Santos Silva: “O investimento público não devia ir todo ao défice”

  • Margarida Peixoto
  • 27 Outubro 2016

Artur Santos Silva defende que os gastos públicos com investimento não deviam ser contabilizados na totalidade no défice orçamental. Além disso, é preciso um "pacto para o investimento", frisou.

Artur Santos Silva, presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, também defende que as regras europeias sobre o défice deviam mudar: os gastos públicos com investimento não deviam ser considerados na totalidade para o défice orçamental dos países do sul. A ideia foi deixada numa conferência sobre Orçamento do Estado para 2017, que decorre esta quinta-feira em Lisboa.

O ex-presidente do BPI e atual chairman do banco está particularmente preocupado com a necessidade de estimular o investimento em Portugal. E por isso, defende que a Europa devia mudar as suas regras.

Nos países do sul, devia haver “uma alteração nas regras contabilísticas” de tal forma que “o investimento público não fosse todo ao défice, mas sim as amortizações”, defendeu. Este “seria um grande estímulo” ao investimento, frisou.

Mas isto não é tudo. Santos Silva deixou também um pedido ao Governo. É preciso “um pacto fiscal, com medidas agressivas de estímulo ao investimento, e que assegure estabilidade aos investidores.

“Todos os partidos que apoiam este Governo deviam ser capazes de definir um pacto fiscal que assegurasse estabilidade e fosse capaz de produzir confiança nos investidores”, defendeu Artur Santos Silva, durante a conferência, organizada pela Ordem dos Economistas e que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

O ex-presidente do BPI pediu “medidas muito agressivas” de estímulo ao investimento: “Temos de utilizar todo o manancial que temos, quer medidas fiscais, quer parafiscais”, por exemplo, do lado da Segurança Social.

Além disso, tem de ser feito “um enorme esforço na comunicação”, frisou. Ou seja, é preciso explicar os recursos disponíveis e esclarecer que o “sistema financeiro tem vindo a resolver os seus problemas mais sérios”.

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