Dos 897 milhões em dívida da Rioforte, Pharol espera recuperar 10%

Os prejuízos da Pharol melhoraram até setembro, mas a empresa já só espera recuperar 85,8 milhões de euros dos 897 milhões de euros investidos pela ex-PT SGPS em dívida da Rioforte.

A Pharol PHR 0,00% apresentou esta segunda-feira um resultado líquido negativo de 56,1 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, contra os 137 milhões de euros de perdas registadas em igual período do ano passado.

Além disso, a empresa de Luís Palha da Silva reviu em baixa o valor que espera reaver do investimento da ex-PT SGPS em dívida da Rioforte, sociedade do Grupo Espírito Santo: dos 897 milhões de euros injetados, a Pharol, a empresa que ficou com esse passivo e com uma participação de cerca de 23% na operadora brasileira Oi, já só espera recuperar 9,56% — ou seja, 85,8 milhões de euros.

Recorde-se que, anteriormente, a Pharol esperava recuperar 15% desse investimento. A revisão em baixa teve, assim, um impacto negativo de 48,7 milhões de euros nas contas da empresa, lê-se no relatório submetido à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Na origem dessa revisão, as “declarações dos administradores judiciais, que referiram que não se pode excluir que o arresto de bens requerido pelo Ministério Público impeça, de forma prolongada ou mesmo definitivamente, a sua recuperação e distribuição pelos credores”.

A Pharol continua fortemente empenhada em reduzir os risco de variação de valor dos seus ativos e em controlar muito estritamente os seus custos operacionais.

Luís Palha da Silva

Presidente executivo da Pharol

A Pharol justifica ainda parte das perdas com custos operacionais de seis milhões de euros nos primeiros nove meses de 2016, bem como uma desvalorização da opção de compra sobre ações da Oi no valor de 5,1 milhões de euros. A empresa garante ter reduzido os custos operacionais em 64%, para seis milhões de euros, contra os 16,9 milhões de euros no período homólogo.

O resultado dos primeiros nove meses deste ano foi ainda influenciado pelo “ganho líquido de 4,9 milhões de euros decorrente da reversão da imparidade registada sobre o investimento da Oi, no montante de 225,6 milhões de euros, que mais compensou a apropriação dos prejuízos acumulados da Oi” até setembro no montante de 220 milhões de euros.

Em igual período, o resultado antes de impostos, juros, depreciações e amortizações (EBITDA) foi negativo em seis milhões de euros, uma melhoria face aos 16,9 milhões de euros negativos um ano antes. “Esta redução é explicada por elevada redução de serviços de terceiros relacionados com consultoria e assessoria legal” e “menores custos com pessoal e menores impostos indiretos”. Os custos com pessoal atingiram os 1,6 milhões de euros, uma redução face aos 2,7 milhões de euros registados entre janeiro e setembro de 2015.

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