BRANDS' ECOSEGUROS Tempestades: Estaremos preparados para o impensável se tornar comum?

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As alterações climáticas poderão tornar-nos num desses países cujas catástrofes tanto nos chocam. Estaremos preparados para essa nova realidade?

No fim de janeiro e início de fevereiro, seríamos perdoados por pensar momentaneamente que não podíamos estar a viver em Portugal. O Portugal do sol e do bom tempo pelo qual é tão conhecido foi substituído por outro, de ventos a rondar os 200 km/h e dias e dias intermináveis de chuvas intensas. Um Portugal irreconhecível, até para a altura do ano. O país inteiro susteve a respiração durante semanas, rezando pelo melhor, até que o sol finalmente rasgou as nuvens e se fez sentir outra vez, trazendo consigo alívio e esperança, que nem D. Sebastião irrompendo do nevoeiro. E as pessoas respiraram. Aceleradamente, é certo, enquanto as calculadoras dos prejuízos se enchiam de números considerados impensáveis.

Segundo as últimas contabilizações ao dia de elaboração deste artigo, o “comboio” de Tempestades que assolaram Portugal provocaram centenas de milhares de participações de sinistros, e perdas estimadas, para já, em 500 milhões de euros. Estes números irão certamente aumentar ao longo das próximas semanas, à medida que mais pessoas recuperam um mínimo de estabilidade para se começarem a preocupar com reparações definitivas e em lidar com os seguros, e à medida que os peritos conseguem finalmente tempo para se sentarem à secretária e calcularem prejuízos finais. O custo económico subjacente à perda de produtividade de tantas pessoas e empresas, pequenas, médias e grandes, é praticamente incalculável.

Tomás Henriques, Gestor de Sinistros

Os números e as imagens chocam porque nunca foi dito “normal” para nós. Todos já vimos as imagens de destruições semelhantes à passagem de tempestades, nos EUA, nas Caraíbas, no Sudeste Asiático, e demos graças por não vivermos num sítio como esses. E embora saibamos perfeitamente que um furacão não é tão divertido como a música dos Scorpions parece prometer, ainda não conhecíamos verdadeiramente a dor, psicológica e financeira, de lidar com consequências tão severas. É verdade que já passaram outras tempestades no país, mas sempre com trajetórias e danos muito localizados. A escala foi a grande caixa de Pandora que o comboio de tempestades nos abriu. E agora dizem-nos que essa escala se poderá repetir num futuro próximo, podendo até eventualmente tornar-se no nosso novo normal. As alterações climáticas poderão tornar-nos num desses países cujas catástrofes tanto nos chocam. Estaremos preparados para essa nova realidade?

No dia em que escrevo este artigo, a zona de Lisboa foi atingida por dois sismos, relativamente menores, e as reações não se fizeram tardar. Não estamos preparados para um sismo realmente catastrófico, nem para as suas consequências materiais e financeiras, dizem-nos todos os especialistas. E embora a própria definição de catástrofe implique uma impossível ou muito difícil prevenção, qualquer um de nós facilmente reconhecerá que há muito mais que poderíamos estar a fazer para diminuir os riscos a que estamos expostos, tanto a nível da construção de infraestruturas, como da proteção financeira de tais investimentos com os seguros certos e apropriados.

Mas a verdade é que sendo Portugal um país historicamente pouco assolado por verdadeiras catástrofes, especialmente quando comparado com outros países como os mencionados supra, a sociedade portuguesa, no geral, acomodou-se numa certa forma de pensar. Não é necessário construir tendo em conta ventos ou pluviosidade extrema, ou sismos, porque nunca nada acontece. Não é necessário contratar um seguro mais robusto e completo, porque nunca nada acontece. Bastará o mais simples possível e na seguradora em que for mais barato. Muitas vezes não passa de um simples check na to-do list, em vez de ser uma decisão estratégica planeada e desenhada ao pormenor para proteger o património e as suas caraterísticas específicas. Cada vez que um amigo próximo ou familiar necessita de uma ajuda com um potencial sinistro, a minha primeira pergunta é acerca das coberturas do seu seguro, e a resposta é invariavelmente “não sei, tenho de ir ver”. Há muitas pessoas e empresas que nem sequer terão seguro contratado, ou apenas o mais básico possível, e que se verão perante prejuízos irrecuperáveis nestes dias. E refletir sobre este ponto é crucial, porque Portugal tem uma penetração de seguros inferior à de várias economias europeias comparáveis. Porque nunca nada acontece.

Mas alguma coisa, de facto, aconteceu. E acontecerá de novo, garantem-nos. Esta mentalidade ancestral levou um choque duro de realidade perante o impensável, que pode começar a tornar-se previsível. Estamos a assistir com os nossos próprios olhos à transformação do risco em tempo real. E quando o risco muda de natureza, a nossa perceção e gestão do mesmo também tem de acompanhar, e em tempo útil, ou sofreremos as consequências. Será necessária muita reflexão daqui em diante por parte de todas as camadas da sociedade portuguesa, desde as pessoas individuais às grandes empresas, do mercado segurador ao Estado. O seu apoio às pessoas e à economia será essencial nos dias que se avizinham, mas não é suficiente. Será necessário mais investimento, mais recursos, mais legislação mais exigente com a construção e mais planeamento especializado para garantir que uma catástrofe não volta a ter consequências com esta dimensão. E essencialmente, mais vontade de mudar.

O verdadeiro teste virá apenas com a próxima. Estaremos preparados, ou insistiremos em viver debaixo da espada de Dâmocles?

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