Século XXI: uma nova imagem da advocaciapremium

O mundo jurídico está em constante mutação. As mudanças não se prendem apenas internamente, mas também a imagem que transmitem para o exterior passou a ser um ponto da ordem do dia das sociedades.

A revolução 4.0., trazida pela internet e redes sociais, possibilitou às pessoas informação e interação em tempo real. A evolução digital obrigou vários setores da sociedade a reequacionar os modelos de comunicação e o mundo jurídico não ficou de fora desta mudança de paradigma.

As sociedades estão cada vez mais preocupadas com a imagem e com a forma de comunicação. A advocacia mudou não só a forma de trabalho como também a imagem.

O marketing é uma ponte entre o mercado e as sociedades e seus profissionais e é um fator estruturante para o crescimento das sociedades. “Confere visibilidade, dá a conhecer a “marca” e posiciona a sociedade perante o mercado e o seu público-alvo”, explica Sofia Justino, founder & senior consultant da Sofia Justino Consulting.

“A comunicação externa já não vive apenas do que uma sociedade diz sobre si própria mas, antes, interage num ecossistema onde os seus conteúdos são partilhados, criticados e avaliados em direto pelo público através das redes sociais, da Wikipédia ou mesmo na classificação da nossa página pelos canais da Google”, nota Lourenço Ovídio, coordenador da equipa de comunicação da Abreu Advogados, considerando que o marketing tem um papel fundamental na comunicação externa das sociedades.

Jorge Tavares d’Almeida, marketing & business development da CMS Rui Pena & Arnaut, admite também que a comunicação externa das sociedades tem de recorrer a um “marketing muito específico que se poderá de denominar de marketing jurídico”, salientando que existem limitações deontológicas e estatutárias que têm de ser tidas em contas.

Limitações deontológicas e estatutárias ao marketing jurídico

O legislador não proíbe em absoluto a publicidade no exercício de advocacia apenas restringe algumas práticas como a “colocação de conteúdos persuasivos, ideológicos, de autoengrandecimento e de comparação”, a “menção à qualidade do escritório”, a “prestação de informações erróneas ou enganosas”, a “promessa ou indução da produção de resultados” e o “uso de publicidade direta não solicitada”, segundo o art. 94.º/4 do Estatuto da Ordem dos Advogados.

Para Lourenço Ovídio, a Abreu Advogados procura “sempre respeitar todas as normas deontológicas” na comunicação que fazem.

“O marketing ainda está muito associado à venda e propaganda”

Apesar de certas limitações, vários são os benefícios que advêm do marketing e comunicação para as sociedades. Jorge Tavares d’Almeida reforçou que esta área permite dar a “conhecer” as sociedades e aquilo que “as diferencia da concorrência”, bem como manter a comunicação com os clientes existentes.

O reforço da reputação da sociedade, a retenção de clientes, o aumento do volume de trabalho, a angariação de novos clientes, a captação de talentos e a motivação do público interno são outros pontos que Sofia Justino considera serem beneficiados com as estratégias de marketing e comunicação.

Ainda assim, a consultora da Sofia Justino Consulting garante que “a reputação individual de cada advogado, a sua rede de contactos e o “boca a boca”, continuam a ser os grandes “angariadores” de novos clientes e mais trabalho”.

Infelizmente em Portugal e, em alguns mercados latinos, o marketing ainda está muito associado à “venda e propaganda”, porém, para nós, o marketing é mais que isso e torna-se cada vez mais relevante para as sociedades de advogados que estão focadas em aumentar o valor do serviço entregue e percebido pelo cliente”, explica Lourenço Ovídio da Abreu Advogados.

Infelizmente em Portugal e, em alguns mercados latinos, o marketing ainda está muito associado à “venda e propaganda”.

Lourenço Ovídio

Coordenador da equipa de comunicação da Abreu Advogados

Tanto a Abreu Advogados como a CMS Rui Pena & Arnaut possuem um plano de marketing organizado pelas diferentes plataformas e canais, tendo a primeira também “planos por área de prática, planos setoriais e/ou planos específicos para alguns mercados”. O responsável da CMS refere ainda a “necessidade de dar resposta a uma classe de consumidores dos serviços jurídicos que são cada vez mais exigentes e sofisticados”.

“Sendo os advogados prestadores de serviços que dependem só do seu conhecimento e capacidades técnicas e, consequentemente, da sua reputação, é com enorme naturalidade que assumimos que esta é uma área que nos preocupa e, como tal, sabemos que temos de ter uma resposta capaz, especializada e com uma equipa de experts a assessorar-nos”, nota o coordenador da Abreu.

Um plano de marketing e comunicação necessita de delinear vários aspetos para que seja bem executado. “O principal público-alvo da nossa comunicação externa é muito vasto pois idealmente engloba são os nossos clientes existenciais e os potenciais”, assegura Jorge Tavares d’Almeida, da CMS Rui Pena & Arnaut. Também para a Abreu Advogados os “clientes” e as equipas “atuais e futuras” são os destinatários principais da comunicação da sociedade. Ainda assim, pretendem “envolver os vários stakeholders” com a sua marca.

