Trabalho e vida: uma questão de harmonia
Não acredito no equilíbrio entre vida e trabalho. Acredito em harmonizar o que somos em tudo o que fazemos.
Quando me pedem para falar sobre o meu percurso profissional, costumo começar por dizer que sou um sortudo. Um privilegiado que descobriu os seus motivos profissionais – aqueles que se tornaram uma extensão de uma vida mais plena e deram sentido um propósito maior.
Dizer isto não tem nada de romântico. É prático e real. Entendo a minha vida de forma mais completa porque tenho uma profissão que me desafia, que me entusiasma e que me motiva a ser melhor. E sinto verdadeiramente que a minha proposta profissional me torna mais livre.
Esta introdução serve para sustentar uma visão que partilho com Jeff Bezos e que me ajudou a reinterpretar a já clássica ideia de work-life balance – o equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. Não acompanho esta proposta, por duas razões muito concretas.
Primeiro, porque não acredito que a expressão seja honesta. O equilíbrio entre as duas dimensões da vida soa a um escudo – uma tentativa de proteger a vida pessoal da preponderância do trabalho. Mas o problema não está em proteger uma parte da outra; está em compreender que não são lados opostos.
Segundo, porque não acredito na separação. Somos um só indivíduo na soma de todas as dimensões da vida. E, por isso, acredito mais numa harmonização do que num equilíbrio.
Harmonizar não é dividir o tempo em partes iguais. É saber quando cruzar e quando separar. Há momentos em que o trabalho invade a vida pessoal – e isso pode ser bom, se nos faz crescer. Noutros, é preciso fechar a porta e cuidar do resto. Mas só conseguimos fazer essa gestão se nos virmos como um todo, e não como uma agenda repartida entre “vida” e “trabalho”.
Como escreveu o filósofo Byung-Chul Han, “a vida ativa perdeu o sentido porque a separámos da contemplação”. Talvez seja esse o ponto. A vida não é uma soma de blocos de tempo, é um movimento contínuo. E quando o trabalho é vivido com propósito, não precisa de ser o inimigo da vida pessoal — pode ser uma das suas formas mais puras de expressão.
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