A sustentabilidade atrai e retém talento? O coração (também) é verdepremium

A cor verde deixou de descrever apenas o ambiente natural, saudável e sustentável: é tom de atração e de retenção de talento que quer, cada vez mais, ter menos mas melhor impacto no mundo.

Mudar o mundo. Aproveitar o tempo. Equilibrar a agenda. Viver com propósito. Cada vez mais pessoas procuram trabalhar em prol de uma missão comum à da sua própria vida. E se as preocupações ambientais eram para as empresas, há alguns anos, a bandeira de um propósito partilhado, agora as duas dimensões estão cada vez mais misturadas e a linha que separa a pessoa e o trabalho é cada vez mais ténue.

A sede do Lidl é um desses exemplos. No edifício não existem caixotes do lixo individuais – estes objetos encontram-se apenas nas copas e nos corredores, com a devida separação de embalagens – e isso resulta numa menor produção de resíduos. Esta é apenas uma das medidas implementadas na empresa, que acompanha a disponibilização de dispensadores de água, que promove a redução da utilização de garrafas de água de plástico. Ou, desde o princípio deste ano, o fornecimento de energia com recurso a fontes 100% renováveis em todos os edifícios da empresa, desde lojas, entrepostos e sede, que já valeu à cadeia de distribuição o certificado “Energia Verde – Classe A”, da AENOR. Ou ainda a instalação, até fevereiro de 2021, de 41 postos de mobilidade sustentável, unindo o país de norte a sul, estrategicamente localizados para garantir a autonomia necessária entre todos.

É que, mais do que uma “prioridade”, a sustentabilidade faz parte do ADN da empresa e, por isso, “é transversal a toda a cadeia de valor, com vantagens para o ambiente, para o negócio e para as pessoas”, assinala Maria Román, diretora geral de recursos humanos do Lidl Portugal. Por isso, não são de estranhar as várias certificações ambientais e sociais, tais como Fairtrade, UTZ, MSC ou Rainforest Alliance, das principais preocupações do nosso sortido nos produtos de marca própria.

Foi já há quase três décadas, na Cimeira da Terra das Nações Unidas, que decorreu no Rio de Janeiro, em 1992, que as empresas de todo o mundo foram desafiadas a contribuírem de forma mais séria e relevante em prol da sustentabilidade do modelo de desenvolvimento da humanidade. Para a ONU, o desafio da sustentabilidade passou a ser encarado demasiado amplo para estar apenas entregue aos estados e a outras organizações da sociedade civil. Assim, esse encontro marcou uma mudança de paradigma, defende João Wengorovius Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal.

“Além do critério económico, as empresas passaram a ser avaliadas à luz de três outros critérios: o ambiental, o social e o da ética do governance. Ou seja, desde então não basta serem bem-sucedidas a resolver os problemas dos seus clientes e a gerar riqueza para os seus acionistas, é necessário que sejam também capazes de gerar valor social e ambiental para as diversas partes interessadas. Naturalmente, esse valor não é monetizável nem apropriável pelos acionistas – é, por definição, partilhado com os diversos stakeholders e as gerações futuras”, explica o responsável.

Passo a passo, mudar o mundo

Em fevereiro deste ano, a bp anunciou que quer tornar-se numa empresa com zero emissões líquidas de carbono até 2050. E ajudar o mundo a atingir o mesmo objetivo. O objetivo implica uma mudança estrutural na empresa, explica Anabela Silva, diretora de marketing e comunicação externa da bp Portugal. “Lançámos uma nova estratégia, a nível global, que visa reformular os nossos negócios dentro da próxima década, à medida que passamos de uma empresa internacional de petróleo focada na produção de recursos para uma empresa integrada de energia focada no fornecimento de soluções para os clientes”. Dentro de nove anos, acrescenta, a bp quer ser “uma empresa de energia diferente”. À medida que aumentamos o investimento em baixo carbono, reduziremos a nossa produção de petróleo e gás em cerca de 40%, avançando de modo concreto na redução de emissões. A nossa nova estratégia inicia uma década com passos muito concretos no sentido de suportar a nossa nova ambição”, assinala.

Para Anabela Silva, a preocupação com a sustentabilidade não é apenas uma preocupação interna da bp mas um reflexo das preocupações individuais, sobretudo das novas gerações. “As pessoas estão cada vez mais atentas a todas as questões que dizem respeito ao ambiente e à sustentabilidade no geral, em particular as gerações mais jovens, os millennials e geração Z. Estas gerações, que integram ou integrarão o mercado de trabalho do futuro, querem fazer parte de empresas com propósito, que tenham em consideração a importância do seu impacto na sociedade e que procurem minimizar os danos causados, tanto quanto o valor entregue aos acionistas”, assegura a diretora de marketing e comunicação externa da bp Portugal.

