Oi propõe-se a pagar dívidas de até 50 mil reais

A Oi propôs-se a saldar dívidas a 58 mil credores e também reuniu com a Anatel, à qual deve mais de 20 mil milhões de reais. Veículos financeiros na Holanda poderão entrar em falência.

Há desenvolvimentos no processo de recuperação judicial da operadora brasileira Oi. A empresa participou numa audiência de mediação com a Anatel para encontrar “uma solução consensual” para a dívida que tem ao regulador. Atualmente, ultrapassa já os 20 mil milhões de reais, cerca de 5,58 mil milhões de euros.

A operadora apresentou ainda outra proposta judicial para “utilização da mediação” como forma de pagar aos credores as dívidas de até 50 mil reais (13,8 mil euros). A ser aceite, a medida irá abranger quase 58 mil credores da Oi, num montante total de até 783 milhões de reais, ou cerca de 216 milhões de euros.

Numa nota enviada aos mercados, a companhia avança também que os administradores judiciais holandeses da Portugal Telecom Internacional Finance e da Oi Brasil Holdings, veículos financeiros da Oi na Holanda, poderão requerer a conversão dos processos de suspensão de pagamentos em processos de falência. Ainda assim, garante, isso não deverá prejudicar as contas da empresa, nem as respetivas “atividades operacionais”. Se conversão foi adiante, a Oi espera que “disso não resultem impactos significativos na recuperação judicial e no dia-a-dia da companhia no Brasil”, acrescenta.

Estas informações surgem numa altura em que os credores da Oi no Brasil pressionam o Governo para encontrar uma solução para o processo. Esta terça-feira, o Financial Times recordou que poucos casos de falência têm merecido tanta atenção como o da Oi, uma das maiores operadoras de telecomunicações no país. Com cerca de 138 mil funcionários “diretos e indiretos”, o Governo tem feito todos os esforços para impedir a queda da companhia, tendo em conta a profunda recessão em que o país está mergulhado, escreve o mesmo jornal.

Recorde-se que, na semana passada, o presidente a Anatel, Juarez Quadros, garantiu na audiência pública do processo, na Câmara dos Deputados, que novos investimentos de dinheiro público na Oi estão fora de questão. Quadros alertou ainda que a empresa tem de estar preparada para uma possível intervenção do regulador.

O comunicado da Oi foi também submetido pela Pharol PHR 0,00% , cotada portuguesa, à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A firma, que nasceu da ex-PT SGPS após a derrocada do Grupo Espírito Santo (GES), herdou da holding uma participação de cerca de 23% na Oi, bem como um passivo de 897 milhões de euros resultante do investimento em dívida da Rioforte, sociedade do GES.

Por sinal, esta segunda-feira, a Pharol apresentou resultados e reviu em baixa o valor que espera recuperar desse investimento: apenas 85,8 milhões de euros, ou 9,56% do montante em dívida.

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