Manuel Vicente nega acusações de corrupção

O advogado de Manuel Vicente diz que o vice-presidente angolano nunca foi ouvido no âmbito da Operação Fizz, uma violação "grave e séria" que "invalida o processo".

Manuel Vicente já reagiu às acusações feitas pelo Ministério Público português. O vice-presidente de Angola é acusado de ter subornado um procurador português, mas garante que “nada tem que ver com os factos” da Operação Fizz, a investigação em que está implicado.

Num breve comunicado enviado às redações, o advogado do vice-presidente angolano, Rui Patrício, destaca apenas dois pontos:

  • “Primeiro, nem eu nem o meu constituinte fomos notificados ou informados de coisa alguma”;
  • “Segundo, e mais importante, muito me espanta que o meu constituinte possa ter sido acusado, não só porque nada tem que ver com os factos do processo, mas também porque nunca foi sequer ouvido, o que constitui obrigação processual fundamental, cuja violação, bem como a violação de outras regras aplicáveis ao caso, é grave e séria e invalida o processo”.

Manuel Vicente é um dos quatro arguidos da Operação Fizz que foram acusados de corrupção, branqueamento e falsificação de documento. Além dele, também o antigo procurador Orlando Figueira, o advogado Paulo Blanco e o empresário Armindo Pires também foram acusados pelo Ministério Público.

Em causa está um suborno de 760 mil euros a Orlando Figueira. Manuel Vicente, Paulo Blanco e Armindo Pires “são acusados de, em conjugação de esforços, terem pago ao magistrado, que, na altura, trabalhava no DCIAP, cerca de 760.000 euros e outras vantagens, designadamente, colocação profissional numa instituição bancária”. A instituição bancária em causa é o BCP, para onde Orlando Figueira foi quando saiu do DCIAP.

Em troca, Orlando Figueira, que está atualmente em licença sem vencimento, “proferiu, em dois inquéritos, despachos que favoreceram” Manuel Vicente. “Estes dois processos vieram a ser arquivados pelo referido magistrado”, refere o Ministério Público.

No comunicado divulgado esta manhã, o Ministério Público diz ainda que Manuel Vicente será notificado do despacho de acusação, o que, de acordo com o comunicado agora enviado pelo seu advogado, ainda não aconteceu.

Notícia atualizada às 14h58 com mais informações.

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