Portugal: O sucesso também traz problemas, avisa o Financial Times

O FT dá o alerta a António Costa: prevê que vem aí um novo capítulo na política portuguesa. A tensão acumula-se à esquerda e à direita e as águas deverão ficar agitadas ainda este ano.

O sucesso também traz problemas. É com este alerta a António Costa que o Financial Times inicia um artigo esta segunda-feira, onde garante que o primeiro-ministro enfrentará pressão acrescida face à crise de boas notícias que o país atravessa. A tensão está a acumular-se.

O diário britânico recorda as diversas notícias positivas que pintaram as páginas dos jornais nos últimos meses. Entre elas, a recomendação para a saída de Portugal do Procedimento por Défices Excessivos, o crescimento económico acelerado, a queda da taxa de desemprego, a redução do défice para 2% do PIB e o afundar das taxas de juro da dívida nacional.

Mas há, depois, o reverso da moeda. O Financial Times indica que os partidos e esquerda, que suportam o Governo, estão a aumentar a pressão sob os ombros do primeiro-ministro, pedindo cortes no IRS e aumentos nas pensões que “excedem de forma significativa os compromissos orçamentais de médio prazo do Governo”, lê-se no artigo. Será um teste às capacidades de António Costa de gerir o acordo com os comunistas e bloquistas.

O jornal vê António Costa como um “primeiro-ministro orgulhosamente contra a austeridade” e recorda que a reversão de algumas medidas apertadas implementadas entre 2011 e 2014, ao abrigo do programa de ajustamento, lhe trouxeram popularidade. Isso reflete-se nas sondagens, onde o PS já terá ganhado quase uma dezena de pontos desde o início da legislatura.

Em contrapartida, a oposição vê as coisas de forma diferente, sublinha o Financial Times. Pelo contrário, apontam que as boas notícias não têm nada a ver com anti-austeridade mas terão sido alcançadas à custa de cortes na despesa e no investimento público. O jornal cita mesmo Maria Luís Albuquerque, antiga ministra das Finanças no Governo de Pedro Passos Coelho, que disse que os cortes nos serviços públicos “nunca foram tão cegos e tão profundos” como o são na era de António Costa.

Face a tudo isto, o jornal conclui que Portugal deverá assistir, ao nível da política interna, novas tensões quando se iniciarem as negociações para o Orçamento do Estado do ano que vem. Um momento que coincide também com a realização de eleições autárquicas e que poderão abalar as águas já nos próximos meses.

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