Solução IA da Uphill está a ajudar o SNS no atendimento telefónico e nas urgências hospitalares. Este ano quer expandir a novos mercados, diz Eduardo Freire Rodrigues, CEO da UpHill Health, ao ECO.
Começou como uma espécie de personal trainer para os médicos, depois a Uphill começou a chegar diretamente aos pacientes com a aplicação Liber e, desde o ano passado apostaram em duas áreas estratégicas: os serviços de urgência e as linhas de saúde onde colocaram a inteligência artificial ao serviço dos utentes do SNS. Agora, depois de Espanha, está com os olhos postos na expansão. Reino Unido é o mercado na mira já este ano. Mas há mais.
“Lançámos no final de dezembro a Hilly AI — uma solução de IA conversacional que aumenta, em grande escala, a capacidade das equipas e que já está a ser aplicada no processo de triagem clínica telefónica da Linha SNS24 através do operador Meo”, adianta Eduardo Freire Rodrigues, CEO da UpHill Health, ao ECO. “Portugal é agora o primeiro país na Europa com IA na triagem clínica telefónica em escala nacional pois nenhum outro país tem implementada e em utilização uma ferramenta com esta abrangência”, afiança.
E nas urgências hospitalares estão a atuar na “redução do tempo de permanência dos doentes” através da “automatização do processo de avaliação inicial, com redução do número de observações presenciais”. A solução está operacional em Unidades Locais de Saúde como Santa Maria, Coimbra, Lisboa Ocidental, Cova da Beira e Amadora-Sintra.
Em Espanha, acaba de lançar uma plataforma na região autónoma da Cantábria. “A solução da UpHill é já um dispositivo médico certificado na União Europeia com classe IIa, e permite, em cenários de utilização hospitalar, reduzir o tempo de espera nas urgências em 50% e os reinternamentos hospitalares em 35%, com uma abordagem sempre human in the loop“, diz o CEO.
Depois de levantar 15 milhões, face ao crescimento do setor, o cofundador da health tech admite que é “expectável” novidades em termos de uma nova ronda de investimento. E poderá ser “já este ano”.
Foi anunciado em abril passado que lideravam um consórcio de 8 milhões para ligar dados de saúde de três milhões de pessoas na Europa. Havia pilotos previstos em Portugal. Em que ponto está este projeto?
O “i2X – Connecting EU Health Data” é a iniciativa estratégica comunitária da Comissão Europeia para avançar as capacidades de interoperabilidade entre diferentes hospitais e sistemas de saúde (locais, regionais, nacionais e entre países europeus) com vista à real implementação do Espaço Europeu de Dados em Saúde. Ainda no primeiro de quatro anos de duração, este envolve 37 entidades de 12 países da União Europeia — como a Charité, Affidea, Hospital Universitário de Helsínquia. Vamos garantir que os diferentes sistemas de informação utilizados nas instituições de saúde sejam capazes de recolher, armazenar, trocar e interpretar os dados de saúde, utilizando uma linguagem comum — permitindo cuidados de saúde verdadeiramente integrados e contínuos.
Os primeiros exemplos em Portugal estão planeados para este ano, tanto na ULS de Coimbra e no Serviço de Saúde da Região Autónoma da Madeira (SESARAM) com os seus parceiros tecnológicos e entidades internacionais.
Quando lançaram a Liber, no final de 2023, tinham 20 empresas, sobretudo, no setor tech no piloto. Como tem evoluído este projeto?
O número de utentes na plataforma UpHill Health teve um crescimento de mais de 10 vezes face a 2024. Este crescimento deve-se sobretudo ao sucesso da solução — tanto no setor hospitalar, como empresarial (Liber) —, adoção médica e confiança renovada dos nossos clientes. O Liber traz ao mercado uma democratização no acesso a cuidados de saúde com respostas extremamente rápidas (<5min) para os utilizadores individuais e empresariais.
Estamos a investir significativamente, tanto em desenvolvimento de produto, como em segmentos de mercado extra-hospitalares, para garantir que o número de pessoas que beneficia da UpHill Health continua a crescer e que o nosso impacto chega ao maior número de pessoas.
Há muitos hospitais estrangeiros que nos contactam porque souberam do impacto real que tivemos em vários serviços hospitalares em Portugal e Espanha. Aproximam-se de nós porque perceberam que a nossa abordagem é diferente dos fornecedores que fazem PowerPoint belíssimos, mas cujas soluções nunca viram a luz do dia. Por isso, é facto que a tração internacional continua com um crescimento superior às nossas expectativas, tanto na Península Ibérica como no resto da UE e Reino Unido.
Havia igualmente um horizonte “agressivo de internacionalização”: em dois anos, queriam que o mercado externo representasse 40% no volume de negócios e duplicar a equipa para 60 pessoas já em 2024. Qual o balanço até ao momento?
O balanço é muito positivo e supera os objetivos inicialmente definidos. A UpHill Health conta com uma equipa de 73 pessoas, refletindo um crescimento acentuado nas equipas core de produto e engenharia, para investigação e desenvolvimento no nosso centro em Lisboa. Este crescimento foi acompanhado por uma forte internacionalização da equipa, com reforço de know-how altamente especializado em inteligência artificial e interoperabilidade aplicada ao setor da saúde, uma área estratégica para a empresa.
Ao nível da internacionalização do negócio atingimos os nossos objetivos comerciais. Hoje, estamos a operar em Espanha nos três dos maiores hospitais das regiões de Madrid e da Catalunha e na totalidade da região da Cantábria, com parceiros que incluem, por exemplo, a AWS e a T-Systems (divisão da Deutsche Telekom).
A UpHill Health conta com uma equipa de 73 pessoas, refletindo um crescimento acentuado nas equipas core de produto e engenharia, para investigação e desenvolvimento no nosso centro em Lisboa. Este crescimento foi acompanhado por uma forte internacionalização da equipa, com reforço de know-how altamente especializado em inteligência artificial e interoperabilidade aplicada ao setor da saúde, uma área estratégica para a empresa.
Há muitos hospitais estrangeiros que nos contactam porque souberam do impacto real que tivemos em vários serviços hospitalares em Portugal e Espanha. Aproximam-se de nós porque perceberam que a nossa abordagem é diferente dos fornecedores que fazem PowerPoint belíssimos, mas cujas soluções nunca viram a luz do dia. Por isso, é facto que a tração internacional continua com um crescimento superior às nossas expectativas, tanto na Península Ibérica como no resto da UE e Reino Unido.
Há planos de entrada em novos mercados?
Estamos focados em Espanha. Depois queremos continuar a avançar para a entrada no Reino Unido em 2026. Numa fase seguinte, está prevista a entrada em mercados europeus relevantes, como Itália e Alemanha, reforçando a presença da UpHill Health na Europa. Estamos a contribuir para que a economia portuguesa possa exportar tecnologia e know-how no setor da saúde, que está verdadeiramente necessitado de soluções de automatização com escala.
Como planeiam a entrada no Reino Unido? Querem abrir filial ou a estratégia é outra?
A nossa abordagem a novos mercados rege-se estrategicamente pela geografia-alvo, por venda direta de serviços a hospitais e sistemas de saúde, e por parcerias e consórcios de implementação. A atividade central da empresa, o desenvolvimento tecnológico, mantém-se em Lisboa apoiado por equipas e aconselhamento local especializado para o desenvolvimento de negócio e implementação de projetos.
A nossa abordagem ao Reino Unido, considerando as semelhanças entre os dois sistemas nacionais de saúde, está em linha com a nossa operação em Portugal, visando sobretudo o aumento de capacidade dos serviços de urgência que enfrentam hoje uma procura crescente.
Estamos focados em Espanha. Depois queremos continuar a avançar para a entrada no Reino Unido em 2026. Numa fase seguinte, está prevista a entrada em mercados europeus relevantes, como Itália e Alemanha, reforçando a presença da UpHill Health na Europa.
Isso vai implicar algum aumento de capital, via ronda de investimento?
Somos uma empresa financeiramente sustentável com mais de 15 milhões de euros levantados em rondas de financiamento nos últimos anos por investidores de topo, tanto internacionais — Redstone, a Brighteye Ventures e MSM —, como nacionais — a Caixa Capital, a Luz Saúde, Explorer e Oxy Capital. Mensalmente recebemos novas ofertas de investimento pois não existem outras soluções a entregar automatização que funcione na linha da frente dos hospitais e os investidores já perceberam que esta oportunidade é gigante e global. Por isso, é certamente expectável que haja novidades em termos de uma nova ronda de investimento já este ano, com o setor de healthtech e a nossa tração comercial a crescer tão rapidamente.
Como tem evoluído o negócio ao nível de faturação? Quais as estimativas para este ano?
A expectativa é manter um crescimento exponencial e sustentado este ano com o negócio a registar uma evolução consistente, e com um elevado nível de ambição. Em 2025 duplicámos a faturação face a 2024, sendo que 2024 já tinha duplicado em relação a 2023. Em Portugal, estamos agora presentes em mais de 50% do setor público, e com o prestador privado de referência Luz Saúde.
É certamente expectável que haja novidades em termos de uma nova ronda de investimento já este ano, com o setor de healthtech e a nossa tração comercial a crescer tão rapidamente.
Ao nível dos serviços, as soluções ligadas à orquestração de processos clínicos e à utilização de inteligência artificial em cuidados de saúde são a principal aposta e motor de crescimento, sobretudo nos mercados internacionais, onde se antecipa uma aceleração significativa. Os contextos hospitalares onde a solução é utilizada são variados, mas temos sentido muito procura — por necessidade — dos serviços de urgência e linhas de atendimento.
Há lançamento previsto de novos serviços?
Pelo que disse, em 2025 apostámos em duas áreas estratégicas, de extrema importância para os sistemas de saúde sob pressão, nomeadamente os serviços de urgência e as linhas de saúde, ou seja, centros de contacto como o SNS24.
Relativamente às Linhas de Saúde, lançámos no final de dezembro a Hilly AI — uma solução de IA conversacional que aumenta, em grande escala, a capacidade das equipas e que já está a ser aplicada no processo de triagem clínica telefónica da Linha SNS24 através do operador Meo. Esta tecnologia combina algoritmos de decisão clínica — explicáveis e reprodutíveis, garantindo uma triagem segura e consistente — com capacidades de IA conversacional, que promovem uma elevada adesão por parte dos utentes.
Este é um passo pioneiro a nível europeu — Portugal é agora o primeiro país na Europa com IA na triagem clínica telefónica em escala nacional pois nenhum outro país tem implementada e em utilização uma ferramenta com esta abrangência — e absolutamente decisivo na transformação dos centros de contacto de saúde, como o SNS24, suportando exigências de uma procura crescente e dando respostas atempadas aos cidadãos que procuram cuidados de saúde.
Relativamente às Urgências, atuamos na redução do tempo de permanência dos doentes na Urgência através da automatização do processo de avaliação inicial, com redução do número de observações presenciais. Adicionamos à informação da triagem uma avaliação clínica mais abrangente, recolhida de forma automática junto do utente e obtida pelos sistemas de informação dos hospitais. Depois, entregamos esta informação ao médico ou enfermeiro de forma estruturada para que possam tomar decisões mais rápido e com segurança clínica.
Esta solução está operacional em Unidades Locais de Saúde como Santa Maria, Coimbra, Lisboa Ocidental, Cova da Beira e Amadora-Sintra, com resultados muito promissores, destacando-se a redução de quase uma hora no tempo de permanência dos utentes no Serviço de Urgência.
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“Queremos avançar com a Uphill para a entrada no Reino Unido em 2026”
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