BCE disposto a aliviar regras para comprar mais dívida

Possibilidade de autoridade monetária alargar compras beneficia países como Portugal. Juros afundam cerca de dez pontos para mínimos de um mês.

Os responsáveis do Banco Central Europeu (BCE) indicaram que estão disponíveis para aliviar a aplicação de algumas regras do programa de compra de dívida dos governos da Zona Euro para assegurar uma política expansionista “substancial”, abrindo a porta ao alargamento das compras na periferia, incluindo Portugal, onde a autoridade monetária tem enfrentado limitações no alcance da sua bazuca.

A informação consta das atas da última reunião do Conselho de Governadores do BCE e já está a influenciar os mercados secundários de dívida. A taxa das obrigações portuguesas a 10 anos afundou mais dez pontos base para os 3,982%, um mínimo de um mês, com a tendência acentuada de alívio as yields a estender-se a quase todas as maturidades da dívida nacional. Também as taxas associadas às obrigações espanholas e italianas desciam.

Desvios limitados e temporários” ao capital keyque determina quanto dívida de cada país é que o BCE pode comprar — “são possíveis e inevitáveis” para garantir que os estímulos possam ser implementados como anunciado, pode ler-se nas atas da instituição liderada por Mario Draghi, que relatam com maior pormenor as discussões entre os membros do BCE na última reunião de política monetária, nos dias 18 e 19 de janeiro. Esta visão foi “amplamente” partilhada entre os membros, que consideraram “imperativo manter um grau de acomodação monetária bastante substancial”.

Juros abaixo de 4%

Fonte: Bloomberg (Valores em percentagem)

Há algum tempo que o BCE tem enfrentado problemas de escassez em vários mercados de dívida. É o caso de Portugal: a autoridade comprou apenas 688 milhões de euros em obrigações nacionais janeiro, bastante abaixo daquilo que poderia comprar.

"Desvios limitados e temporários” ao capital key “são possíveis e inevitáveis” para garantir que os estímulos possam ser implementados como anunciado.”

Banco Central Europeu

Atas da reunião de 18 e 19 de janeiro

Em dezembro, ficou decidido um prolongamento do programa de compra de dívida pública até final do ano, prevendo-se uma redução do ritmo de compras dos 80 mil milhões de euros mensais para os 60 mil milhões mensais a partir de abril. Além disso, alargou as compras a dívida com taxas mais baixas do que a taxa de depósitos, atualmente nos 0,4%.

Se dúvidas havia quanto ao compromisso do BCE de manter o programa até ao fim, depois dos dados sobre a inflação e a economia lançar o debate sobre a manutenção dos estímulos monetários, elas ficaram hoje mais dissipadas. Os responsáveis de política monetária rejeitam essa especulação, considerando que faltam sinais “convincentes” na evolução dos preços.

“Os encorajadores desenvolvimentos recentes nas expectativas para a inflação e as perspetivas para um ajustamento sustentado na inflação rumo ao objetivo poderá ser colocado em risco” caso o final do programa seja antecipado, dizem as atas.

(notícia atualizada às 18h29 com cotações de fecho)

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