O principal público-alvo da nossa comunicação externa é muito vasto pois idealmente engloba são os nossos clientes existenciais e os potenciais.

Jorge Tavares d'Almeida

Marketing & business development da CMS Rui Pena & Arnaut

“Não há uma estratégia certa”

Sofia Justino, founder & senior consultant da Sofia Justino Consulting, após 14 anos a trabalhar no departamento de comunicação de uma sociedade de advogados, a Miranda & Associados, decidiu investir nessa área e abriu a sua própria consultora.

Com o objetivo de fornecer ao mercado da advocacia de negócios um serviço personalizado e especializado nas áreas da comunicação, marketing e das relações públicas, a consultora admite que o primeiro ano de atividade superou “largamente” as expectativas e que é uma “aposta ganha”.

“Fui surpreendida pelo elevado número de projetos, de pequena e média dimensão, de grande qualidade, com foco nas mais variadas áreas de prática, quer em Lisboa, quer na região norte do País, com grande vontade de apostar nas áreas de comunicação e marketing”, nota Sofia Justino.

Fui surpreendida pelo elevado número de projetos, de pequena e média dimensão, de grande qualidade, com foco nas mais variadas áreas de prática, quer em Lisboa, quer na região norte do País, com grande vontade de apostar nas áreas de comunicação e marketing.

Sofia Justino

Founder & senior consultant da Sofia Justino Consulting

As sociedades que recorrem aos serviços da Sofia Justino Consulting procuram essencialmente uma orientação para começaram a trabalhar a sua “promoção”. Ainda assim o medo de “pisar o risco” e de “violar” as normas deontológicas são motivos para que pouco ou nada tenham feito em termos comunicativos até ao momento que chegam à consultora.

Cabe-me aconselhar, orientar, dar algumas sugestões e indicar alguns “caminhos”… sempre, tendo em linha de conta, os objetivos e o ADN da sociedade em questão. Não há uma estratégia certa. As estratégias e as ferramentas variam muito de sociedade para sociedade”, acrescenta Sofia Justino.

Uma carta aos nossos leitores

Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

Aqui, no ECO, estamos a trabalhar 24 horas vezes 24 horas para garantir que os nossos leitores têm acesso a informação credível, rigorosa, tempestiva, útil à decisão. Para garantir que os milhares de novos leitores que, nas duas últimas semanas, visitaram o ECO escolham por cá ficar. Estamos em regime de teletrabalho, claro, mas com muita comunicação, talvez mais do que nunca nestes pouco mais de três anos de história.

  • Acompanhamos a cobertura da atualidade, porque tudo é economia.
  • Escrevemos Reportagens e Especiais sobre os planos económicos e as consequências desta crise para empresas e trabalhadores.
  • Abrimos um consultório de perguntas e respostas sobre as mudanças na lei, em parceria com escritórios de advogados. Contamos histórias sobre as empresas que estão a mudar de negócio para ajudar o país
  • Escrutinamos o que o Governo está a fazer, exigimos respostas, saímos da cadeira (onde quer que ele esteja) ou usamos os ecrãs das plataformas que nos permitem questionar à distância.

O que queremos fazer? O que dissemos que faríamos no nosso manifesto editorial

  • O ECO é um jornal económico online para os empresários e gestores, para investidores, para os trabalhadores que defendem as empresas como centros de criação de riqueza, para os estudantes que estão a chegar ao mercado de trabalho, para os novos líderes.

No momento em que uma pandemia se transforma numa crise económica sem precedentes, provavelmente desde a segunda guerra mundial, a função do ECO e dos seus jornalistas é ainda mais crítica. E num mundo de redes sociais e de cadeias de mensagens falsas – não são fake news, porque não são news --, a responsabilidade dos jornalistas é imensa. Não a recusaremos.

No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

É por isso que precisamos de si, caro leitor. Que nos visite. Que partilhe as nossas notícias, que comente, que sugira, que critique quando for caso disso. O ECO tem (ainda) um modelo de acesso livre, não gratuito porque o jornalismo custa dinheiro, investimento, e alguém o paga. No nosso caso, são desde logo os acionistas que, desde o primeiro dia, acreditaram no projeto que lhes foi apresentado. E acreditaram e acreditam na função do jornalismo independente. E os parceiros anunciantes que também acreditam no ECO, na sua credibilidade. As equipas do ECO, a editorial, a comercial, os novos negócios, a de desenvolvimento digital e multimédia estão a fazer a sua parte. Mas vamos precisar também de si, caro leitor, para garantir que o ECO é económica e financeiramente sustentável e independente, condições para continuar a fazer jornalismo de qualidade.

Em breve, passaremos ao modelo ‘freemium’, isto é, com notícias de acesso livre e outras exclusivas para assinantes. Comprometemo-nos a partilhar, logo que possível, os termos e as condições desta evolução, da carta de compromisso que lhe vamos apresentar. Esta é uma carta de apresentação, o convite para ser assinante do ECO vai seguir nas próximas semanas. Precisamos de si.

António Costa

Publisher do ECO

Comentários ({{ total }})

Século XXI: uma nova imagem da advocacia

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião