Começa como start-up e torna-te uma scale-up!

  • Francisco Martins Caetano
  • 8 Maio 2017

Todas as start-ups que são hoje elogiadas e que fazem manchetes nos jornais ou atingem valorizações astronómicas, evoluíram e tornaram-se na sua própria versão de “Roma”.

Quantos livros tem um entrepreneur wannabe que ler antes de entender que Roma não foi construída num dia, numa semana ou mesmo num ano? Roma tornou-se a grande cidade de Roma, capital de um dos maiores Impérios da nossa História, por ter sido primeiro um vilarejo nas margens do Rio Tibre.

A tua start-up é esse vilarejo. Não é, ainda, Roma.

Pensa na Starbucks: porque é que a primeira Startbucks vingou (e chegou onde chegou) em comparação com a mercearia vizinha do primeiro espaço Startbucks?!

Às perguntas “Qual é o teu negócio? O que pretendes construir?”, muitos entrepreneurs wannabe respondem “É como o Facebook, mas para cães!” ou “É como Uber, mas para a roupa!”. Tu também as dás…. Estas respostas apenas demonstram que tu te consideras um Júlio César e não um Rómulo.

Mas não é sobre estas “ideias” que uma empresa de sucesso é construída. O Facebook, antes de ser o que é hoje, foi uma rede digital universitária. O Uber foi um serviço de partilha de viaturas. E tantos outros exemplos…

Todas as start-ups que são hoje elogiadas e que fazem manchetes nos jornais ou atingem valorizações astronómicas, evoluíram e tornaram-se na sua própria versão de “Roma”. Mas não se enganem: quando começaram, eram apenas uma versão de um pequeno vilarejo nas margens do Rio Tibre.

Quando os entrepreneurs são relembrados de que devem começar devagar e ir crescendo, os mesmos dizem quem “sim, eu sei” sem realmente acreditarem que é isso mesmo que têm de fazer! Querem crescer rápido, angariar milhões e ser o the next big thing a curto prazo.

Em suma, não querem começar pequeno, criar bases estruturadas para o crescimento futuro. E o que acontece? Falham, porque não construíram algo viável e estruturado desde o início.

Deixo algumas ideias chave para que uma start-up consiga, de forma estruturada, scale-up:

Scaling um negócio/empresa é completamente diferente de gerir uma start-up!

Voltando ao nosso exemplo da Starbucks: tu não geres um café da mesma forma que geres milhares deles.

Literalmente, precisas de criar uma organização, com estrutura, processos, formalidades, múltiplas valências, etc.

Procura cercar-te de pessoas mais competentes que tu. Não tenhas receio de ter os melhores. Uma empresa não é uma ego trip e cultivar a mediocridade é meio caminho andado para o insucesso.

Procura o conselho de mentores. Aprende com os teus erros.

Do bom ao óptimo!

Scaling-up é um trabalho de disciplina.

Recomendo a leitura do livro “Good to Great” de Jim Collins. Neste livro, este autor dá exemplos de empresas de crescimento elevado e “bem sucedidas”, identificando algumas características que as mesmas partilham e que estão intimamente ligadas com o foco estratégico da equipa de fundadores e/ou management.

Para além disso, adota um objetivo BHAG (Big Hairy Audacious Goal) conforme defendido por James Collins e Jerry Porras no livro “Built to Last: Successful Habits of Visionary Companies.”: define objectivos visionários que sejam estratégica e emocionalmente estimulantes! Por exemplo, o objectivo da Google: “to organize the world’s information and make it universally accessible and useful”.

Tudo a seu tempo!

Pensar de imediato na fase de scaling-up antes de ultrapassar a fase de starting-up é uma receita para o fracasso.

Este é apenas o senso comum a funcionar. A tua visão (por exemplo, enviar um homem ao espaço como a NASA) será executada pela tua estratégia. Uma visão sem execução é, nada mais nada menos, que um sonho.

Não te preocupes com Roma. Pelo menos, não ainda. Constrói uma cidade sustentável primeiro. Parte a partir daí!

 

  • Francisco Martins Caetano

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