Em 2018 e, em prol destas preocupações, o Lidl decidiu também reduzir o consumo de plástico em pelo menos 20% das marcas próprias vendidas nos seus supermercados. A cadeia alemã de distribuição quer, até 25%, garantir que 100% das embalagens de marca própria serão recicláveis.

“Acreditamos que as práticas de sustentabilidade se assumem como um novo requisito do século XXI. Para a geração millennial, tão ou mais importante do que a progredir na carreira ou ter uma evolução de salário, é estar numa empresa que dê flexibilidade aos colaboradores para manter o seu estilo de vida e que tenha valores éticos e se preocupe com a sociedade”, assinala Maria Román, diretora de recursos humanos do Lidl Portugal, citando o estudo “Deloitte Millennial Survey 2019”.

“Saber o quão sustentável e amiga do ambiente uma empresa pode ser é atualmente uma das prioridades dos trabalhadores que, citando o estudo, ‘mostram uma lealdade mais profunda aos empregadores que abordam questões como a proteção do meio ambiente.’ Ora, a aposta na sustentabilidade sempre fez parte do nosso ADN, e cada vez mais o Lidl Portugal tem vindo a implementar políticas nesse sentido, pelo que acreditamos que estamos no bom caminho”, explica.

Para a geração millennial, tão ou mais importante do que a progredir na carreira ou ter uma evolução de salário, é estar numa empresa que dê flexibilidade aos colaboradores para manter o seu estilo de vida e que tenha valores éticos e se preocupe com a sociedade.

Maria Román

Diretora de recursos humanos do Lidl Portugal

“Para a bp o mais importante no que à sustentabilidade diz respeito é que toda a organização trabalhe nesse sentido. Mais relevante do que as iniciativas verdes são as verdadeiras mudanças feitas a nível dos negócios e do impacto na sociedade, que é precisamente o que a bp tem vindo a fazer desde o lançamento da sua ambição”, assinala Anabela Silva, diretora de marketing e comunicação externa da bp Portugal.

Parte da estratégia da EDP, o desenvolvimento sustentável passou do papel à ação em 2004, quando da divulgação dos Princípios de Desenvolvimento Sustentável do grupo. Com o documento, “assumimos o compromisso perante todos os que se interessam pelas nossas atividades e iniciativas em torno dessas linhas de orientação”, assinala fonte oficial da empresa.

“Seguimos esse caminho, porque queremos distinguir-nos pelos valores éticos e de transparência, pelo respeito pela diversidade e pelas boas práticas laborais, e também pela preocupação com a comunidade e o ambiente e para influenciar positivamente a visão que os stakeholders têm da nossa empresa. Esta é uma estratégia que nos coloca em vantagem para responder aos desafios do futuro e liderar a transição energética”, assinala a mesma fonte.

A forma como a marca se comunica e posiciona – “humana, inovadora e sustentável” – tem funcionado, para a EDP, como um “fator-chave de atração mas também de retenção de talento”. “Em 2019, só através do nosso programa de trainees, tivemos mais de 5.000 candidatos de 87 nacionalidades. Para uma empresa de matriz portuguesa, ter esta procura de candidatos internacionais é um ótimo resultado. Hoje os candidatos procuram-nos pelo nosso posicionamento no setor da energia renovável, pelo nosso propósito e impacto positivo que geramos no ambiente e na sociedade”, assinala fonte oficial da elétrica nacional.

“A abordagem à sustentabilidade é feita hoje de forma transversal, por isso, podemos dizer que a maioria dos nossos colaboradores está direta ou indiretamente envolvido em alguma atividade ou iniciativa de âmbito sustentável. Seja na área financeira – através da emissão de green bonds –, seja na área de pessoas – pela dinamização e coordenação do programa de voluntariado corporativo –, trabalhamos com a perspetiva de que tudo o que fazemos tem, direta ou indiretamente, de contribuir para a sustentabilidade do nosso negócio”.

“A retenção e atração de talento, a boa integração das gerações mais jovens e a gestão do seu potencial – o que inclui a gestão da sua forma de lidar com o mundo e com o mercado laboral –, são hoje críticas para qualquer empresa que aspire a liderar e fazer a diferença”, assinala Teresa Abecasis, diretora de Pessoas da Galp.

