Apostas online disparam 10% e superam os 16,7 mil milhões de euros até setembro

A atividade de jogo online e territorial em Portugal gerou 1.071 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2025, um crescimento de 8% face a igual período de 2024 e o triplo face a 2019.

O mercado do jogo online em Portugal continua em expansão acelerada. Entre janeiro e setembro do ano passado, os jogadores apostaram cerca de 16,7 mil milhões de euros, mais 10,2% que em igual período do ano passado. Só no terceiro trimestre de 2025, o bolo de apostas atingiu os 6 mil milhões de euros, com cerca de 92% deste montante a ser canalizado para jogos de sorte e azar e o remanescente em apostas desportivas, revelam os dados do Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) do Turismo de Portugal divulgados recentemente.

Estes números traduziram-se também em mais um recorde de receita. Nos primeiros nove meses do ano, a receita bruta gerada pelo jogo online — diferença entre o valor das apostas e os prémios pagos aos jogadores — alcançou os 869 milhões de euros, consolidando uma tendência de crescimento que se intensificou nos últimos anos.

Alargando aos jogos em casinos, salas de máquinas e de bingo, a receita bruta conjunta do jogo online e territorial atingiu 1.071 milhões de euros até setembro, 8% acima dos valores registados no mesmo período do ano passado. Este valor representa quase o triplo da receita gerada nos primeiros nove meses de 2019, antes da disrupção provocada pela pandemia de Covid-19.

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A atividade de jogo online domina claramente as receitas do setor. Somente no terceiro trimestre de 2025, entre julho e setembro, as 18 entidades exploradoras de jogo online geraram uma receita bruta de 297,1 milhões de euros, um aumento de 11,6% face ao trimestre homólogo de 2024. No mesmo período, os jogos de fortuna ou azar online — que incluem slots machines, roleta, blackjack e póquer — foram responsáveis por 197,4 milhões de euros, ou seja, 66,4% do total. As apostas desportivas à cota contribuíram com 99,7 milhões de euros, representando os restantes 33,6%.

O aumento da popularidade do jogo também está a contribuir para encher os cofres do Estado. O Imposto Especial de Jogo Online (IEJO) cobrado entre janeiro e setembro contabilizou quase 254 milhões de euros, 3,3% acima dos montantes cobrados em igual período do ano passado. Só no terceiro trimestre, o IEJO rendeu 89,8 milhões de euros ao Estado, mais 8,8% do que no período homólogo de 2024.

Este imposto incide de forma diferenciada: 8% sobre o volume total de apostas desportivas e 25% sobre a receita bruta dos jogos de casino online. Do montante total arrecadado, parte é canalizada para o financiamento das federações desportivas, para o Ministério da Saúde e para o Turismo de Portugal, entre outras entidades.

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Quase 5 milhões de jogadores registados online

O número de jogadores registados em plataformas de jogo online continua também a crescer, revelam os dados do SRIJ do Turismo de Portugal. No final de setembro, existiam 4.937,7 mil registos de jogadores no conjunto das entidades exploradoras, um aumento de 7,8% face ao período homólogo. No terceiro trimestre foram feitos 208,5 mil novos registos, embora este valor represente uma queda de 22,7% em comparação com o mesmo período de 2024.

Dos registos totais, 77,4% correspondem a jogadores com menos de 45 anos, sendo que o grupo etário dos 25 aos 34 anos representa a maior fatia, com 33,4% do total. Os distritos de Lisboa e Porto concentram 42,8% dos jogadores registados (21,8% e 21% respetivamente), seguidos de Setúbal, Braga e Aveiro.

No terceiro trimestre, 1,13 milhões de jogadores registaram pelo menos uma aposta, valor ligeiramente inferior ao verificado no período homólogo (menos 3,9%). Destes, 41,2% jogaram tanto em apostas desportivas como em jogos de fortuna ou azar, 35,6% apostaram exclusivamente em jogos de casino e 23,2% apenas em desportos.

Desde a entrada em vigor do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online em junho de 2015, foram já enviadas 1.575 notificações a operadores ilegais, bloqueados 2.631 sites e apresentadas 54 participações ao Ministério Público.

