A Uber e a Cabify funcionam hoje? Sim, mas pouco

Tanto a Uber como a Cabify estão a funcionar. Mas os tempos de espera são bastante superiores ao normal.

“Hoje tem lugar em Lisboa uma paralisação organizada pelas associações de táxi portuguesa. As dificuldades de circulação na cidade e o acréscimo de pedidos de viagem poderão resultar numa disponibilidade mais limitada de veículos e em tempos de espera mais prolongados”.

É com este aviso que são saudados os utilizadores que, esta segunda-feira, abrirem a aplicação da Uber. A empresa refere-se à marcha lenta “10/10 Todos a Lisboa – Contra os Ilegais”, que decorre durante o dia de hoje e que, estima-se, vai levar seis mil taxistas a paralisar a capital, em protesto contra a atividade da Uber, da Cabify e de plataformas semelhantes.

O ECO sabe que vários motoristas da Uber decidiram não trabalhar hoje, para evitar conflitos com os taxistas. Já fonte oficial da empresa diz que a aplicação está a funcionar normalmente, ressalvando os possíveis atrasos, devido à manifestação.

De facto, tanto a aplicação da Uber como a Cabidy funcionam. Mas os tempos de espera são muito superiores ao habitual. O ECO experimentou ambas as aplicações e, num local onde ambas as aplicações costumam informar o utilizador que terá de esperar cerca de quatro minutos pelo motorista, a Uber e a Cabify apresentam agora tempos de espera superiores a 15 minutos. Por várias vezes, não havia motorista por perto.

Já no domingo, a Cabify tinha justificado, em mensagem enviada aos utilizadores, que a paralisação dos táxis “irá diminuir as opções de mobilidade”, pelo que o “aumento da procura e do trânsito poderão afetar o serviço prestado, tanto a nível de disponibilidade de veículos, como de tempos de espera e de chegada ao destino”.

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Vivemos tempos indescritíveis, sem paralelo, e isso é, em si mesmo, uma expressão do que se exige hoje aos jornalistas que têm um papel essencial a informar os leitores. Se os médicos são a primeira frente de batalha, os que recebem aqueles que são contaminados por este vírus, os jornalistas, o jornalismo é o outro lado, o que tem de contribuir para que menos pessoas precisem desses médicos. É esse um dos papéis que nos é exigido, sem quarentenas, mas à distância, com o mesmo rigor de sempre.

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No entanto, o jornalismo não é imune à crise económica em que, na verdade, o setor já estava. A comunicação social já vive há anos afetada por várias crises – pela mudança de hábitos de consumo, pela transformação digital, também por erros próprios que importa não esconder. Agora, somar-se-ão outros fatores de pressão que põem em causa a capacidade do jornalismo de fazer o seu papel. Os leitores parecem ter redescoberto que as notícias existem nos jornais, as redes sociais são outra coisa, têm outra função, não (nos) substituem. Mas os meios vão conseguir estar à altura dessa redescoberta?

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António Costa

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