“As gerações mais novas tendem a escolher a empresa onde vão trabalhar, se acreditarem que a mesma tem um propósito de melhoria da sociedade e do mundo em geral e têm uma maior recetividade a empregadores cujas mensagens se identifiquem com os seus valores: inovação, sustentabilidade, transparência, meritocracia… Acreditamos que é também por isso que praticamente 30% dos colaboradores do universo total de empresas do grupo Galp são já da geração Millenial”.

Walk the talk

Construída em pilares assentes em iniciativas de sustentabilidade organizacional, sendo a ecológica a base da actividade, a ideia de negócio da Too Good to Go, em Portugal desde 2019, gira em torno da redução do desperdício alimentar por forma a reduzir as emissões de CO2. Para Madalena Rugeroni, country manager da startup holandesa para o mercado nacional, essa é a “iniciativa ecológica mais óbvia” da empresa.

“Tudo o resto gira em torno desta motivação – desde iniciativas mais macro como é o caso das parcerias que já estamos a estabelecer um pouco por toda a Europa, para sensibilizar e educar o consumidor com campanhas de date labeling, que consistem na educação e explicação dos vários tipos de rótulos alimentar e prazos de validade, às mais pontuais e dedicadas, como as sugestões de receitas zero waste e outras dicas e informação útil que sugerimos regularmente aos nossos utilizadores através de informação direcionada ou conteúdos diversos nas nossas redes sociais”, enumera.

“Quando falamos dos nossos pilares estamos a falar de algo que é obviamente também muito trabalhado e aplicado internamente. A mesma procura pela melhor solução, pela melhor prática e a proximidade e partilha constante e ativa entre equipas – nacional e global – é, não apenas um fator diferenciador para os nossos parceiros, mas um formato de negócio contemporâneo, que nos permite evoluir e adaptarmo-nos com muita facilidade”, detalha a country manager da Too Good to Go para o mercado português.

Com uma comunidade de mais de 240.000 utilizadores e 763 parceiros, desde restauração até grandes grupos da indústria alimentar como Auchan, Intermarché, Meu Super, Nestlé e Danone, a Too Good to Go procura “parcerias fora do comum e que sejam sustentáveis no longo prazo”. “Mesmo que tenhamos que ser criativos saindo do pró-forma de uma parceria mais normal”, assegura Madalena Rugeroni.

“Sendo a Too Good To Go um “business of purpose” ou seja, uma empresa que em essência e por definição, assenta na sustentabilidade organizacional, temos em consideração o equilíbrio entre – pessoas, ambiente e alimentação. Esses pilares são a base da nossa estratégia assim como a capacidade de gerir uma atividade e de criar valor a longo prazo, ao mesmo tempo que criamos benefícios sociais e ambientais para os nossos stakeholders”, começa por explicar Madalena Rugeroni, country manager da Too Good to Go Portugal.

“É crucial também que todos os nossos parceiros estejam conscientes desta abordagem – e estão – e que também eles assumam o compromisso e se dediquem a ele, de forma activa. Diversidade é também algo que procuramos nas nossas parcerias, mostrar que o problema do desperdício alimentar é transversal a vários negócios da área alimentar: sejam eles restaurantes, pastelarias, supermercados, hotéis, grossistas ou produtores”.

Por isso, acrescenta, “existe e persiste” na empresa uma “cultura orgânica e voluntária do feedback, do conhecimento, das experiências”. “Formações, brainstormings, reuniões, sessões de esclarecimento” e outras iniciativas internas aplicadas diariamente são uma forma de dar o corpo ao manifesto. Mas dão trabalho. Neste caso, implicam um envolvimento de todas as nossas equipas locais (em Portugal, 28 pessoas e, a nível global e, em 15 de países, mais de 900 colaboradores). “Somos uma estrutura verdadeiramente horizontal, temos tanta facilidade em falar com um estagiário como com a CEO da empresa mãe. Isso permite-nos crescimento individual e coletivo, e facilita a retenção de talento. Mas, como é óbvio também faz com que sejamos muito atentos e exigentes no nosso processo de recrutamento”, assinala Madalena Rugeroni.

João Wengorovius Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal, observa uma preferência crescente nas gerações mais novas por ambientes de trabalho com propósito. “Como o elemento mais importante e distintivo para a competitividade de qualquer empresa é o seu capital humano, estas têm vindo a adotar a sustentabilidade como fator chave na atração e retenção de talento. A motivação para abordar e permanecer nas empresas irá depender, cada vez mais, da sua capacidade para assegurar este tipo de ‘benefícios’ aos seus colaboradores, ou seja, a possibilidade de, através do seu trabalho, contribuírem para o futuro do planeta e da humanidade – algo que, no passado, era um privilégio de professores, artistas, médicos e sacerdotes”.

