Mediobanca, Deutsche e JP Morgan. Os escolhidos de Ramalho para negociar com os fundos

O presidente do Novo Banco escolheu o Mediobanca, o Deutsche Bank e o JP Morgan para negociar com os fundos internacionais a troca de obrigações séniores.

António Ramalho já escolheu os assessores financeiros do Novo Banco para negociar a troca de obrigações séniores com os fundos internacionais, apurou o ECO junto de fontes de mercado. O presidente do banco de transição escolheu a Mediobanca, o Deutsche Bank e o JP Morgan.

A operação de troca de obrigações – que ‘vale’ 500 milhões de euros e é uma condição necessária para fechar em definitivo o acordo de venda do Novo Banco ao fundo Lone Star – é da responsabilidade formal da instituição, porque é ela que tem de responder aos seus obrigacionistas. O Banco de Portugal e o Fundo de Resolução estão envolvidos diretamente nesta operação, claro, mas é o Novo Banco que tem a competência de negociar as condições do chamado LME (Liability Management Exercise) com os obrigacionistas.

A contratação destes bancos de investimento, com mandatos formais desde a passada sexta-feira, era o passo que faltava para abrir contactos formais com os fundos, particularmente com a Pimco e a BlackRock. Até ao momento, não foi possível obter uma confirmação oficial do Novo Banco.

De acordo com informações recolhidas pelo ECO, que confirmam a notícia do Jornal de Negócios desta semana, é provável que estes bancos abram negociações com os obrigacionistas até ao final do mês, desde logo para testar a sensibilidade do mercado a uma proposta que, até este momento, desconhecem, apesar de ter sido anunciada há quase dois meses.

Ainda assim, a proposta do Fundo de Resolução/Novo Banco ainda não está estabilizada. Há discussões sobre o modelo a seguir entre os responsáveis das duas instituições e caberá ao Novo Banco tomar uma decisão, neste momento, sobre a proposta que está em cima da mesa. O objetivo é apresentação de um prospeto ao mercado durante o mês de junho, condição necessária para a realização da operação.

O tema é sensível. Depois da retransferência de 2.200 milhões de euros de obrigações séniores do Novo Banco para o ‘BES mau’ em dezembro de 2015, os fundos internacionais estão pouco recetivos a uma nova operação que lhes custará 500 milhões de euros, de um total de obrigações de 2,9 mil milhões que estão ‘vivas’. O ponto de partida dos fundos, apurou o ECO, é rejeitar qualquer proposta.

Ainda esta semana, Sérgio Monteiro anunciou no Parlamento, que há um Plano B, uma alternativa ao falhanço das negociações com os obrigacionistas, mas não acrescentou qual é.  O ECO já avançou em primeira mão o que está previsto: uma nova resolução do Novo Banco, um ‘bail in‘ forçado. Uma opção que, para os fundos, não é legalmente possível num banco de transição, como escreveu no ECO o advogado Nuno Pena, da CMS, Rui Pena & Arnaut, que representa fundos internacionais que têm obrigações do Novo Banco.

Com esta operação — neste momento situado no quadro de ‘voluntária’ — resultará numa contribuição dos fundos com 500 milhões de euros nos rácios de capital do Novo Banco e, depois, o Lone Star obrigou-se a injetar, já 750 milhões de euros, e mais 250 milhões no prazo de três anos.

Em paralelo, o Fundo de Resolução ficará com 25% do Novo Banco e prestará uma garantia de 3,9 mil milhões de euros sobre os ativos a integrar no ‘side bank‘.

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