Inteligência Artificial e Sustentabilidade: Tecnologia ao serviço da mitigação de riscos
A urgência de compreender, prever e mitigar riscos levou a ciência a procurar novos aliados e a inteligência artificial (IA) tem-se revelado um dos mais promissores.
Fenómenos climáticos extremos já não são eventos raros. Ondas de calor, secas prolongadas, cheias repentinas e incêndios devastadores tornaram-se uma realidade cada vez mais frequente. A urgência de compreender, prever e mitigar estes riscos levou a ciência a procurar novos aliados e a inteligência artificial (IA) tem-se revelado um dos mais promissores.
Com base em volumes massivos de dados, os algoritmos de IA conseguem identificar padrões invisíveis ao olhar humano. Modelos de machine learning já permitem prever a ocorrência de tempestades ou de cheias com maior antecedência, dando tempo às autoridades para preparar evacuações e reforçar infraestruturas. No caso dos incêndios florestais, imagens de satélite analisadas por IA ajudam a mapear áreas de risco, antecipando a propagação do fogo e permitindo uma gestão mais eficaz dos recursos no terreno.
Mas o potencial da IA vai muito além da resposta imediata. Governos e autarquias recorrem a estas ferramentas para planear políticas de adaptação climática, desde a localização de zonas habitacionais mais seguras até ao desenho de infraestruturas resilientes. Bancos e seguradoras, por sua vez, utilizam modelos preditivos para avaliar a exposição ao risco climático das suas carteiras de crédito ou apólices, integrando este fator nas suas decisões de financiamento e cobertura.
A capacidade de cruzar dados meteorológicos, geográficos, económicos e sociais abre novas possibilidades de gestão preventiva. Ao transformar informação complexa em cenários de risco claros, a IA permite decisões mais informadas e políticas públicas mais robustas.
Em paralelo, o setor privado começa a perceber que estas soluções não servem apenas para reduzir riscos, mas também para criar valor. Empresas podem usar IA para definir planos de continuidade de negócio face a fenómenos climáticos, ou para proteger cadeias de abastecimento vulneráveis a disrupções ambientais. Esta integração entre tecnologia e sustentabilidade reforça a resiliência operacional e aumenta a confiança de investidores e consumidores.
Ainda assim, importa reconhecer desafios. A qualidade dos dados recolhidos, a transparência dos algoritmos e a necessidade de evitar desigualdades no acesso a estas soluções, são questões centrais. Se bem aplicada, a IA não substitui a ação humana, mas multiplica a capacidade de antecipação e resposta.
Num mundo em que o clima se tornou um fator de risco sistémico, a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta tecnológica: é uma peça estratégica para proteger vidas, economias e ecossistemas.
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