“A humanização deve ser o core de qualquer negócio. É também ela que nos permite aplicar uma cultura de olhar para os problemas como oportunidades, que permite que as pessoas sejam estimuladas a serem criativas, responsáveis e que tragam novos recursos para cima da mesa. Quando damos espaço e ferramentas para que as pessoas sejam responsáveis e responsabilizadas permitimos que elas tragam o melhor de si como profissionais e, consequentemente, isso motiva-as e dá-lhes mais segurança. Assim conseguimos chegar, mais facilmente, ao excepcional em vez de nos resguardarmos na segurança do expectável”, sublinha Madalena Rugeroni, country manager da Too Good to Go para o mercado nacional.

Também no Super Bock Group existe a preocupação de alterar o que se faz todos os dias, em prol de um bem maior, há pelo menos mais de uma década. “Boas práticas na redução dos consumos de água, fomentar o uso de car sharing, separação interna de resíduos, aproveitamento de subprodutos (álcool gel para hospitais, dreche de cerveja para alimentação do gado) são apenas alguns dos exemplos”, conta à Pessoas Miguel Araújo. Para o diretor de comunicação e relações institucionais do grupo, estas práticas “permitem reduzir o impacte ambiental em diferentes domínios, seja ao nível do consumo de recursos, seja fomentando mais a economia circular, ou seja, através da dinamização de uma conduta e cultura de boas práticas ambientais e respeito pelo meio ambiente”.

o Lidl tenta “envolver” os trabalhadores, de forma transversal, nas preocupações e valores da empresa. Por isso, é frequente serem abordados com “inquéritos internos de sustentabilidade, questionários de verificação de conhecimentos ou até voluntariado interno”, por exemplo. “Não temos dúvidas de que são impactados pela sensibilização para práticas mais sustentáveis, pelo seu forte envolvimento e aceitação das iniciativas da empresa e pela redução significativa de resíduos pela empresa”, assinala a diretora geral de recursos humanos, Maria Román.

Por considerar a sustentabilidade parte essencial da estratégia da empresa, a Galp decidiu alocar entre 10 a 15% do investimento do grupo nos próximos anos para as energias renováveis e para captar oportunidades de novos negócios que possam ser ampliados. “O ‘walk the talk’ é um princípio muito enraizado na cultura da empresa e transmite-nos em permanência a convicção de que seremos capazes de atingir os objetivos a que nos propomos em cada momento. Dentro de dois anos, por exemplo, estaremos preparados para consumir eletricidade 100% de origem renovável nas nossas operações, reduzindo as nossas emissões de gases com efeito de estufa decorrentes da compra de eletricidade para quase zero. Este é um dos muitos passos que iremos dar enquanto empresa”, assinala a diretora de pessoas da energética, Teresa Abecasis.

Digitalização acelera sustentabilidade

Os números foram apurados pelos próprios CTT: a trabalhar temas da sustentabilidade “de forma ativa” há mais de década e meia, a empresa conseguiu, entre 2013 e 2019, reduzir em 27,5% a sua pegada carbónica, melhorando a eficiência energética.

“A estratégia de sustentabilidade dos CTT está atualmente alinhada com a ambição de limitar o aquecimento global a 1,5ºC até 2030 e também com os interesses e prioridades das nossas partes interessadas em matérias responsabilidade social e ambiental, como a preservação ambiental, a proteção da biodiversidade e da floresta nacional e o apoio ao desenvolvimento de populações carenciadas, no sentido de melhorar ainda mais o nosso desempenho”, assinala Miguel Salema Garção, diretor de comunicação e sustentabilidade dos CTT. Mas essa atitude é, acrescenta, colocada em prática todos os dias: além das iniciativas, pratica-se o envolvimento e a maior proximidade entre as partes interessadas.

Seja na área financeira – através da emissão de green bonds –, seja na área de pessoas – pela dinamização e coordenação do programa de voluntariado corporativo –, trabalhamos com a perspetiva de que tudo o que fazemos tem, direta ou indiretamente, de contribuir para a sustentabilidade do nosso negócio.

Fonte oficial da EDP

A redução do uso de materiais como o papel tem sido outra das preocupações em empresas como o Lidl. “Os colaboradores são incentivados a um desempenho digital das suas funções, com recurso mínimo a ações como impressão nesta matéria. Paralelamente, destaca-se o projeto Lidl Goes Digital, que consiste na digitalização dos processos da empresa caminhando para um futuro cada vez mais paperless”, assinala a diretora geral de recursos humanos.

