Empresas sobem o salário mínimo para reter, motivar e agradecer

Da banca ao retalho, há empresas a subir as remunerações mínimas acima do valor do salário mínimo nacional. Querem criar mais condições de trabalho e, em ano de pandemia, agradecer aos trabalhadores.

No final de 2020, foi aprovado o aumento do salário mínimo nacional para os 665 euros e o primeiro-ministro já confirmou que quer que este valor chegue aos 750 euros em 2023. Contudo, empresas de vários setores têm vindo a antecipar-se e a fixar os salários mínimos acima da remuneração mínima nacional. Para as empresas é uma forma de reconhecerem o empenho dos trabalhadores, reterem o talento, terem pessoas motivadas e, também, de se tornarem mais competitivas no mercado de trabalho.

Em 2017, o Santander Totta anunciava o aumento do salário mínimo no banco de 1.000 para 1.200 euros mensais para todos os trabalhadores, abrindo caminho para o que se tornou numa realidade para empresas de outros setores, da tecnologia ao retalho.

Aumentar salários em ano de pandemia

No início deste ano, o Grupo Bernardo da Costa, empresa de comércio de equipamentos de segurança sediada em Braga, fixou o salário mínimo em 800 euros para os 86 trabalhadores em Portugal. De acordo com o CEO do grupo, Ricardo Costa, a medida é uma forma de ter uma “equipa jovem, altamente qualificada e motivada e não conseguimos isso com salários baixos. É nossa obrigação, enquanto gestores, garantir um nível de vida familiar digno a todos os nossos colaboradores”, explicava em declarações à Lusa.

Também nas primeiras semanas de 2021, o grupo têxtil Polopiqué fixou o salário mínimo em 700 euros para 2021 para os cerca de 550 trabalhadores das várias empresas do grupo.

Em maio, o Taguspark decidiu fixar o salário mínimo em 900 euros para os trabalhadores que prestam serviços através de empresas terceiras (outsourcing), ou seja, uma valorização de mais de 41,7% face ao salário mínimo nacional.

“Esta política enquadra-se no objetivo de tornar o Taguspark o parque mais cívico da Europa e tem como meta implementar uma política de dignidade laboral para com aqueles que, diariamente, prestam serviços por conta de outrem nas nossas instalações”, explicava na altura o presidente executivo do Taguspark, Eduardo Baptista Correia.

Também no início do ano passado, os 1.300 trabalhadores do Grupo Super Bock viram o salário mínimo aumentar para os 735 euros, um aumento de 5% face aos 700 euros pagos em 2019.

Na retalhista sueca IKEA, o salário mínimo de entrada para os trabalhadores em todas as lojas no país é de 700 euros e a empresa já confirmou estar disponível para acompanhar a subida do SMN até 2023, ou até “superar a legislação”. Ao salário mínimo fixado pela IKEA é adicionado o subsídio de alimentação, entre outros subsídios e benefícios. É uma forma de “reconhecer e retribuir o compromisso”, justifica a retalhista.

Recompensa e reconhecimento

Durante o ano que passou, que somou dificuldades para as empresas devido ao impacto da pandemia, os bónus e os prémios foram uma forma de as empresas apoiarem, reconhecerem e agradecerem aos trabalhadores. São exemplo disso a Mercadona, o Lidl Portugal ou a Sociedade Água de Monchique.

Em março, a Água de Monchique decidiu reforçar em 10% o salário dos 40 trabalhadores da empresa para premiar a “coragem e o altruísmo” demonstrados.

Já o Lidl Portugal iniciou 2020 com um aumento do valor do subsídio de refeição para os mais de 7.500 trabalhadores para os 7,63 euros, o máximo legal permitido, sem encargos adicionais. Em outubro, anunciou um aumento salarial, por passagem de escalão ou criação de um escalão adicional para os trabalhadores de loja e entreposto, que entra em vigor este mês. Isto é, os trabalhadores no escalão de 820 euros, há 12 meses, passam a ganhar 870 euros, o que representa um aumento de 50 euros por mês. Aos que não se enquadram nos dois casos anteriores, é atribuído um prémio de 3% do ordenado anual bruto.

Na cadeia de supermercados espanhola Mercadona, além do contrato de efetividade desde o primeiro dia, a remuneração bruta anual de um operador de supermercado é de cerca de 10.886 euros com progressão em cada subida de escalão, ou seja, no quinto ano de antiguidade (5.º escalão) os operadores de supermercado recebem cerca de 1.377 euros brutos por mês.

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