Portugal sai do PDE, juros renovam mínimos desde outubro

Juros da dívida nacional cedem pela quinta sessão consecutiva, depois de a Comissão Europeia ter anunciado a saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo.

É oficial. Portugal saiu do Procedimento de Défice Excessivo, anunciou há momentos a Comissão Europeia, numa decisão que beneficia a imagem do país junto dos mercados. Para já, o comportamento dos juros reflete esta boa nova para o país: as taxas continuam em queda pela quinta sessão consecutiva.

As taxas portuguesas cedem em toda a linha, com a maturidade de referência a dez anos a cair pela quinta sessão consecutiva para 3,18%, o ponto mais baixo desde outubro do ano passado. A yield associada às obrigações a cinco anos cai para 1,593%.

Também o risco do país mantém-se em queda, com o diferencial de juros entre as obrigações portuguesas a dez anos e as obrigações alemãs no mesmo prazo a renovar um novo mínimo desde agosto de 2016. Este spread é uma das formas de os investidores avaliarem o risco de Portugal, comparando a taxa portuguesa com uma taxa de um ativo seguro como são as bunds.

A Comissão Europeia revelou esta manhã que retirou Portugal do PDE. Isto depois de o país ter cortado o défice para menos de 3% do PIB, o limite máximo permitido pelas regras comunitárias. E fê-lo com uma boa margem de segurança, tendo superado todas as metas e expectativas: foi de 2%, o valor mais baixo em mais de 40 anos. As projeções para 2017 e 2018 apontam para um equilíbrio das contas públicas.

Paralelamente, a economia começa a dar sinais positivos no arranque do ano. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,8% no primeiro trimestre e surpreendeu tudo e todos, reforçando a frágil estabilidade do país.

Com este bom desempenho, também os credores que detém a nossa dívida estão mais confiantes. Os juros em queda são reflexo do maior conforto do mercado em relação a Portugal. Os analistas do Commerzbank até consideram que as “obrigações portuguesas estão na moda”.

“Um fator que ajuda é certamente o alívio francês, que tem alimentado o apetite por ativos com maior risco. Mas as dinâmicas surpreendentemente positivas nos fundamentais (isto é, forte crescimento económico e défice mais baixo em 2016) e o percurso mais moderado do Governo do que inicialmente temíamos (não há mais reversões nas reformas) são os fatores dominantes”, frisou Michael Leister, analista do banco alemão.

(Notícia atualizada às 10h40 após anúncio da Comissão Europeia)

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