Ao longo dos anos, também a Galp considerou a sustentabilidade como “uma marca de água no desenvolvimento das operações, do portefólio e da estratégia da empresa”. Foi também por isso que, desde o primeiro momento, a empresa decidiu “abraçar” os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas “para um modelo global de sociedade sustentável, que cruza a prosperidade e o bem-estar geral com a proteção do ambiente”. Os resultados dos esforços foram validados por entidades internacionais. “A Galp é a empresa mais sustentável da Europa no seu setor e a terceira melhor a nível mundial, de acordo com os critérios do Dow Jones Sustainability Indices (DJSI) de 2019, tendo atingindo nesse ano a melhor pontuação dos oito anos de presença constante nos índices, e liderando na dimensão Ambiente (…) e foi também considerada líder a nível global em sustentabilidade corporativa, tendo sido classificada na ‘A’ List do Clima e da Água pelo CDP”, dá como exemplo Teresa Abecasis, diretora de pessoas da Galp.

“Este tipo de reconhecimentos reflete o compromisso da empresa em criar valor partilhado para todos os seus stakeholders, implementando as melhores práticas nas dimensões ambiental, social e de governo corporativo”, assinala. No entanto, esse reconhecimento traz outros desafios. “Estamos empenhados em ser parte da solução e em contribuir ativamente para as ambições de Portugal e da Europa para se alcançar a neutralidade carbónica em 2050. É um caminho exigente para todos e onde precisamos de garantir que a transição energética ocorre de forma ambientalmente adequada, socialmente justa e economicamente equilibrada”.

Sustentabilidade é cuidar dos outros

O envolvimento em projetos de responsabilidade social, como é o caso do TransforMAR, o projeto de recolha de resíduos plásticos nas praias nacionais, que o ano passado estendeu a sua intervenção à sede, escritórios e entrepostos, é outra prova do cuidado do Lidl com o mundo. “O plástico recolhido contribuiu para o valor final – 2,6 toneladas – que foi transformado em mobiliário urbano, em prol das comunidades”, assinala Maria Román. Mas há mais: o Realimenta, projeto de combate à fome e ao desperdício alimentar, faz entregas diárias nos núcleos da Refood e já apoiou mais de 3.000 famílias.

Miguel Salema Garção conta que, também os CTT têm um programa de voluntariado de continuidade, em parceria com a instituição EPIS, que apoia jovens em risco de insucesso escolar da escola EB 2/3 Pedro D’Orey da Cunha, na Amadora. “Cada jovem é acompanhado por um mentor CTT que o apoia ao longo do ano escolar e recebe explicações por parte de voluntários CTT, melhorando as hipóteses de sucesso destes alunos (…) Tem permitido reduzir o absentismo e o abandono escolar e alguns destes jovens já ingressaram no ensino profissional”, explica. A parceria conta com três edições e conta com a participação de uma bolsa de voluntários com cerca de 600 trabalhadores (60% mulheres e 40% de homens). “Os participantes incluem dirigentes, quadros superiores e operacionais, com faixas etárias dos 20 aos 60 anos, aproximadamente”, detalha Miguel Salema Garção.

Já na EDP, o Programa de Voluntariado “tem atraído um número crescente de participantes”; o número chegou, em 2019, a uma adesão de 24% do total de colaboradores da EDP. “Temos dado prioridade ao voluntariado de competências e assim contribuímos ativamente para o desenvolvimento e para a transformação das comunidades nos vários países onde estamos presentes”, explica fonte oficial da empresa à Pessoas.

Outra exemplo é o da Galp, que faz do voluntariado em diferentes áreas geográficas uma prática bastante comum. “Em 2019, só na área da educação e energia foram feitas mais de 2.700 horas de voluntariado. Acreditamos que é fundamental dar às nossas equipas a oportunidade de participar em iniciativas alinhadas com os eixos estratégicos de investimento na comunidade da empresa e da sua Fundação, como a Energia e a Educação, em Portugal, em Espanha, no Brasil, em Moçambique, na Guiné-Bissau e em eSwatini”, dá como exemplo Teresa Abecasis.

Fazer do propósito o dia-a-dia da empresa é trabalho de grandes e de pequenos passos “seja numa simples mensagem de Instagram onde ensinamos ou damos dicas para uma redução de desperdício em casa, ou no desenvolvimento do projecto mais ambicioso que envolve players internacionais e nacionais da esfera política ou empresarial de peso”, assinala Madalena Rugeroni.

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