O futebol continua a ser a modalidade dominante nas apostas desportivas, representando 71,8% do volume total de apostas, seguido do ténis (22,1%). Nas competições futebolísticas, a Primeira Liga portuguesa liderou com 11,4% do volume de apostas, seguida da UEFA Champions League com 9,3%. Nos jogos de fortuna ou azar, as slots machines dominam com 79,2% do total apostado.

Também em crescimento está o número de jogadores autoexcluídos da prática de jogo online. No final de setembro, encontravam-se autoexcluídos 342,2 mil registos de jogadores, um crescimento de 23,9% face ao terceiro trimestre de 2024. No trimestre em análise, 45,7 mil jogadores solicitaram a autoexclusão, enquanto 29,9 mil viram terminar o período de exclusão. ​

O rácio de autoexcluídos face ao total de registos situou-se em 6,9% no final do terceiro trimestre, refletindo uma crescente utilização dos mecanismos de jogo responsável disponibilizados pelas plataformas licenciadas. No jogo territorial, registaram-se 192 pedidos de proibição de acesso às salas de casinos a pedido dos próprios interessados no terceiro trimestre, um aumento de 33,3% face ao período homólogo de 2024. Nas salas de bingo foi submetido um pedido durante o trimestre, referem os dados do SRIJ.

Desde a pandemia Covid-19 que os casinos e os bingos perderam margem para o jogo online. Nos primeiros nove meses de 2025, a receita do jogo online superou em 4,3 vezes a receita gerada pelo jogo territorial gerado em casinos, salas de máquinas e de bingo. JESHOOTS.COM @Unplash

Combate ao jogo ilegal intensifica-se

O SRIJ intensificou também o combate aos operadores ilegais de jogo online ao longo do ano passado. Até setembro, foram enviadas 204 notificações a operadores ilegais para encerrarem a sua atividade em Portugal, superando já em 16% o total de notificações enviadas em todo o ano de 2024. No terceiro trimestre foram emitidas 53 notificações de encerramento.

O regulador notificou ainda os prestadores de serviços de internet para bloquearem 369 sites que operam ilegalmente até setembro, valor que já supera o total anual de 2024. Só no terceiro trimestre foram bloqueados 130 sites. Além disso, até setembro, o SRIJ apresentou junto do Ministério Público 10 participações de operadores ilegais, a que se somam as 15 participações feitas em todo o ano de 2024. No terceiro trimestre foram efetuadas quatro participações para instauração de processos-crime.

Desde a entrada em vigor do Regime Jurídico dos Jogos e Apostas Online em junho de 2015, foram já enviadas 1.575 notificações a operadores ilegais, bloqueados 2.631 sites e apresentadas 54 participações ao Ministério Público.

A 30 de setembro de 2025, existiam 18 entidades autorizadas a exercer a atividade de exploração de jogos e apostas online em Portugal, detentoras de 32 licenças no total. Destas, 13 são licenças para exploração de apostas desportivas à cota, 18 para jogos de fortuna ou azar e uma para exploração de bingo online. Uma das 18 entidades licenciadas ainda não se encontrava em atividade no final do terceiro trimestre.

As licenças de exploração de jogo online têm um período de três anos, renováveis por igual período, e estão sujeitas a um quadro regulatório rigoroso que inclui obrigações de reporte trimestral, mecanismos de proteção de jogadores e combate à fraude e ao branqueamento de capitais.

Num setor em que as apostas batem recordes e o fisco não fica atrás, o jogo online assume-se hoje como um pilar estrutural da indústria do jogo em Portugal, com receitas em máximos históricos e um peso crescente na captação de impostos. A combinação de quase 5 milhões de registos, forte domínio dos jogos de casino e da bola nas apostas desportivas e um enquadramento jurídico que se foi refinando desde 2015 está a consolidar um mercado maduro, mas mais exposto aos riscos de dependência e de jogo problemático.

O aumento expressivo de autoexclusões e o combate mais musculado às plataformas ilegais mostram que a expansão não vem isenta de custos, colocando o SRIJ perante o desafio de continuar a garantir que o avanço do negócio não descola da proteção dos jogadores e da integridade do sistema.

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