Bezos, YOLO!premium

Dono da Amazon prepara o seu primeiro voo espacial como o miúdo - que ele foi - sonhava quando tinha cinco anos. É que até o homem mais rico do mundo faz coisas pela primeira vez.

O primeiro choro. O primeiro olhar. O primeiro passo. A primeira palavra dita, a primeira palavra escrita. A primeira vez que viste o mar. A primeira vez que cheiraste o mar. O primeiro livro, o primeiro filme no cinema. O primeiro beijo, a primeira noite fora de casa. A primeira mudança para fora da casa em que vivemos sempre. O primeiro carro. A primeira viagem sozinha/o. O primeiro projeto a solo. A primeira empresa. O primeiro livro. O primeiro filho. A primeira viagem ao espaço.

Somos produto de uma série de planos, feitos pelos outros e por nós, com antecipação. Mas somos, sobretudo, uma soma de primeiras vezes quase inesquecíveis. Nelas acumulamos ansiedade, espanto, experiência e, claro, delas saem muitas histórias para contar. Seguramente, algumas das melhores histórias que guardamos escritas na nossa memória (ou em caderninhos que transformamos em "diários de bordo" sobre o que nos acontece)

Jeff Bezos, ex-CEO e o dono da Amazon, anunciou esta semana que fará o primeiro voo humano ao espaço, marcado para 20 de julho. Ele mesmo: o miúdo que respirou pela primeira vez em Albuquerque, Novo México; que ficou com o nome do padrasto, um emigrante cubano que casou com a sua mãe quando ele tinha quatro anos; o mesmo que começou, cedo, a interessar-te por eletrónica e ciências; esse mesmo Jeff que caiu em Princeton, provavelmente como cai qualquer aluno de primeiro ano numa universidade e num lugar que não conhece. E sim, o mesmo Jeff que fundou o gigante Amazon e que, com a simplicidade possível das primeiras vezes, anunciou em fevereiro a sua retirada da empresa como CEO.

"Se vês a Terra do espaço, isso muda-te, isso muda a tua relação com o planeta, com a humanidade. Existe apenas uma Terra. Quero ir neste voo porque é uma coisa que eu quis fazer toda a minha vida, é uma aventura, é uma coisa importante para mim", conta Jeff Bezos, no vídeo partilhado nas suas redes sociais a propósito da notícia.

Bezos vai ver, pela primeira vez, a Terra do espaço. O homem mais rico do mundo voa, pela primeira vez, para fora do planeta que sempre conheceu, na companhia do seu irmão e melhor amigo, Mark, e de um terceiro tripulante. A Blue Origin, empresa que também Bezos fundou, em 2000, é resultado dessa paixão pelo universo e do seu fascínio por viagens espaciais que, conta, dura desde que tinha cinco anos.

Ao lado de Bezos voará ainda alguém que comprará o seu lugar através de um leilão, a decorrer online e cujo resultado será doado à Fundação da empresa, Club for the Future, que tem como objetivo incentivar futuras gerações a seguirem carreiras nas áreas de STEM (para acompanhar Bezos na "missão" espacial, a licitação vai já nos 4,8 milhões de dólares mas a emissão segue, em direto, aqui).

Quando o fundador da Blue Origin viajar no seu New Shepard, o veículo espacial desenvolvido pela Blue Origin que tem como missão "construir um caminho para o espaço, de maneira a que as nossas crianças possam construir o futuro", Bezos verá, pela primeira vez, o planeta Terra a olho nu a partir do espaço. Por trás da visão de negócio de Bezos face ao território extra-planeta Terra -- que assenta no enorme potencial do universo como espaço de expansão e, sobretudo, riqueza de recursos --, esta viagem espacial revela um sonho de miúdo que pode, finalmente, concretizar. Ser astronauta, voar, ir ao espaço e voltar, é uma resposta partilhada por muitas crianças, independentemente do sítio onde nascem, de cada vez que lhes é perguntado: "O que é que queres ser quando fores grande?".

A vida de todos é feita de primeiros dias, de primeiras vezes. E Bezos, o miúdo Jeff, tem agendado para 20 de julho o argumento para para mais uma história de estreia, escrita no seu caderninho das memórias. Nessa expectativa de viagem, acumula ansiedade, expectativa, sonhos e uma boa dose de investimento, claro. E dessa experiência sairão, decerto, muitas histórias para contar. É que até o homem mais rico do mundo faz coisas pela primeira vez.

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