Quatro anos à espera obrigam FC Porto a pagar mais que Benfica

Arranca esta terça-feira o prazo de subscrição da emissão de dívida do FC Porto destinada a pequenos investidores. Dragões oferecem uma taxa de juro de 4,25%, acima do Benfica. Quer investir?

O FC Porto despediu-se da Liga portuguesa com uma derrota por 3-1 com o Moreirense, já depois ter perdido o campeonato na penúltima jornada para o Benfica. Agora, tenta somar pontos no campo financeiro, onde pretende 30 milhões de euros através de uma emissão de obrigações a três anos para pequenos investidores. Os dragões, que não são campeões há quatro anos, pagam uma taxa de juro de 4,25%, acima do que os rivais encarnados ofereceram na última operação. Pretende investir? Conheça os pormenores da operação.

Quem pode investir?

A oferta “destina-se a investidores indeterminados, ou seja, ao público em geral, desde que sejam pessoas residentes ou com estabelecimento em Portugal”. Ainda assim, a SAD portista aponta baterias aos associados do FC Porto, aos adeptos, simpatizantes e “toda a população da região de influência do clube”.

Quando se pode subscrever?

Pode subscrever obrigações portistas a partir das 8h30 desta terça-feira até às 15h00 do dia 6 de junho. Entretanto, tem até às 15h00 do dia 31 de maio para alterar ou cancelar ordens de subscrição.

Qual o prazo do investimento?

“O empréstimo tem uma duração de três anos, sendo o reembolso efetuado ao valor nominal, de uma só vez, em 9 de junho de 2020, salvo se ocorrer o vencimento antecipado”, esclarece a SAD do FC Porto. Mas dado que estas obrigações serão admitidas à negociação na bolsa de Lisboa, os investidores podem vender os títulos no mercado ao preço da procura no momento. Ou seja, podem perder ou ganhar dinheiro com a negociação dos títulos.

Quanto paga de juros?

Há um mês, o Benfica pagou um juro de 4% ao ano. Agora, a SAD portista paga 4,25% (taxa anual bruta, sujeita ao regime fiscal em vigor), sendo o juro mais baixo dos últimos empréstimos efetuados. E acrescenta que “os juros das obrigações vencer-se-ão semestral e postecipadamente, com pagamento a 9 de junho e 9 de dezembro de cada ano de vida das obrigações”.

Fonte: Bloomberg (valores em %)

Há comissões?

Há comissões e o investidor é alertado para essa circunstância no prospeto. “Nomeadamente calculando os impactos negativos que as comissões devidas ao intermediário financeiro custodiante podem ter na rendibilidade do investimento (para pequenos montantes investidos esse investimento pode nem sequer ser rentável”, refere a SAD.

Quais são os riscos?

Ao contrário dos depósitos, que estão salvaguardados pelo fundo de garantia, as obrigações dependem da capacidade de cumprimento do emitente. Os riscos estão devidamente sinalizados no documento da SAD. “Os potenciais investidores deverão ponderar cuidadosamente os riscos mencionados (…) antes de tomarem qualquer decisão de investimento no âmbito da oferta, devendo, em caso de dúvidas, recorrer às entidades habilitadas ao seu esclarecimento, incluindo designadamente os seus intermediários financeiros, consultores jurídicos e fiscais“, explica a sociedade.

Qual o montante da emissão?

A SAD prevê emitir um total de seis milhões de obrigações, com um valor nominal de cinco euros cada. Procura assim levantar um total máximo de 30 milhões de euros com esta operação, embora o montante global possa ser aumentado por opção da SAD azul e branca a ser exercida até ao dia 29 de maio (inclusive).

Há mínimo de investimento?

Sim. Segundo o prospeto do negócio, “as ordens de subscrição devem ser apresentadas para um montante mínimo do investimento de 100 euros, correspondente a 20 obrigações e, a partir desse montante mínimo, devem ser expressas e em múltiplos de 5 euros (o equivalente a uma obrigação).

E se a procura superar a oferta?

Tem sido um hábito estes empréstimos obrigacionistas registar procura bastante acima da oferta. Quando isso acontece, procede-se a rateio das obrigações. Este empréstimo portista não é exceção. Os critérios são os seguintes:

  1. Atribuição de 1.000 euros em obrigações a cada ordem de subscrição (ou do montante de obrigações solicitado, no caso de este ser inferior a 1.000 euros). No caso de o montante de obrigações disponíveis ser insuficiente para garantir esta atribuição, serão satisfeitas as ordens de subscrição que primeiro tiverem dado entrada no sistema de centralização de ordens da Euronext (estando, para este efeito, em igualdade de circunstâncias todas as ordens de subscrição que entrarem num mesmo dia útil). Relativamente às ordens de subscrição que entrarem em sistema no dia útil em que for atingido e ultrapassado o montante máximo da emissão, inicial ou alterado por opção do emitente, serão sorteadas as ordens de subscrição a serem satisfeitas;
  2. Atribuição do montante restante solicitado das obrigações em cada ordem de subscrição de acordo com a respetiva data em que deram entrada no sistema de centralização de ordens da Euronext, sendo dada preferência às que primeiro tenham entrado (estando, para este efeito, em igualdade de circunstâncias todas as ordens de subscrição que entrarem num mesmo dia útil). Relativamente às ordens de subscrição que entrarem em sistema no dia útil em que for atingido e ultrapassado o montante máximo da emissão, inicial ou alterado por opção do emitente, será atribuído um montante de obrigações adicional proporcional ao montante solicitado na respetiva ordem de subscrição, e não satisfeito pela aplicação do critério anterior, em lotes de cinco euros da emissão, com arredondamento por defeito;
  3. Atribuição sucessiva de mais cinco euros da emissão às ordens de subscrição que, após a aplicação dos critérios anteriores, mais próximo ficarem da atribuição de um lote adicional de cinco euros da emissão. No caso de o montante de obrigações disponíveis ser insuficiente para garantir esta atribuição, serão sorteadas as ordens de subscrição a serem satisfeitas.

Para que vai servir este dinheiro?

Assim que obtiver os fundos, o FC Porto vai destiná-los para o financiamento da atividade corrente da SAD, nomeadamente pagar a fornecedores, assim como para a consolidação do passivo, através do refinanciamento do empréstimo obrigacionista cujo reembolso de 20 milhões de euros está agendado para 6 de junho. A SAD informa que, se a subscrição da oferta se revelar incompleta, irá obter os recursos necessários mediante financiamento bancário.

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