Teletrabalho continua. Regresso aos escritórios (ainda) não é opção

Face ao aumento de casos de Covid-19, algumas empresas estão a estender o teletrabalho, a regressar ao mesmo regime do confinamento e até a reduzir o número de trabalhadores nos escritórios.

A 14 de outubro, o país voltou ao estado de calamidade, face ao aumento significativo de número de casos de Covid-19. Apesar disso, o Governo não alterou as medidas relativas à organização do trabalho e à obrigatoriedade do teletrabalho, que esteve em vigor durante o confinamento.

De forma geral, nas grandes empresas mantém-se o regime de idas ao escritório “em espelho” — com as equipas alternadas — mas, face ao aumento gradual do número de casos diários de Covid-19, o regresso ao escritório deixou de ser uma opção. Para isso, algumas empresas optaram por reduzir o número de trabalhadores nos escritórios ou estender o regime de teletrabalho a 100% até ao final do ano. Da banca às telecomunicações, a Pessoas/ECO foi tentar perceber o que mudou e como está a ser planeado o regresso aos escritórios.

Adiar o regresso aos escritórios para travar pandemia

Alterar a duração do regime de rotatividade entre equipas para uma semana no edifício e duas semanas em teletrabalho. Foi assim que a Altice tratou de cumprir as distâncias de segurança nos escritórios. O teletrabalho a 100% está designado apenas para os trabalhadores que vivam mais longe dos escritórios, grávidas e grupos de risco.

Na Altice, a duração do regime de rotatividade entre equipas alterou-se para uma semana no edifício e duas semanas em teletrabalho, cumprindo as distâncias de segurança nos escritórios.

“Dada a evolução significativa do número de casos em Portugal, a Altice Portugal optou por manter a taxa média 30% de ocupação por edifício, acompanhando de perto, com o seu gabinete de crise, a evolução da situação, em estreita colaboração com a Direção-Geral da Saúde e demais entidades”, explica à Pessoas fonte oficial da empresa.

O mesmo acontece na NOS, que só estende esta possibilidade aos trabalhadores que se inserem em grupos de risco. Para os restantes, está em vigor a regra de ocupação máxima dos edifícios em 40%, por vagas e em semanas alternadas – ou seja, os colaboradores passam uma semana no escritório e outra em casa, sucessivamente.

“A NOS tem acompanhado de perto a situação epidemiológica e, no âmbito do grupo de trabalho criado para o efeito, foi traçado um plano para que toda a organização pudesse retomar a atividade presencial nos escritórios em segurança. Este plano já contempla vários cenários de evolução da pandemia e foi desenhado com base nas orientações das entidades de saúde competentes, nas características pessoais de cada colaborador e, ainda, nas melhores práticas de mercado”, refere fonte oficial da empresa de telecomunicações, em comunicado enviado à redação.

Tendo em conta os novos desenvolvimentos da pandemia no país, iremos obviamente seguir a recomendação do Governo em manter o teletrabalho em todas as funções que o permitam.

Cláudia Domingues

Diretora de comunicação do IKEA

Por outro lado, há empresas que já decidiram estender o teletrabalho, como é o caso da equipa da Nobre, que se vai manter em home office até ao final deste ano. Também na IKEA, todos os trabalhadores dos escritórios e do centro de apoio ao cliente vão manter-se em teletrabalho.

“Tendo em conta os novos desenvolvimentos da pandemia no país, iremos obviamente seguir a recomendação do Governo em manter o teletrabalho em todas as funções que o permitam. Mesmo à distância, estamos a trabalhar para assegurar que o espírito de equipa e união, tal como os fluxos de comunicação, são reforçados. Para isso, temos planeadas ações relacionais e de partilha que nos ajudam, mesmo sem sair de casa, a sentir que estamos juntos”, assegura Cláudia Domingues, diretora de comunicação da IKEA.

Da banca ao retalho, remoto passa a ser regra

Na banca, o Santander explica à Pessoas que as medidas se mantêm e só os trabalhadores de risco estão em teletrabalho a 100%. Para os restantes, as idas aos escritórios dos edifícios centrais faz-se em regime de rotatividade, sendo que se deslocam 50% dos trabalhadores de cada vez. Nos balcões, o banco está a aplicar as mesmas regras.

Durante o confinamento, a Galp optou pelo regime rotativo de ida aos escritórios através de turnos quinzenais, com um terço dos colaboradores em cada turno e previamente testados à Covid-19. Além disso, quem se desloca aos escritórios tem de entrar de forma desfasada ao longo do dia e as reuniões são limitadas aos trabalhadores internos da empresa. Ao ECO, fonte oficial da energética explicou que este regime se mantém.

A equipa Nobre está em regime de home office desde o início da pandemia e deverá manter-se neste formato até ao final de ano.

Lia Oliveira

Diretora de marketing da Nobre

A EDP não alterou as medidas face ao aumento de casos de Covid-19, mas fonte oficial da empresa garante que continuará a aplicar “um regime de trabalho presencial voluntário, parcial, rotativo e flexível”.

Teletrabalho, até 2021 e mais além

Devido à progressão da pandemia, as empresas estão a estender o teletrabalho até 2021 e, em alguns casos, a permitir o teletrabalho permanente. Além de salvaguardar os trabalhadores, a possibilidade do teletrabalho no pós-pandemia é uma forma de garantir mais flexibilidade.

Face ao aumento de casos de Covid-19 das últimas semanas, entre as empresas contactadas pelo ECO, só a EY e a Microsoft confirmaram não ter data definida para regressar aos escritórios e ambas antecipam nesta previsão uma nova forma de trabalhar.

“Na Microsoft consideramos que a melhor forma de gerirmos uma crise é antecipa-la o mais possível e planear a sua mitigação com a devida ponderação. Temos as ferramentas e o conhecimento necessários para continuarmos produtivos e, com esta pandemia, ajustámos o nível de intensidade da utilização das mesmas. Acreditamos que o futuro do trabalho será híbrido, em múltiplas combinações de modelos de trabalho remoto, em função das necessidades dos colaboradores, das organizações e sociedade”, explica Clara Celestino, diretora de recursos humanos da Microsoft Portugal.

Mais recentemente, a Microsoft decidiu adiar o regresso aos escritórios para julho de 2021 nos EUA e implementou o teletrabalho permanente para algumas funções, como forma de garantir políticas de maior flexibilidade.

Não voltar aos escritórios, pelo menos, até ao verão de 2021, tem sido a metade definida por grandes empresas como a Google, o Facebook, a Uber. O Twitter foi das primeiras empresas a autorizar o teletrabalho “para sempre”. Esta semana, também a Amazon anunciou que vai estender o período em teletrabalho até junho de 2021, devido ao aumento de casos de Covid-19 nos EUA.

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