Investidores veem BCE subir juros em 2018. Euro em máximos

Euro acelera para máximos de três anos com um banco central mais conservador. Investidores têm cada vez menos dúvidas de que o BCE vai subir taxa de juro dos depósitos ainda este ano.

O Banco Central Europeu (BCE) vai subir a taxa de juro dos depósitos em 2018? Não há bolas de cristal nos mercados financeiros, mas os investidores têm cada vez menos dúvidas de que a instituição deverá passar a cobrar menos para os bancos depositarem dinheiro nos seus cofres até final do ano, marcando o fim de uma Era na região com juros em zero.

O mercado vê uma probabilidade de 70% de a instituição liderada por Mario Draghi aumentar a taxa de juro dos depósitos em dez pontos base face ao mínimo histórico em que se encontra atualmente, nos -0,4%. Isto acontece depois de conhecidas as atas da última reunião do Conselho de Governadores, que revelaram que os banqueiros centrais da Zona Euro querem mudar o discurso oficial do BCE para passar aos investidores uma mensagem menos expansionista.

Como medem esta probabilidade? Em causa está a diferença entre as taxas de juro a um dia na Zona Euro (Eonia) e as taxas da Eonia prevista para a reunião do BCE do dia 19 de dezembro de 2018, que é de sete pontos base, face aos cinco pontos que registava no início da semana o indicador ECB Watch, de acordo com a Reuters. Traduzindo em miúdos, isto quer dizer que os investidores estão a descontar uma probabilidade de 70% de uma subida dos juros do depósitos de dez pontos face aos atuais -0,4%.

O BCE colocou esta taxa em terreno negativo em março de 2016 para desincentivar que os bancos deixem dinheiro guardado nos cofres da instituição com sede em Frankfurt e, em vez disso, emprestem às famílias e empresas para reanimar a atividade económica na região da moeda única.

Por causa da abordagem mais conservadora do BCE, o euro valoriza esta sexta-feira para o valor mais elevado dos últimos três anos. A moeda única ganha 0,8% para 1,2137 dólares, a cotação mais alta desde dezembro de 2014. A dar força à divisa estão ainda as boas notícias que vêm de Berlim. A CDU de Angela Merkel chegou a um acordo com o SPD de Martin Schulz para a formação de governo na Alemanha.

Euro em máximos de três anos

Fonte: Reuters

“Claramente, uma grande coligação é mais amiga para o euro do que um governo com três partidos que esteve em cima da mesa logo após as eleições”, referiu a estratega do Commerzbank Esther Reichelt, citada pela Reuters. “Mas o fator dominante para o euro é o BCE”, frisou a especialista.

Para os analistas do banco ING, “assim o mercado se aperceber de que o fim dos estímulos está a chegar, vai começar a questionar sobre os passos seguintes do BCE e isso passa por subidas das taxas de juro”. O banco vê o euro a atingir os 1,30 dólares até final do ano.

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