendeu o deputado Paulo Muacho também de declarações citadas pela TSF.

Fabian Figueiredo, deputado do Bloco de Esquerda, considera que a saída “era a única coisa que restava a Maria Lúcia Amaral fazer” até pelo “cadastro” que tinha tido também na gestão dos incêndios.

Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, também disse à rádio TSF que a decisão era “expectável” após a gestão “desastrosa” da reação do Governo às populações desalojadas, sem comunicações ou sem eletricidade devido ao mau tempo. “Ou existe de facto uma visão de Luís Montenegro em que passa a dar prioridade à prevenção” ou então o país estará sempre a correr “atrás dos prejuízos”, indica a responsável.

Maria Lúcia Amaral não chega a completar um ano no cargo e acumulava polémicas desde que tomou posse, primeiro com a coordenação dos incêndios no verão e, agora, com a resposta à devastação causada pela depressão Kristin. A ministra, a primeira baixa do segundo governo de Montenegro, esteve afastada 48 horas do terreno após a passagem do temporal – que já causou 15 mortos – e justificou a ausência com o “muito trabalho que se faz contexto de invisibilidade” no gabinete e junto da Proteção Civil.

A demissão surge no dia em que o almirante Gouveia e Melo apontou, em artigo no Público, “falhas no planeamento, no aviso antecipado, nos alertas claros à população, na comunicação do perigo e no aconselhamento prático do que deveria ser feito”. O candidato a Belém, que não passou à segunda volta, defendeu que o “Estado falhou” e que Maria Lúcia Amaral deveria pedir a exoneração.

A pasta da Administração Interna tem sido difícil de segurar para os nomes escolhidos por Montenegro. No primeiro governo da AD, Margarida Blasco não se demitiu, apesar de muitas controvérsias, mas acabou por não ser reconduzida para a atual equipa que tomou posse em junho de 2025.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Ministra da Administração Interna demite-se

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião