“Sem fortes políticas públicas de desenvolvimento de competências digitais, corremos o risco de aprofundar desigualdades sociais”, diz Luísa Ribeiro Lopes

Tecnologia criar novas oportunidades a um ritmo acelerado. O desafio que o país tem pela frente é assegurar que ninguém fica para trás, diz Luísa Ribeiro Lopes, coordenadora-geral do InCoDe.2030.

O movimento da transformação digital deve ser transversal à sociedade portuguesa, oferecendo as mesmas oportunidades a todos. O grande desafio é “dotar todas e todos de competências digitais que permitam aceder em pleno ao exercício da cidadania”, considera Luísa Ribeiro Lopes, coordenadora-geral do InCoDe.2030.

Para garantir que a tecnologia cria mais oportunidades do que propriamente desigualdades, a líder salienta a importância de “fortes políticas públicas de desenvolvimento de competência digitais”.

À Pessoas, a coordenadora-geral da Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 diz que, sem políticas fortes, “corremos o risco de aprofundar as desigualdades sociais já existentes”. “As competências digitais devem ser para todos e todas e de forma a assegurar que ninguém fica para trás no acesso às tecnologias.”

Qual o grande desafio que Portugal tem pela frente neste momento no que toca à transição digital?

O principal desafio nesta fase em que a transformação digital está em modo acelerado, é não deixar ninguém para trás. Dotar todas e todos de competências digitais que permitam aceder em pleno ao exercício da cidadania. Desde a educação, passando pela qualificação e requalificação dos profissionais da administração pública e do setor privado, até à qualificação avançada e inovação, este é um movimento de inclusão transversal à sociedade portuguesa.

Por último, a questão da igualdade e inclusão de género é um desafio transversal a todas as áreas, e temos hoje a oportunidade única de a incluir em todos os programas de transição digital.

De que forma é que se minimizam as desigualdades evidenciadas no processo de transformação digital?

A tecnologia já demonstrou ser um acelerador e, por isso, não podemos desperdiçar esta oportunidade de colocar a igualdade e a inclusão na agenda digital, criando condições para que todas e todos possam acompanhar esta transformação à mesma velocidade e com as mesmas oportunidades.

Sem fortes políticas públicas de desenvolvimento de competências digitais, corremos o risco de aprofundar as desigualdades sociais já existentes antes deste processo acelerado de transformação digital. As competências digitais devem ser para todos e todas e de forma a assegurar que ninguém fica para trás no acesso às tecnologias.

Tendo em conta que áreas profissionais que hoje conhecemos vão desaparecer (e outras novas aparecer), durante os próximos anos, a requalificação e reconversão profissional assume um papel de extrema relevância?

De facto, a própria tecnologia está a criar novas áreas profissionais com destaque para a cibersegurança, dados, inteligência artificial, blockchain, computação avançada, entre outras, o que implica uma aposta na qualificação avançada e na requalificação do mercado de trabalho. É este um dos eixos do INCoDe.2030, que envolve ações muito concretas de atração de novos talentos, tão necessários às empresas e à Administração Pública, e também a requalificação dos atuais profissionais, garantindo que contamos com todos neste processo de transformação digital.

Como é que, na prática, se capacitam as pessoas, se transformam as empresas e se moderniza o Estado?

Para podermos colocar Portugal ao nível dos países europeus mais avançados no digital, é fundamental trabalhar todas as dimensões, por isso, o Plano de Ação para a Transição Digital foca-se em trabalhar os três pilares da transformação: as pessoas, as empresas e a Administração Pública. São vários os projetos em desenvolvimento. O “Eu Sou Digital” visa dotar de competências digitais básicas um milhão de excluídos digitais, o “UpSkill” garante a requalificação e colocação no mercado de trabalho de profissionais, e o “Engenheiras por um dia” visa trazer para as áreas TIC raparigas e mulheres.

Todos estes projetos só serão efetivos se criarmos um ecossistema que junte empresas, Administração Pública e terceiro setor em torno da promoção do digital quer nos processos de negócio, quer na capacitação das pessoas enquanto cidadãos e também enquanto profissionais, empresários, empreendedores e inovadores.

Falou da questão da igualdade e inclusão de género… O que é preciso ainda fazer para que mais mulheres se interessem e iniciem carreiras no mundo tech?

É importante transversalizar a questão da igualdade de género, combater os estereótipos e desconstruir o preconceito de que a áreas das TIC são maioritariamente masculinas, de forma a aumentar a participação das mulheres nestas áreas. Para isso, é fundamental que as empresas tenham um papel ativo, apostem em políticas de igualdade de género em toda a linha (contratação, garantia de programas de capacitação tecnológica, igualdade salarial e acesso a cargos de liderança).

Necessitamos urgentemente de role models e processos de mentoria como forma de inspiração, e de empoderar as mulheres como via mais rápida para se garantir uma transição digital e ambiental mais sustentável. Este empoderamento traz liberdade de escolha e quando a vida oferece mais opções às mulheres elas fazem opções mais sustentáveis.

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